Arranques e Impasses Encarnados
“O importante não é a pressa, mas o acerto nas contratações” – Assim é o pensamento do novo treinador do Benfica em relação à definição do plantel encarnado para a época 2008/09. Se de certa forma as hostes da Luz se encontram mais serenas com a intervenção de Rui Costa na estrutura do futebol, a verdade é que por muito boa vontade que haja em dotar o plantel com a entrada de valores seguros, há que também tratar da saída daqueles que na época transacta não se revelaram merecedores de envergar o emblema da águia.
Um ponto chave para o equilíbrio de qualquer SAD ou mesmo qualquer estrutura desportiva, prende-se claramente com o equilíbrio de soluções no seu plantel. Se no final da época desportiva transacta Simão Sabrosa se revelou como o grande encaixe financeiro para os cofres da Luz, o defeso que atravessamos mostra-nos que este Benfica tem enormes dificuldades na valorização das “estrelas” do seu plantel e na própria resposta e argumentação para segurar os “filhos da própria casa”. O nome de Christian Rodriguez é certamente o que mais vem à memória, tal foi a “bomba” da sua contratação pelo rival FC Porto, que não teve dificuldades em persuadir um dos grandes nomes da época 07/08 encarnada, a trocar a Luz pelo Dragão. Os valores avultados desta jogada – 7 milhões de euros por 70% passe – mostram como no Porto a aposta em jogadores é já encarada sem grandes medos, tal é a certeza quase absoluta que o investimento terá um retorno 2 ou mesmo 3 vezes maiores. É claramente um sinal da posição privilegiada que este Porto tem na Europa na promoção e venda dos seus valores, tais foram os sucessos alcançados nas últimas décadas.
Assim sendo, com Rui Costa ao leme, este Benfica começou a nova época com uma aposta em solo luso. Jorge Ribeiro e Bruno Amorim, ambos jogadores com formação na cantera encarnada e que no Boavista e Belenenses, respectivamente, mostraram argumentos e atributos para “retornarem” praticamente a custo zero à Luz. Uma aposta que possivelmente não terá tido ainda o cunho de Quique Flores e que levará estes reforços a trabalhar muito para agarrar a titularidade, mas que certamente não deixa de ter grande valor dado tratarem-se de dois jogadores jovens, portugueses, e com uma clara adaptação ao campeonato nacional. Duas soluções que trarão certamente maior competitividade ao plantel, e assim maior poder de escolha para uma época sempre longa e com muitos entraves pelo meio.
O arranque da pré-época começa a mostrar as novas caras no ninho da águia, no entanto partindo para uma análise mais cuidada pelos diversos sectores, poderemos chegar rapidamente à conclusão que mais uma vez, este Benfica, irá gastar mais do que encaixa entre entradas e saídas do plantel:
- Na baliza, Quim e Moreira perderam a concorrência de Butt que assim libertou os cofres da Luz e rumou a custo zero ao Bayern de Munique. O espanhol Codina do Real Madrid é apontado como reforço, e a confirmar-se, este Benfica ganha novamente uma luta a três que me parece completamente desajustada.
- No sector defensivo, a boa nova da renovação de Léo é seguramente uma lufada de tranquilidade para o lado esquerdo, onde Sepsi e agora Jorge Ribeiro piscam o olho ao lugar, sendo ambos laterais modernos habituados a subir e a apoiar o ataque, tal como o “maradoninha” da Luz. Já no miolo, David Luiz parece ser o único nome que ganha consenso na hora de trancar a porta à sua saída, já que Luisão, Zoro e Edcarlos há muito que não enchem o olho aos adeptos, embora a sua continuidade seja, com o passar dos dias, quase um dado adquirido. O júnior Miguel Vítor pode ter também uma palavra a dizer. O lado direito parece ser até ao momento o mais frágil, tais foram os problemas (motivação, confiança, lesões, etc.) de Nélson na época transacta e Luís Filipe que é seguramente, a continuar, um dos elos mais fracos do plantel.
- Já no sector intermédio, a indefinição do modelo de jogo e dos jogadores para o interpretar tornam quase prematura uma análise. Partindo do princípio que ou Petit e/ou Katsouranis não continuarão na Luz, o miolo do terreno encarnado ganha especial curiosidade em ver como Quique conjugará a sua proclamada aposta em juventude nos vários nomes que tem para este espaço do terreno: Binya, Hassan Yebda, a aposta em Carlos Martins, Nuno Assis, os próprios júniores Miguel Rosa, Romeu Ribeiro e sobretudo as “estrelas” André Carvalhas e Fellype Bastos em quem os adeptos depositam grandes esperanças. Nas alas, Maxi Pereira aparece claramente como o jogador fantasma deste plantel, tal é a sua indefinição de posição e competências no terreno, ao passo que Di María e sobretudo Freddy Adu mostraram merecer uma aposta mais firme nas suas potencialidades, bem como Fábio Coentrão, que praticamente selou o seu regresso com a magnífica exibição coroada com dois belos tentos ao serviço do Nacional no estádio do Dragão. Javier Balboa (ex-Real Madrid) é de resto até ao momento, a grande aquisição deste Benfica 08/09 custando 4 milhões de euros, tendo a missão de agarrar com unhas e dentes o lado canhoto do ataque encarnado.
- Na frente de ataque, parece inevitável a saída de um ou mais elementos, sendo que Óscar Cardozo aparece certamente de pedra e cal no onze. No entanto, fazendo jus ao estilo de Quique Flores pelas equipas por onde passou, onde o ataque era sempre protagonizado por jogadores velozes e “perdidos” em campo, será interessante ver como conjugará no plantel nomes como Makukula, Mantorras ou mesmo Nuno Gomes.
De resto, a confirmação ou não de nomes que há muito andam na praça pública poderão certamente ditar guia de marcha para muitos dos nomes referidos anteriormente. Nomes como: Albelda, Andrézinho, Ayala, Buonanotte, Cavalieiri, Danilinho, Diego Cavalieri, Djebbour, Escudero, Golanski, Gouffran, Thiago Silva, Valdivia, Sinama-Pongolle, Sobis, Wilhelmsson, Urreta ou mesmo Soldado e ultimamente Saviola, são certamente alvo de discussão quanto ao seu valor e utilidade para um clube na situação e estado do Benfica.
No entanto, a confirmar-se o nome de Pablo Aimar, parece-me evidente que Quique Flores quer trazer a si nomes e atletas que bem conhece pois o sucesso no Benfica tem de ser, desde logo, algo imediato, tal é a ansiedade, a pobreza de emoções e títulos que se tem vivido pela Luz. Resta lembrar que para um bom plantel, deve haver soluções claras de onze e soluções com futuro no banco, que assegurem a estabilidade possível durante uma época que se espera sempre desgastante e rica em problemas.



