Observatório: Plantel Dentro e Fora de Campo

Apresentação do Benfica 2008/09, 45.000 espectadores num Estádio da Luz repleto de expectativa para uma nova temporada. Não se trata de uma época qualquer, os benfiquistas têm razões para acreditar pela nova filosofia no futebol encarnado com um treinador jovem e exigente e pelo plantel que como se viu face ao Feyenoord respira qualidade, e sobretudo com uma nova estrutura para o futebol liderada por um “maestro” que arrumou as chuteiras mas não a batuta - Rui Costa.

O “novo” Benfica já começa a esboçar uma equipa que quer mostrar que é capaz de praticar o “futebol agressivo, racional mas com estilo” tão apreciado por Quique Flores. Neste conjunto que compreende jogadores e equipa técnica, temos alguém que a cada dia que passa mostra estar a abraçar muito a sério um novo desafio de vida, Rui Costa. O novo homem forte da Luz tem primado pela competência e pela frontalidade na hora de abordar os assuntos relativos ao plantel. Quando Rui Costa “contratou” Quique, poucos pensariam que o plantel teria nomes como Pablo Aimar ou mesmo Reyes, e se a chegada destas “pérolas” pode ser discutível, o seu valor é evidente. Parece-me não deixar qualquer tipo de dúvidas a nova força negocial que este Benfica ganhou com a figura de Rui Costa e todo o carisma que continua e continuará a espalhar no estrangeiro. Interessante é também o facto de Quique, logo na chegada a Lisboa, ter frisado toda a confiança no projecto e sobretudo em Rui Costa, mesmo estando ciente dos limites do Benfica e das dificuldades existentes quando se compete com mercados mais fortes. Mais do que isso, a afirmação de que este Benfica, sobretudo após o “episódio Rodriguez”, assenta no princípio moral em que nem todos os jogadores “valem” para o Benfica, só aqueles que realmente querem jogar de águia ao peito, isto é, pessoas que consigam assumir compromissos e que sintam que é um salto vir jogar no Benfica.

A partida de apresentação serviu sobretudo para confirmar que com boas laranjas se faz um bom sumo. Um plantel praticamente fechado que viu agora na chegada de Reyes mais um talentoso e sonante nome para atacar a nova temporada. A Luz viu pela primeira vez o Benfica de Quique cujo onze apresentava 5 reforços: Aimar, Carlos Martins, Yebda, Urreta e Amorim, um meio-campo completamente renovado que mesmo sem grandes rotinas chegou e sobrou para se superiorizar à turma holandesa. Se já seria esperada a qualidade de Aimar e Reyes, os benfiquistas viram com os seus próprios olhos o novo carregador de piano em grande estilo - Carlos Martins-, a versatilidade e o pulmão do aguerrido Yebda e sobretudo a entrega e descaramento de Amorim e Urreta, respectivamente. Tudo nomes, que em conjunto com o restante plantel prometem encher de esperanças qualquer adepto, mas o sucesso de uma época vai muito além do próprio plantel. Desde logo os métodos e a disciplina imposta pela equipa técnica, onde parece-me vital salientar a importância dos adjuntos do afilhado do mito Alfredo Di Stéfano, Quique Flores: o preparador físico Pako Ayestaran, cuja experiência e inúmeros títulos prometem tirar o máximo de cada jogador e afastar definitivamente os fantasmas de épocas passadas; também Fran Escribá, o braço direito de Quique, cujo carácter e profissionalismo só são superados pela forma extrema como se dedica ao estudo e descodificação quase doentia de cada adversário. É fulcral na preparação de cada jogo.

Uma das grandes “inovações” na época é desde logo a chegada de novos métodos utilizados no futebol actual. Com a “juventude” de Quique chegaram também programas informáticos como o Datatrax ou o Mundo Treinador, que prometem fazer a diferença na altura da entrada em campo, pois disponibilizam um conjunto de informações que bem analisadas permitem aos jogadores ter a perfeita noção do que vai acontecer ao longo do jogo. Segundo o treinador, são vitais e hoje fazem parte de um futebol moderno. Os dados mais profundos do jogo, quando bem estudados, são extremamente importantes e mesmo decisivos numa partida.

Tudo a postos e com aspirações renovadas para que o futebol do Benfica regresse aos títulos. A grandeza do Benfica assim o exige. A chegada de Rui Costa e o sangue novo de Quique, aliado a uma política de aquisições selectiva e de grande gabarito capaz de apostar em nomes sonantes do panorama futebolístico Mundial, Aimar e Reyes, assim como valores de futuro seguros e de futuro para o clube, fazem desta nova e reestruturada estrutura encarnada algo que promete responder a essa exigência. O futebol nacional espera por um grande trabalho capaz de reactivar o Inferno da Luz.


