Memória: Gabriel Batistuta - Lenda Alviceleste

O jogador mais amado depois de Diego Maradona com a camisola das “pampas”, tinha como objectivo tornar-se jogador de basquetebol, desporto que praticou até os dezassete anos, altura em que decidiu deixar de encestar e assim tornar-se num perigo para qualquer baliza de futebol. Assim nasceu Gabriel Batistuta, um dos melhores avançados da história do desporto-rei. O argentino é o maior goleador da história da selecção alviceleste, com a incrível marca de 56 golos em 78 partidas.

São poucos os jogadores na história do Futebol que deixaram tanta tristeza por todo o Mundo quando anunciaram a sua retirada. Foi exactamente isso que senti no dia 14 de Março em 2005, quando Batistuta decidiu abandonar o futebol profissional. Se na verdade já contava com 36 anos e tinha passado os últimos 2 anos a jogar no Qatar, onde conciliava o dia a jogar golfe enriquecendo a sua reforma de luxo, Batigol como ficou conhecido, marcou um geração de amantes de futebol tal era o seu apetite pelos golos. Muito do seu futebol nasceu na Fiorentina, clube pelo qual ainda hoje nutro um especial carinho, tais foram as magníficas proezas e exibições que nos presenteava juntamente com Rui Costa nos tempos áureos do Calcio.

Gabriel Omar Batistuta, nascido em 1969 -o ano em que o homem foi à Lua - começou a sua carreira no Newell’s Old Boys, no final dos anos 80. Lá ganhou enorme destaque e foi vendido para o River Plate, onde foi campeão argentino e colocado no banco pelo treinador Daniel Passarela. O jovem avançado só conseguiu explodir quando se transferiu para o Boca Juniors. Apesar de não ter jogado muitos anos no topo da liga Argentina (1988-1991), jogou nos dois maiores clubes e, ao nível da selecção tornou-se o maior goleador de todos os tempos. Olhando para esta estatística, Batistuta afirmou que se admirava que fosse ele a conseguir este marco e que lhe dava vergonha de pensar que marcou o dobro dos golos de Diego Maradona, o maior ídolo do futebol argentino.

Em 1990, Batistuta fez 13 golos em 29 jogos. Tinha apenas 20 anos e já estava na boca do povo, que o queria ver na seleção argentina. Pedido atendido, o ponta de lança foi campeão e melhor marcador da Taça América de 1991, no Chile. Foi aí que a Fiorentina, potência emergente e sempre de olho nos talentos sul-americanos, desembolsou 2,5 milhões de dólares para contar com o seu futebol. Na temporada 1992/93, disputou 32 partidas e marcou 16 golos, nenhum deles de falta ou penalty. Apesar do grandioso desempenho pessoal, a Fiorentina não resistiu e caiu, para surpresa de todos, para a Série B. Era quase impensável que um jogador de tal calibre ficasse para disputar a segunda divisão. Mas o carácter de Batistuta era especial e único. Ele tinha uma responsabilidade para com o clube viola, que lhe abriu as portas da Europa. Com mais um grandioso desempenho, o argentino ajudou a Fiorentina a voltar à elite em 1994.
Batistuta, que pela seleção havia acrescentado ao currículo outra Copa América, em 1993, fez a sua estreia num Campeonato do Mundo com uma actuação brilhante: três golos na goleada de 4x 0 sobre a Grécia. Uma campanha promissora que foi interrompida pela Roménia nos oitavos-de-final, após o escândalo do doping de Diego Maradona. De volta à Fiorentina, na temporada 1994/95, o início foi arrasador: pelo menos um golo em cada um dos primeiros onze jogos, recorde na Itália. No final, melhor marcador com 26 bolas na rede.

Em 1995/96, o auge da sua história na Fiorentina. Terceiro lugar no Campeonato Italiano e o título da Taça da Itália, conquistado face à Atalanta com direito a golos de Batistuta nos dois jogos da decisão. Quatro meses depois, marcou duas vezes e a Fiorentina ganhou a Super Taça e desta vez a “vítima” seria o AC Milan. Batistuta não precisava mais de provar o seu amor pelo clube e pela cidade de Florença. A relação com os adeptos era especial, tais eram os golos que saíram em colecção, com uma impressionante regularidade. Com Batigol em campo, era questão de tempo até o grito de golo nas bancadas, e um deles entrou para a galeria de imagens imortais do futebol italiano: o golo de empate contra o Barcelona em pleno Camp Nou, na semifinal da Taça das Taças em Abril de 1997. Com o dedo em riste nos lábios, calou 100 mil adeptos blaugrana desfeiteando com classe e garra o nosso conhecido Vítor Baía.
O ano 2000 marcou o fim do ciclo, com direito a três golos e lágrimas na despedida. Com 168 golos em 269 jogos pela Série A, ao fim de 9 anos em Florença, Batigol havia batido o recorde do clube, estabelecido pelo sueco Kurt Hamrin nos anos 50. O seu significado para os adeptos ficou representado numa estátua de bronze, em tamanho natural. O destino seria a capital, onde a AS Roma pagou 33,8 milhões de dólares para ter Batistuta, que valeu cada centavo. Na temporada 2000/01, marcaria 20 golos em 28 jogos e comandando a turma romana à conquista de seu primeiro título nacional desde 1983. As contusões impediram que a história na Roma fosse mais longa, e na segunda temporada foram apenas seis golos. Em 2002/03, passou a segunda metade da temporada emprestado ao Inter de Milão e depois despediu-se do futebol italiano para se aventurar no Al Arabi, do Qatar, onde encerrou sua carreira.

