Análise: Supertaça 2008/09 > Porto 0×2 Sporting
Amorfa, triste, pouco equipa. Assim se apresentou o Porto nos primeiros 90′ oficiais da temporada. Frente a um Sporting que apresentava uma equipa bem reforçada, o Porto vinha também de um conjunto de experiências bastante positivas, com bons reforços e com uma equipa que parecia estar unida e com claras condições para se apresentar em força. Contudo, foi o Sporting a conseguir apresentar as qualidades necessárias para se superiorizar na partida. Uma base que se manteve da época passada, mas com a entrada de 2 elementos de claro valor para os sectores defensivo e intermediário: Caneira e Rochemback. Foi aliás do segundo que surgiram alguns dos lances de maior perigo nesta partida, essencialmente num primeiro tempo em que lançou o perigo na defensiva e guardião portistas, com os seus famosos tiros de meia distância.
Neste primeiro tempo, o Porto parecia não encontrar soluções para criar ofensivamente. Meireles foi uma sombra de si mesmo, Guarin parece ter perdido algum fulgor demonstrado no início do estágio, e partia naturalmente de Lucho toda a construção de jogo. Contudo, nem o argentino parecia estar nos seus melhores dias, com um punhado de bolas perdidas e cruzamentos muito atrasados e sem seguimento. Rodriguez, talvez a maior esperança portista para o ataque portista nesta importante partida, foi igualmente mal solicitado, e foi obrigado a trabalhar muito individualmente tal era a passividade dos elementos que o rodeavam. Farias, entrado para o onze com a saída de Mariano por lesão, foi também um elemento muito sozinho na frente, e Lisandro pareceu voltar a uma “guerra” antiga, colocado numa ala e claramente não trazendo grande produção à equipa. Em termos de lances de maior protagonismo, destaque para mais um livre de “Roca”, aos 19′, um autêntico missil a passar bem perto do poste de Helton. Na resposta, foi Lucho com um remate portentoso que embateu no poste esquerdo, sem a mínima chance para Rui Patrício. Um lance a demonstrar todo o génio de um sul-americano que parecia estar numa noite demasiadamente pausada, isto apesar de estar a ser o maior criador de jogo da equipa.
Aos 44′ surgia então algo que ninguém esperaria, já em vésperas de interrupção na partida. O golo de Yannick, isto depois de um passe de Romagnoli ver a sua trajectória positivamente alterada por um corte deficiente de um defensor portista. O ataque do Sporting a ver assim premiada a sua insistência, maioritariamente no último terço do primeiro tempo, altura em que Izmailov, Romagnoli e o autor do golo Yannick Djaló foram quebras-cabeça para os gigantes defensores Sapunaru ou Bruno Alves, fruto de um futebol bem trabalhado, quase sempre culminado com cruzamentos atrasados e com um futebol de grande intensidade. Assim surgia o intervalo, altura em que era fundamental conceder ao Sporting e a Djaló total destaque, quer pela consistência demonstrada, quer pelo golo bem alcançado.
E a entrada para o segundo tempo não poderia ter sido mais feliz para este Sporting, que contudo procurava e muito um bom porto. Aos 57′, um brilhante passe longo para Izmailov, que na ala esquerda do seu ataque deixa a bola em Djaló para este fazer o seu segundo da noite. Extremamente negativa a postura do quarteto defensivo portista, que pela segunda vez penalizava toda a equipa, isto já depois de minutos antes Bruno Alves ter dado a Yannick uma nova oportunidade para bisar. Desta feito foi o Romeno Sapunaru com uma falha gritante, tentando driblar a bola dentro da própria área (?!), sendo presa fácil de Yannick Djaló que depois apenas teve que encostar. Demasiado amador. A total desarticulação portista não poderia resultar da pior forma nesta primeira partida oficial da equipa, e se do meio campo para a frente nada funcionava, o quarteto defensivo não estava também a corresponder de forma alguma, com constantes falhas, mau posicionamento e demasiada calma na hora de encarar os lances.
O falhanço de Lucho, de penalty – isto depois de um belo lance do recém entrado Candeias – não consistia surpresa para quem assistia à partida, e apesar da enorme defesa de Patrício foi evidente a falta de confiança do argentino. A meu ver, motivação não deveria sequer consistir um problema entre jogadores que ganham autênticas fortunas, num plantel portista que chega até a superiorizar-se aos seus rivais em termos salariais. Pelo contrário, os leões corriam atrás da partida, a apesar de já se verem a vencer por dois a zero, não permitiam ao Porto respirar e nunca desistiram de procurar mais e melhor. Os minutos finais revelaram duas equipas em queda física, e um FC Porto que sem soluções pouco conseguiu produzir, isto já com o brasileiro Hulk em campo – pouco poderia fazer.
Tacticamente, o segredo esteve, a meu ver, a meio campo. Um Sporting laborioso, que com a entrada de Rochemback e uma forte ajuda do ala Izmailov permitiu a Moutinho garantir a sua eficiência habitual. Do lado portista, a posição 6 é ainda uma incógnita, e tanto Meireles como Guarin foram dois elementos vadios e sem produção regular, algo que numa partida desta natureza foi como se viu crucial. A vitória foi indiscutível, e a história recente mantém-se inalterável. Não deixa contudo de ser um fracasso enorme para a turma azul, que parecia estar forte e consistente, com um onze compacto e trabalhador. Assim são os clássicos: a alegria para alguns significa o fracasso e a desilusão para outros. Hoje, nada foi diferente. Uma verdadeira entrada de leão da equipa de Paulo Bento, que mesmo frente a um Porto longe do habitual, amealhou mais um importante troféu e entra para a Liga Sagres com lugar de destaque numa luta previsivelmente a três.
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