3 Comentários. »

  1. Há muito tempo que não se gastava tanto num plantel do SLB. Isso claro traz alguma esperança, apesar de o fracasso das ultimas epocas estar a minimizar a mesma.
    Aimar não é o Rui Costa, mas recuperando a sua forma dos tempos do Valencia poderá se tornar de novo num jogador de classe mundial, Yebda demonstra muita força e espero que faça esquecer Petit, Urreta para mim foi uma agradavel surpresa e seria bom que todos os reforços jovens do benfica fossem assim, jovens, desconhecidos, com valor e relativamente baratos. Julgo que poderá ser um bom valor de futuro, o Di Maria é que vai ter que se cuidar! Ruben Amorim até agora tem demonstrado uma visão de jogo incrivel, tendo efectuado uns bons basses a rasgar defesas durante a pré-epoca, tenho gostado das suas exibições mas julgo que ainda poderá dar mais. Carlos Martins tem tudo para ser grande, espero que ele não se estrague! Quanto ao Balboa ainda tenho as minhas duvidas quanto ao seu valor, no futuro veremos…Sidnei julgo que será um valor para ser integrado aos poucos, como possivel futuro substituto do Luisão, mas julgo que tem potencial. Ainda se fala no Radamel Falcão, que foi sondado pelo FCP há uns tempos, mas se vier admiro-me muito, para já porque o seu preço em comparação com o Luis Garcia é muito inferior ( 5 M em detrimento dos 12 M pelo Garcia) admiro-me ele não ter sido contratado pelo FCP tendo um valor de passe tão baixo, e não acredito que deixem um jogador dessa qualidade vir para o SLB de mão dada. Se calhar é ele a surpresa que se falava para os azuis.
    Quanto ao jogo com o Feyenoord, gostei do que vi, e penso que apenas falharam na finalização, umas vezes por aspectos a lapidar e culpa propria, outras vezes por mérito do guarda-redes contrario. O Cardozo não pode ser vendido, para mim é um jogador que tem ainda algo por lapidar, há que aproveita-lo! Com aquela estatura e aquele pé esquerdo há que treinar o cabeceamento e a finalização do jogador. Seguramente dentro de uma ou duas épocas seria um dos melhores pontas de lança do mundo, porque potencial para isso tem.
    Espero que este ano, mesmo se não ganharem o campeonato, consigam o 2º lugar e a poucos pontos do FCP, para depois na proxima epoca com mais uns reforços para a direita com valor, partirem para a conquista do campeonato.

  2. Em primeiro lugar, digo que nunca acreditei que jogadores como o Aimar ou o Reyes viessem “parar” ao Benfica. Sou habitualmente céptico e pessimista, e sempre pensei que representassem frustrações baseadas em puras utopias… Ainda bem que assim não foi.

    O que penso não foge muito da opinião geral. A época ainda agora começou e ainda não empatámos ou perdemos “aquele” jogo que transforma a euforia da pré-época em insulto e tensão, mas as expectativas são muito boas.

    Em termos das contratações pouco acrescentarei, porque penso que finalmente se faz alguma coisa com pés e cabeça neste capítulo, no Benfica. Já não entram 30 e saem 30 e os que entram não entram “porque sim”, porque é pré-época e tem de se contratar caras novas porque sim, na esperança de que um ou outro dos 30 tenham sorte se dêm bem.

    O que destacaria nisto tudo é a habilidade negocial do Rui Costa. Era sinceramente o que mais temia quando foi apontado como DD. Sempre o estimámos, mas pensei que ainda não tivesse aquela dose de “ratice” e veia empresarial “espertalhona” que um bom DD deve ter. E mostrou que tem isso. Parece manter o mesmo feitio desportivo nobre de sempre, mas também revela que não anda a dormir e que sabe ser “esperto” quando é preciso.

    Algumas contratações (Aimar…) podem ter demorado imenso tempo, mas outras foram feitas com rapidez, eficiência e mestria negocial (embora eu pouco entenda disso, confesso). Por exemplo, as entradas do Sidnei e do Reyes, que apareceram quase do nada (finalmente, contratações que só se sabem quando os jogadores chegam ou já estão praticamente confirmados! Era assim tão difícil?!), investindo num dos mais promissores centrais do Mundo e sendo “esperto” ao ponto de defender a posição quanto ao futuro do Reyes comprando uma parte do passe.

    Nisto baseio o meu elogio ao trabalho do Rui Costa. Eficiência e exigência nas contratações. E frontalidade, também - se se quer um plantel “a sério” não podemos continuar com muitos jogadores só “jeitosos” e “simpáticos”, não há que ter problemas em afirmar que não se conta com eles… (o caso do Mantorras é uma excepção, claro).

    E viva o Benfica.

  3. Boa sorte para o Benfica, e que este ano tenhamos um melhor e mais competitivo campeonato, sem casos e, especialmente, com “clássicos” verdadeiramente escaldantes. Parece-me que os 3 grandes se reforçaram com imensa qualidade, com elementos capazes de fazer a diferença, e sabemos como são esses os elementos que verdadeiramente trazem o espectáculo aos estádios de futebol.

    Não só poderá ser bom para a qualidade do jogo jogado, mas igualmente para uma melhor divulgação do nosso bom futebol e para que na Europa tenhamos uma presença mais consistente a nível de clubes.

    Os dados estão lançados!

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