«Notáveis Azuis» – Aloísio Alves
Aloísio Pires Alves nasceu em Pelotas, Brasil, em Agosto de 1963. No Rio Grande do Sul, cumpriu a sua formação no maior e mais consagrado clube da região, o mítico Internacional de Porto Alegre. Com cerca de 20 anos, o brasileiro era já pedra importante na equipa, e para o comprovar está a chamada à Selecção do seu país para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Seul, prova em que ajudou a conquistar a medalha de prata. Desde então, o jovem defesa-central encantou os emissários espanhóis do Barcelona, que não mais o haviam de esquecer.
Cerca de dois anos volvidos, o Barcelona conseguia finalmente concretizar um sonho antigo. Aloísio entrava assim na Europa pela maior porta possível, e começava a carreira em Espanha da forma que sempre demonstrou abraçar qualquer projecto: com humildade e sobriedade. Depois de uma temporada de bom nível, Cruyff (com as suas manias) resolveu retirar o brasileiro da equipa, oferecendo de bandeja a sua posição a Ronald Koeman. Assim, e no final da temporada de 89/90, Artur Jorge trazia para o seu Porto um defesa-central de peso, um elemento que haveria de deixar uma enorme marca no clube, num período a todos os títulos memorável. Jogando inicialmente com Geraldão, Aloísio partilhou também o centro da defesa com Fernando Couto, José Carlos, Paulo Pereira e o inevitável Jorge Costa. Para quase todos eles, Aloísio foi como um mestre, concedendo-lhes ensinamentos e conceitos fundamentais para a sua afirmação. E o brasileiro era isso mesmo, um mestre, um guru, que com a calma que o caracterizava tinha uma capacidade única para passar a sua mensagem.
Foram 11 os anos de dragão ao peito, que se iniciaram com um inseguro contrato de empréstimo, e que terminaram com uma “religiosa” ligação única entre atleta, adeptos e direcção. E se a nível individual foi marcante, colectivamente a sua passagem coincidiu com um período igualmente brilhante para o reino do dragão. Dos 7 títulos de campeão nacional que conquistou (18 títulos no total), 5 deles foram consecutivos – o célebre penta-campeonato, de 1994/95 a 1998/99 – tendo aliás o brasileiro arrecadado o “título” de atleta mais utilizado em todos eles! Foram ao todo 149 partidas, mais 3 do que outro ícone azul, Ljubinko Drulovic. E se melhor forma haverá para demonstrar a sobriedade e desportivismo deste grande jogador, é interessante verificar como, na partida de consagração do “penta”, Aloísio foi o único a não ostentar a mão aberta (ver imagem). Em campo, Aloísio era um «zagueiro» que roçava a perfeição. Alto, forte, a sua inteligência permitia-lhe garantir um posicionamento sublime, algo que no confronto directo por diversas vezes lhe garantia recuperações sublimes, plenas de categoria. Nas alturas era imperial, e sem ser um jogador duro ou faltoso era quase sempre o elemento com maior número de recuperações no conjunto azul-e-branco. Ofensivamente deixou também a sua marca por diversas vezes, e é recordada com emoção a última temporada do penta-campeonato, na qual Aloísio alcançou vários golos numa equipa de sonho, com Deco, Zahovic, Capucho e Mário Jardel.
Em 2000, com 37 anos, e apesar de ter entre mãos algumas propostas para continuar a jogar, Aloísio encerrou a sua carreira como jogador profissional mantendo-se “agarrado” ao seu clube do coraçao num cargo técnico. E os títulos mantiveram-se: com Mourinho no leme, Aloísio foi um dos adjuntos que ajudou o clube a vencer vários títulos, entre eles a Taça UEFA e a Liga dos Campeões. Seguiu-se a aventura como técnico principal, algo em que certamente ouviremos o seu nome novamente. No entanto, uma coisa é pacífica para qualquer seguidor do futebol luso: dificilmente uma personalidade estrangeira pisará os relvados nacionais com a classe que Aloísio evidenciou.



