O “Reacender” da Fórmula 1

Este fim-de-semana uma nova página irá ser escrita na História do automobilismo e sobretudo da Fórmula 1. Singapura é o epicentro do reacender da chama da alta velocidade e irá acolher o primeiro e inédito Grande Prémio de F1 nocturno, uma autêntica revolução que conta com mais de 1500 holofotes espalhados pelos 5kms de pista citadina que irá garantir o espectáculo e certamente servir de impulsionador para o reacender da competição motorizada rainha em todo o Mundo.

Admito que já há muito que o meu interesse pela Fórmula 1 havia praticamente desaparecido, muito pela queda quase astronómica de popularidade e sobretudo espectacularidade da modalidade que conheceu nos anos 90 o apogeu da sua fama. No dia 28 de Setembro nada pode falhar. Ironicamente as luzes da ribalta estarão apontadas para o Grande Prémio de Singapura, a primeira prova da história da Fórmula 1 a ser disputada à noite, facto que não é inédito nos desportos motorizados, mas de capital importância para as audiências da disciplina rainha do automobilismo. Uma das razões evocadas para tamanha mudança e sobretudo inovação autorizada pela FIA prende-se com o facto da prova representar um verdadeiro marco para a competição, pois compreende uma enorme expectativa tecnológica e de inovação que tinha como objectivo inicial uma primeira experiência da F1 para que os espectadores europeus possam ver a transmissão televisiva do GP asiático à hora habitual (13 ou 14 horas).

A noite será transformada em dia, com os monolugares a acelerarem no circuito citadino Marina Bay, que vai usar projectores Philips num projecto desenvolvido pela empresa italiana Valerio Maiol, minuciosamente concebido para que não surjam quaisquer reflexos, mesmo em caso de chuva, capazes de atrapalhar o desempenho dos pilotos que vão rodar a velocidades próximas dos 300 quilómetros/hora. O detalhe vai até tal ponto que também não foi esquecido o conforto visual dos espectadores e igualmente dos telespectadores, em relação aos quais os padrões das transmissões em alta definição foram igualmente levados em consideração. Tudo grandes detalhes que me deixaram ainda mais curioso em relação a esta verdadeira revolução tecnológica na área do desporto motorizado:

  • O circuito é do tipo citadino e já é equiparado ao lendário circuito do Mónaco. Tem 5067m e terá 61 voltas perfazendo um total de 309.087 km até à finish line.
  • A única bandeira de pano que vai ser vista em Singapura será a de xadrez, porque as restantes (amarela, verde, azul, entre outras) são electrónicas. Nos 35 postos espalhados no circuito, os comissários disporão de painéis electrónicos, de comando manual, com as respectivas bandeiras. Este sistema permitirá uma maior visibilidade aos pilotos, e o director de prova verá em simultâneo o tipo de bandeiras exibidas em cada momento.
  • A iluminação tem a intensidade de 3000 lux, ou seja, quatro vezes superior à utilizada em Estádios de Futebol. Os potentes holofotes colocados em lugares estratégicos produzem em toda a pista uma luminosidade na ordem dos 1650 a 1700 lúmenes, quando a luz do dia varia entre 1400 e os 1600 lúmenes. O único problema apontado pelos especialistas que não é de fácil resolução, serão os flashes provenientes das bancadas, que poderão distrair os pilotos mais incautos, visto que o regulamento poderá autorizar a alteração das actuais luzes vermelhas de travagem que à noite terão uma claridade excessiva. Isto, mesmo sabendo que os fornecedores de capacetes desenvolveram viseiras especiais para esta prova.
  • A holandesa Philips mantém-se assim como pioneiro na área do desporto desde 1952, quando deu luz aos Jogos Olímpicos de Oslo. Desde então, o fabricante tem estado ligado aos maiores eventos desportivos do planeta, designadamente os Jogos Olímpicos (Seul, Barcelona, Atlanta, Sydney, Atenas e até Pequim), além de parcerias com as federações internacionais de atletismo, futebol, basquetebol, ténis e hóquei no gelo, entre outras. Ilumina 70% dos estádios da Premier League e muito recentemente procedeu à remodelação do sistema de luz de Old Trafford.
  • A Bridgestone efectuou uma verdadeira carga de testes e constatou que os pneus adequados a esta “nova realidade” serão os macios e super macios com traçado de rua. Foram também alteradas as faixas brancas dos pneus que terão tinta reflexiva. Como as temperaturas estarão mais frias, e não haverá radiação do sol para “queimar” o asfalto, espera-se ainda assim um temperaturas na ordem dos 27ºC mesmo com a previsão de chuva. Estas são temperaturas mais quentes do que algumas pistas em horário normal.
  • A estrutura do circuito que saiu dos estúdios da Architects 61 custou cerca de 320 milhões de patacas, demorou 14 meses a edificar e terá 36 boxes só para os monolugares da F1 numa área de construção aproximada de 23 mil metros quadrados. O circuito ficou pronto no dia 20 de Setembro.
  • A empresa local de telecomunicações e maior grupo asiático do ramo, a SingTel, pagou, segundo fontes não oficiais, 80 milhões de patacas para ser o patrocinador oficial do evento, um valor ligeiramente inferior ao dobro da verba disponibilizada pelo Banco Santander para ocupar o papel homólogo no Grande Prémio de Inglaterra.
  • A organização, atendendo ao interesse que a mesma está a suscitar, espera aumentar de forma significativa as suas receitas e facturar algo como 58,3 milhões de euros.
  • O próprio turismo da “cidade-estado”  prevê que 40 por cento dos espectadores sejam oriundos de outros países. De acordo com números oficiais, a Fórmula 1 terá um impacto de 800 milhões de patacas anuais na economia da “Cidade do Leão”, o que é um valor bastante apreciável para quem tem “apenas” de pagar anualmente à FOM cerca de 317 milhões de patacas para receber a prova, uma maquia inferior a metade daquela que o Real Madrid se propõe oferecer ao Manchester United para adquirir os serviços de Cristiano Ronaldo.

Numa altura em que o campeonato está ao rubro, com Lewis Hamilton (que viu a FIA recusar o apelo relativo ao castigo que lhe retirou a vitória na Bélgica) e Felipe Massa separados por um ponto, estes são os principais candidatos à sucessão de Kimi Raikkonen como campeão mundial, quando restam ainda três provas para acabar a época: Fuji (Japão) / 12 Outubro; Xangai (China) / 19 Outubro; e Interlagos (Brasil) / 2 Novembro. O “Grande Circo” está definitivamente pronto a renascer!

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