Um Teste.. Promissor
No mais recente teste desta pré-temporada portista, mais especificamente o Torneio Internacional de Braga, pareceu-me novamente que este Porto tem a máquina surpreendentemente afinada para o momento temporal em que nos encontramos – basta comparar os níveis competitivos do campeão nacional com o dos seus maior oponentes. Na ressaca de um estágio que teve como maior objectivo preparar física e mentalmente os atletas para mais uma temporada longa e exigente, a grande maioria denotou já índices competitivos bastante apreciáveis, sendo que desta feita os golos foram também alcançados – de forma eficiente e muito interessante.
Frente ao Leixões, Jesualdo Ferreira tinha já referido que pretendia testar um esquema bem perto daquele que seria o mais certo para o início das competições oficiais, e foi com esse pensamento que nos chegou uma interessante informação: a colocação de Meireles como elemento fixo no vértice defensivo do meio-campo, uma possibilidade que em tempos já havia sido referenciada. Numa pré-temporada que, naturalmente, é a altura para testar novos elementos e novas estratégias, parece evidente que a saída de Paulo Assunção acabou por ser a mais notada no esquema portista. A preponderância do brasileiro no 11 azul-e-branco era por demais evidente, e a sua abrupta saída tem sido paulatinamente resolvida, de forma inteligente e tentando não criar um fardo que venha mais tarde a criar pressão sobre os seus possíveis sucessores. Assim, e à surpresa que para todos os portistas foi a entrada “vencedora” de Fredy Guarin, Jesualdo tem sabido aproveitar o rendimento do colombiano de diversos modos, como que rendido à versatilidade e qualidade futebolística do médio. Contudo, e aceitando como certo que no 433 portista um trinco terá que funcionar como pêndulo na recuperação e na eficiência posicional, a colocação de Guarin acabou por não resultar da forma mais consistente, pois resguardava uma posição extremamente importante, obrigando os restantes elementos do meio-campo a dobrar o lugar quando o colombiano se estendia no terreno (como a natureza do seu futebol o levava a fazer).
Frente ao Cagliari, a aposta decaiu em Fernando, um jogador que apesar de muito jovem tem já alguma experiência e rodagem numa posição que sempre foi a sua desde o início da formação como atleta (o que é importante destacar, num futebol actual feito de versatilidade e constantes adaptações). O temporada na Amadora forrou-se de sucesso, e é com mérito que o brasileiro é visto actualmente como um possível substituto natural de Assunção. A meu ver, será Meireles a opção imediata no que a partidas oficiais diz respeito, mas não será surpreendente que Fernando avance para a titularidade num futuro não muito distante.
Em termos defensivos, a segunda partida frente a um tenro Cagliari revelou também aquilo que já temia de há um ano para cá: Lino é definitivamente um defesa sem qualidade. Os seus dotes técnicos são evidentes, o pé esquerdo preciso e poderoso, mas naquilo que o seu lugar lhe exige Lino é um elemento fraco e sem estofo para o campeão nacional. Frente ao Cagliari, todos os lances ofensivos que os italianos protagonizaram num segundo tempo bem morno foram graças ao brasileiro que, numa pré-temporada em que revelou forte pendor ofensivo, conseguiu como que disfarçar os seus reais défices. Em oposição, frente ao Leixões tivemos a primeira amostra de Nelson Benitez – perante a qual fiquei surpreendido e bastante agradado. Muita raça que parecia estar escondida associada a forte pulmão, bom sentido táctico na hora de defender e um belo pé esquerdo a colocar o esférico na área contrária (conseguiu ainda uma vistosa assistência para golo de Lisandro).
Hulk, como grande expectativa no seio dos adeptos portistas, denotou ainda alguma ansiedade, mas poderá ser uma das grandes surpresas para a temporada que se avizinha. Tecnicamente fantástico, detém um pé esquerdo que parece ter capacidade para furar muitas redes adversárias. Será contudo necessário esperar pelos próximos capítulos, pois a condição física terá que ser melhorada, e a adaptação ao nosso futebol será a realidade imediata na vida do brasileiro. Farias, esse fez questão de demonstrar na partida de hoje como o seu instinto se mantém intacto, e requer sem menor dúvida um tratamento bem especial no lote de atacantes do Porto, pela qualidade e experiência que ainda revela. Faltando de forma evidente um avançado à antiga, mais posicional e com maior “cultura” de finalização, este Porto parte para 2009 com predicados bem similares àqueles que vimos na época transacta: diversos elementos com qualidade bem acima da média, velozes e com uma versatilidade que é de enaltecer. Rodriguez e Hulk vêm trazer a Lisandro, Tarik e companhia uma ainda maior profundidade ofensiva à equipa, somando ainda alguns pontos para sectores em que a equipa se encontrava debilitada, como ao nível do disparo de meia distância e na marcação de bolas paradas. O defêso tem sido positivo para os dragões, e de momento restará esperar para ver se em termos oficiais o brio se mantém.
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