Análise: Nápoles 3×2 Benfica
Do mal o menos. O Benfica foi ao emblemático estádio San Paolo apadrinhar a reentrada do Nápoles nas lides Europeias e deixar tudo em aberto na eliminatória mesmo com uma derrota forasteira por 3×2. Um jogo bem disputado, onde o Benfica alternou o pouco bom com o menos mau e onde ficaram uma vez mais patentes as fragilidades de entrosamento quer deste novo Benfica, quer da sua equipa técnica, que falhou (novamente) na preparação e no decorrer da partida.
À procura de uma boa carreira Europeia, Quique Flores “armou” em plena Itália, um Benfica de “peito aberto” perante um Nápoles empolgado e determinado a mostrar aos seus 60 000 adeptos o empenho na reentré europeia. Mal soube que o Benfica entraria em jogo com um 4×4x2 clássico com Urreta, Carlos Martins, Yebda, Reyes no miolo e Di Maria e Suazo na frente, confesso que pensei se Quique não estaria a arriscar demasiado. Verdade que com o jogo terminado todos fazemos 13 no totobola, mas a aposta em Urreta para um jogo que se antecipava vibrante e de grande pressão, deixou logo a ideia de fracasso, assim como Di Maria que foi literalmente engolido pela defesa napolitana onde se destacaram claramente Canavarro e Santacrosse. De salientar, a estreia absoluta de Suazo na equipa, que colocou o Benfica na frente do marcador numa fase do jogo onde as oportunidades se encontravam repartidas. Com uma linha média onde as alas concediam pouco sentido sentido táctico à equipa (Reyes e Urreta), Quique não soube interpretar uma partida onde o Nápoles conseguia facilmente superioridade no miolo do terreno, e onde só Yebda conseguiu mostrar os dentes, tão apagado esteve Carlos Martins que voltou a mostrar debilidades em construir jogo.
De forma quase esperada, e aproveitando a falta de entrosamento encarnada, a equipa de Edoardo Reja revirou o resultado, mostrando ter a lição bem estudada ao explorar o débil lado direito do Benfica, onde Maxi não conseguia dar a mesma resposta que o companheiro Léo, um dos melhores em campo. Quique não entendeu que só Yebda num meio campo muito avançado em relação à linha defensiva deixava um buraco onde Hamsik, Denis e sobretudo Lavezzi faziam tudo e mais alguma coisa até conseguir, em 2 minutos, a reviravolta no resultado para 2×1. Incrível a forma como Quique não compreende essa lacuna num esquema que pressupõe que a defesa jogue bastante subida para assim ganhar supremacia na zona central do terreno. Sem Martins e com Yebda muitas vezes a apoiar o ataque, o Benfica sentiu enormes dificuldades na transição para o ataque, face à vantagem numérica do Nápoles nessa zona do terreno.
Com a chegada do intervalo, a reacção de Quique é desfazer a titularidade surpresa de Urreta com a entrada de Balboa para o seu lugar. Se a ala direita ganhava mais maturidade, a verdade é que Carlos Martins esteve tempo a mais em campo, com Katsouranis a aquecer o banco sem que Quique acordasse perante as fragilidades evidentes da equipa no sector intermédio (Ruben Amorim também fez muita falta e poderia ter sido uma hipótese bastante válida). Se o 3×1 surgiu de um lance perfeitamente fortuito, de má sorte encarnada, a reacção portuguesa não se fez esperar não, isto já depois de Quique Flores finalmente substituir Carlos Martins por Katsouranis, que anteciparia o 3×2 final por Luisão a aproveitar bem e a recolocar o Benfica na eliminatória. Daí até ao apito final viu-se o óbvio para o espectador mais atento, com um meio campo mais resguardado, o Benfica que já com Nuno Gomes (rendeu o apagado Di Maria) ganhou mais posse de bola e sobretudo maior controlo do jogo. Para além da falta de visão táctica, Quique voltou a mostrar ter memória curta em grande parte da sua carreira, continuando a “queimar” todas as 3 substituições antes dos 65 minutos, como voltou a acontecer no San Paolo. Com uma equipa extremamente mal preparada fisicamente como este Benfica, e depois dos últimos minutos sofríveis na Luz face ao Porto, a equipa voltou a ficar orfã de uma série de jogadores: Reyes, Yebda e sobretudo o lesionado Suazo que teve de continuar em grande sofrimento em campo, numa atitude de grande esforço, algo que vem mostrar como Quique e a restante equipa técnica da Luz ainda terão muito para reflectir.
Em conclusão, o Benfica apostou numa ousadia táctica sem qualquer eficiência, lançando num ambiente de grande pressão uma equipa inicial demasiado tenra e jovem, algo que veio também reforçar a ideia que alguns jogadores são incompatíveis e não podem jogar juntos… pelo menos em jogos desta natureza e risco. Um resultado que ainda assim permite sonhar, sem contudo esquecer a forma inaceitável como a equipa se deixou ultrapassar em apenas 3 minutos. Parece-me também que os jogadores têm de aprender e sobretudo lutar mais. Muitos escondem-se demasiadamente atrás do colectivo, faltando sim assumir as responsabilidades individuais. Fica também um desabafo para a arbitagem, que mostrou uma gritante dualidade de critérios mas que não pode nem deve ser chamada para justicar este resultado que no próximo dia 2 de Outubro todos esperamos ver ultrapassado.



