Dilema a Meio-Campo
A partida de ontem, frente ao Hanover 96 (8º classificado na última edição da Bundesliga), e todo o caminho que este Porto tem percorrido em Marienfeld, tem revelado acima de qualquer suspeita um Porto personalizado, consistente, e com um conjunto de reforços que contrasta com a última temporada, onde as contratações chegaram meramente para fazer número.
Stepanov, Bolatti, Kaz, Edgar, Luis Aguiar. Une-os o fracasso que as suas contratações representaram no universo azul-e-branco. Uns mais do que outros, certamente, mas um lote de jogadores que veio revelar que a atitude radical de tomar em consideração única e exclusivamente a estatura dos reforços não foi certamente a melhor por parte de Jesualdo Ferreira. Para 2008-09, a visão foi francamente mais ampla, e o conjunto de novas caras à disposição da equipa técnica portista tem sido uma agradável surpresa. Na partida de ontem, foram mesmo os reforços aqueles que mais se evidenciaram, e não será surpreendente o facto de alguns dos mais antigos terem novamente marcado pelas piores razões.
Mas comecemos por aquilo que considero de mais positivo. Freddy Guarin: um médio colombiano de 22 anos, a fazer lembrar um Emerson que em tempos trouxe músculo e poder de choque ao meio-campo azul e branco. Guarin iniciou a partida na posição deixada em aberto por Assunção – aquela que diz ser a sua na selecção Colombiana – e apesar de não ter sido o pivot defensivo que o médio brasileiro cumpria primorosamente, mostrou sentido posicional, capacidade na recuperação e enorme facilidade para sair a jogar com rapidez e clareza. Os seus 1.84 permitiram-lhe também, por diversas vezes, salvar a equipa de perigo em lances aéreos dentro da grande área. No segundo tempo, Jesualdo concedeu-lhe uma função mais ofensiva, e o Colombiano foi capaz de surpreender novamente, com uma capacidade técnica apreciável, bom último passe e até pontapé de meia distância. Traz enorme profundidade ao miolo portista.
Tomás Costa foi outra das surpresas, apesar de também ele ter vagueado por espaços que não são habituais no seu futebol. Contudo, as qualidades estão à vista, e aquele que foi considerado a revelação do último campeonato argentino poderá ser comparado de certa forma a Raúl Meireles. Extremamente móvel, é um médio de futebol simples e eficiente, tendo ainda o raro trunfo do passe longo. Tanto o vimos perto dos centrais como em zona de finalização, competitivo a defender e com passada larga na transição ofensiva. Tem pinta, e não será surpreendente a sua chamada ao onze inicial, agora que se aproxima o início do calendário oficial.
Um dilema chamado Bolatti: mas afinal o que se passa com este Argentino que fez maravilhas na liga do seu país? Depois de uma época em que lhe foi dado o benefício da dúvida, e se não bastasse a sua falta de velocidade, denota também uma gritante inadaptação ao futebol do campeão nacional. Sem rumo, foi mais uma vez um elemento que nada de novo trouxe ao conjunto portista, sendo pouco depois acompanhado por Fernando, um brasileiro que mostrou uma chama bem mais acesa no meio-campo defensivo da equipa. Estou convencido de que Bolatti foi um erro de casting, pura e simplesmente porque o seu futebol não se enquadra no onze actual dos tricampeões nacionais. Mario Bolatti demonstra ter qualidades com a bola no pé, saindo a jogar com facilidade, mas em contrapartida não tem o ímpeto necessário para se impor no miolo portista, quer como trinco, quer numa posição mais adiantada. Um puro caso de inadaptabilidade.
Fica na retina de qualquer portista uma partida extremamente interessante e emotiva, contrastante com os habituais confrontos mornos de pré-temporada. A cerca de um mês do início das competições “a doer”, mais concretamente com a Supertaça, este Porto parece não ter perdido o rumo depois das férias de Verão, e não só, revela também ter-se reforçado com cabeça, tronco e membros, com elementos competitivos, velozes e tacticamente válidos. E como é importante um bom começo…
[ad#ad1]



