Nelson Évora – Mágico de Ouro
Parabéns Campeão! Mais que o primeiro lugar no pódio, a entrada para o diminuto lote de heróis do desporto Português. 21 de Agosto de 2008 é um dia histórico para Nelson Évora que com 24 anos e após se sagrar Campeão do Mundo em Osaka, consegue de forma brilhante a consagração máxima e o sonho de qualquer atleta: a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. De desastre luso à melhor prestação de sempre, assim se faz magia com “apenas” 17,67 metros.
O culminar de uma profecia que há muito se vinha a construir. Para os mais esquecidos ou distraídos, falo de Nelson Évora, estudante do curso de Marketing e Publicidade desde 2007, altura em que recusou inúmeros convites das abastadas Universidade dos Estados Unidos para prosseguir a sua carreira desportiva no Portugal do seu coração. Não há adjectivos para descrever alguém como Évora, que desde sempre contagiou tudo e todos com uma humildade única, só ultrapassada pelo carácter de campeão invejável. Tudo começou 7 anos atrás, quando em 2001 no Festival Olímpico da Juventude Europeia, vestiu pela primeira vez a camisola de Portugal e arrancou um estrondoso primeiro lugar, no salto em comprimento. Tinha apenas 17 anos. Seguiu-se a conquista do Europeu de Juniores em 2003 onde o “rebento” de João Ganço surpreendeu tudo e todos no salto em comprimento e triplo salto, na Finlândia.
Nelson chegava a este Olímpico de Pequim com o estatuto de Campeão do Mundo, fruto de uma magnífica prestação em Osaka e que o colocava no leque dos favoritos ao pódio da competição. Se a missão já se afigurava difícil, eis que a milhares de quilómetros da terra cujo nome enverga ao peito, sente-se uma onda de pessimismo sobre a prestação dos portugueses. Ao 13º dia, Nelson Évora faz história ao ser o quarto atleta luso (Carlos Lopes, Rosa Mota e Fernanda Ribeiro são os restantes medalhados) a arrecadar o ouro e a juntar à prata da também atleta do Benfica Vanessa Fernandes, lançando Portugal para a melhor prestação de sempre nos Jogos Olímpicos – Portugal tinha conseguido juntar bronze ao ouro pelo que, apesar de já terem conseguido mais medalhas noutras edições, esta será a melhor de sempre em termos de qualidade. Um volte-face só ao alcance de um verdadeiro campeão que num triplo salto de ar fresco calou por completo o ridículo tribunal popular que condenava quase todos os atletas lusos pelas suas “fracas” prestações e supostos passeios a Pequim. Uma questão completamente falsa e de completo mau gosto sobretudo se a abordarmos com a racionalidade e a dignidade que cada modalidade e atleta merece.
Os custos e apoios dados pelo Estado aos atletas foi tema de debate. Falou-se que nunca o Estado Português “investiu” tanto nuns Jogos Olímpicos. Pergunto: se o estado finalmente apoia não só os seus atletas mas todas as infraestruturas e condições de trabalho que certamente são limitadas e em mau estado, então como se pode exigir mais e melhor a atletas que vivem na sombra do profissionalismo e estão a anos-luz no que respeita a condições de treino? Será agora o dinheiro dos contribuintes assim tão importante? Ou não somos sim um país que ignora tudo o resto e só exulta os seus campeões quando estes usam chuteiras e correm atrás de uma bola de futebol ganhando ordenados chorudos? Onde estava a selecção Portuguesa de Futebol nestes Jogos? Quantas medalhas já nos deu? Como é possível pedir mais a estes atletas se para muitos deles, há dois pesos e duas medidas como foi possível ver no apoio e mediatismo a Vanessa Fernandes, em contraste com o desmazelo quase absoluto a grande parte dos atletas portugueses na competição, como Gustavo Lima veio e muito bem trazer a público?
Todos eles, com melhor ou pior resultado, representaram o seu País da melhor forma que sabem. O salto para o ouro de Évora foi também contra o derrotismo e pessimismo que já começava a emergir na cabeça dos portugueses, mas sobretudo um estímulo para todos os atletas continuarem a fazer mais e melhor.
Orgulho de Portugal. Obrigado, Campeão!
Tributo a Nelson Évora – Campeão do Mundo e Olímpico do Triplo Salto