Na Itália, Batistuta era muito mais que mais um jogador de futebol. Para além de espalhar classe e determinação no Calcio, com os seus 1,85m e 73 kg. Batigol era o símbolo do atleta perfeito, com capacidades inatas para um ponta de lança que aliava ao remate espontâneo e cheio de força, a frieza na hora de abordar a baliza contrária. Era exímio na marcação de livres directos e uma dor da cabeça para os defesas na hora de arrancar em direcção às redes contrárias. “El Batigol” tinha no seu reportório de jogadas o chuto potente e preciso como imagem de marca. O seu excelente posicionamento na área ajudava-o a decidir várias partidas como um autêntico momento de magia. Tinha igualmente a fama de sex symbol, tal era a admiração das mulheres pelo seu amor incondicional a Irina - sua esposa. A maior prova foi em 1996, quando marcou o golo decisivo na vitória por 2×1 sobre o AC Milan e disse para a câmara: “Amo-te Irina”. A sua fama com a camisola da Fiorentina foi tanta que Florença decretou 30 de Outubro como “o Dia de Batistuta”, uma homenagem ao artilheiro que tantas alegrias deu à cidade.

Os planos para o futuro passam definitivamente pelo futebol. Batistuta deve ser visto em breve como técnico de algum clube, provavelmente na Argentina. Felizes serão os seus avançados, que terão por perto o maior argentino, cuja presença em campo foi sempre garantia de bola nas redes e festa para os adeptos. Resultado: partilha uma admiração infinita, tanto por Roma e Florença, como em Buenos Aires e no resto do planeta.

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Best of de Batigol, com grandes momentos da estrela alviceleste

6 Comentários. »

  1. Realmente foi um grandioso jogador, deixa saudades. Ele e o Rui Costa eram as duas grandes figuras na Fiorentina daquela altura. Dava gosto ve-los jogarem juntos. Bom artigo.

  2. Danny, este foi certamente uma das memórias que maior prazer me deu a elaborar e estruturar, tal é a classe deste senhor. Batistuta parece-me ter sido “vítima” da emancipação exageradamente rápida da Fiorentina no futebol transalpino, pois o clube viola sempre apostou em grandes contratações e assim, grandes rombos financeiros. Os resultados nunca foram os esperados, mesmo com GRANDES nomes como Rui Costa e Edmundo etc. lado a lado com o Batigol, o clube de Florença nunca atingiu o sonho do campeonato. Um pouco à imagem de Rui Costa que só em Milão saboreou grandes troféus, entre os quais scudetto e a liga dos Campeões, Batistuta também se viu quase “forçado” a sair do seu clube de coração para ser herói em Roma.
    Gostava muito de o ver por exemplo em Inglaterra, num Arsenal de Wenger, tenho a certeza que marcaria a história do futebol Inglês, como marcou a dos anos 90.

    Obrigado pelo elogio e pela “fidelidade” ao nosso espaço, nós é que agradecemos os seus belos contributos e comentários.

    Um abraço

  3. Vi pelo youtube,um trecho de uma entrevista de Batistuta para a Hebe argentina Susana Gimenez,ao lado da esposa e dos 4 filhos .Que exemplo de carater e serenidade uma familia bonita e unida baseada em valores e amor .num esporte de massa onde todos que atingem notoriedade trocam aquela que esteve ao seu lado quando as vacas eram magras Bati como é chamado em seu país mantem-se fiel a a namoradinha da adolescencia com quem formou uma grandiosa familia ,ao inves de idolatrarmos a hipocrisia de Pelé, as sanices de Maradona e as trapalhadas de Ronaldo vamos nos mirar em um homem com valores e princípios que ninguém se incomoda ao contrário agradece de ser modelo para seu filho

  4. batituta que voce seja lembrado com carinho como diego maradona e que todos os argentinos lembre com amor e carinho.aqui no brasil tem muitos brasileiro que sao seu fam eu sou seu fan

  5. esse cara pra jogou muito nei um atacante do trasil amarou a chuteira dele pra mim e o maior atacante do mundo e os dos principais jogadores da argentina

  6. pra min batistuta so perde para romario e o segundo maior atacante que eu ja vi ate hoje.

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