SuperClássicos: FC Barcelona x Real Madrid

Enquanto o futebol a sério tarda a aparecer, o Jogo de Área lançou-se numa autêntica saga de artigos que no seu conjunto abordarão os grandes clássicos de sempre do futebol Mundial. Do Rio de Janeiro a Roma, de Moscovo ao México, via Teerão, Calcutá e Joanesburgo, examinámos o que faz destes 50 clássicos os mais antecipados, mais excitantes e os mais badalados do desporto rei. A inaugurar, o grande duelo que move paixões dentro e fora do país vizinho e que vai muito mais além que um simples derby, é sobretudo o embate entre duas regiões e emblemáticas cidades Europeias. O clássico dos clássicos: Barcelona x Real Madrid.

Um dia, o nosso bem conhecido Bobby Robson descreveu-o como o maior jogo entre clubes a nível Mundial, e a verdade é que é difícil de não concordar. Talvez não concordará quem não teve ainda o privilégio de sentir in loco este duelo entre “nações” em conflito e em luta pela liberdade contra a repressão. “Dizem que não podemos misturar desporto com política mas é completamente impossível entender Barcelona sem tudo isso.” afirma a antiga estrela blaugrana Hristo Stoichkov. Na verdade, as diferenças sociais ou rivalidades entre as duas maiores cidades são o argumento para o Barcelona frente ao R. Madrid representar uma “nação”- a catalã - face ao Estado. “Eu sentia-me como um general a liderar o exército Catalão” - reafirma Bobby Robson, treinador do Barça em 1996/97. É a liberdade e a democracia face ao casaco apertado do totalitarismo e autoritarismo, o povo Catalão contra a polícia centralista de Madrid que é a equipa do ditador General Franco. Assim, o suposto apoio ao Real leva a que o rival da Catalunha seja visto como a equipa dos guerreiros da liberdade, que combatem a rejeição, repressão e os árbitros alvos de chantagens. Esta é, pelo menos, a teoria. A realidade é, pois claro, muito diferente.

O lado centralista do Real Madrid
No início da Guerra Civil Espanhola em Agosto de 1936, o presidente do Barcelona Josep Sunyol i Garriga foi assassinado quando retornava de um jogo. Anualmente, uma delegação do Barça coloca flores na sua sepultura, criando assim um simbolismo poderoso e uma identificação com o anti-Franquismo ainda mais conscienciosa. Acredita-se que o momento de viragem na história do futebol espanhol - a transferência de Alfredo di Stefano para o Real - foi criteriosamente “arranjado” pelo ditador e que desde então, o Barcelona foi sempre alvo de calúnias e prejuízos. Este favorecimento do regime não era de surpreender, ainda mais se juntarmos a informação de que Santiago Barnabeu foi um apoiante da extrema-direita e lutou ao lado de Franco, apoiando o centralismo com mão de ferro. Madrid representava a nação e o estado Franquista, o que lhe valia um gigantesco contrato com a televisão do estado TVE. Barnabeu chegou mesmo a afirmar: “Não é verdade que eu detesto a Catalunha. Eu admiro a Catalunha… apesar dos Catalães.”

O lado da oposição do Barcelona
Barcelona define-se de forma conscienciosa como a oposição, pois se houve um favor que o regime trouxe à região foi de lhes trazer um enorme senso de comunidade e identidade. Sempre que esta última era abafada, as vozes moviam-se para o futebol e os jogos em Camp Nou viravam sinónimo de reafirmação nacional: apenas Catalão poderia ser ali falado e as bandeiras catalãs mostradas! Quando Johan Cruiff desafiou o sistema ao chamar ao filho Jordi em honra ao santo padroeiro da Catalunha, instantaneamente se tornou num herói externo. No entanto, enquanto parece verdade que a divisão Catalunha/Espanha ainda se mantém, o Barcelona foi fundado por um emigrante Suíço e o Real teve como 1º presidente um catalão. Curioso.

Futebolisticamente, todo este fulgor entre as duas equipas é também traduzido em campo, sobretudo pela emoção que é emanada pelos espectadores. Uma vitória significa quase como um campeonato para todos os intervenientes. Os jogos muitas vezes resultam em grandes exibições e grandes indefinições no marcador, tal é a qualidade e o empenho dos protagonistas - recentemente, a “era” Figo foi plena deste amor-ódio tão evidente entre as duas formações, num misto de jogos espectaculares com uma enorme tensão entre os adeptos. São muitos os jogos e exibições memoráveis guardadas nos arquivos do sutebol, mas não será preciso recuar muito atrás para entrar num misto de espectáculo e explosão de emoções. Assim é o clássico dos clássicos, um embate onde o resultado vai muito além do balançar de redes.

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10.03.07 - Data de um dos jogos mais memoráveis de sempre . Barcelona 3×3 Real Madrid

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