Sobre o Autor

André Rocha é brasileiro e estudante de Jornalismo. É também dono do blog "Futebol & Arte" (http://blogs.abril.com.br/futebolearte), colaborador do jornalista Mauro Beting, escreve as colunas "Olho Tático" para o site "Papo de Bola" e "Papo Firme" no site "Futnet". Também comentou algumas partidas pela TV Esporte Interativo.

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Observatório: A “Primeira Etapa” do Campeonato Brasileiro

Nove jogos, quase 25% do total, todos disputados nos fins-de-semana, com equipes envolvidas em Copa do Brasil e Libertadores e praticamente sem baixas por negociações com o exterior. Pelas características, é possível classificar esse período como uma “primeira fase” do Brasileirão. E se ainda é cedo para fazer prognósticos dos times, principalmente pela abertura da janela de transferências da Europa, cabe, pelo menos, um balanço do que aconteceu até aqui na competição.

Quem melhor se aproveitou do tempo para treinamento e do desvio de foco dos adversários, sem dúvida, foi o Flamengo. Uma tabela favorável pelas circunstâncias (ainda venceu o Flu sem os titulares e o Sport ainda na “ressaca” do título da Copa do Brasil) permitiu que o time ganhasse moral, padrão de jogo e a liderança com alguma folga. O preparo físico está em dia e o treinador tem sabido trabalhar com o elenco recheado de opções, com destaques para os alas Léo Moura e Juan, Kléberson e Ibson, que permanece no clube. Mas é dever ficar alerta, já que nos jogos realmente difíceis (Grêmio e São Paulo), a equipe vacilou.
Ainda no pelotão de frente, Cruzeiro e Palmeiras confirmaram o favoritismo inicial. Porém, ainda pecam pela irregularidade e parecem não ter se recuperado totalmente do baque das eliminações prematuras nas competições que eram prioritárias no primeiro semestre, mesmo com as conquistas estaduais. Já Vitória e Grêmio começaram desacreditados e tiveram trajetórias opostas. A equipe gaúcha, comandada por Celso Roth, teve um início animador, com futebol competitivo e muita força em seus domínios. Mas a recente saída de Roger (ex-Benfica) para o Qatar, se não reposta com qualidade, deve puxar a equipe para a zona intermediária. E o time do técnico Vagner Mancini é a grande surpresa até agora. Após frequentar a zona do rebaixamento no início, a equipe desandou a vencer e, com os gols de Dinei - inclusive o mais rápido do campeonato, contra a Portuguesa na última rodada - e um time leve e ofensivo, chegou à zona da Libertadores.

Logo abaixo, o Náutico também começou bem, com boas atuações de Geraldo e os gols de Felipe. Mas depois da perda do mando em seu estádio, pela confusão do jogo contra o Botafogo, e com jogos fora contra equipes favoritas, dá para dizer que a equipe do técnico Leandro Machado caiu com naturalidade. O favorito São Paulo, que foi mal enquanto a cabeça estava na Libertadores - a eliminação para o Flu foi doída demais - e pareceu se recuperar com as goleadas sobre Atlético-MG e Flamengo, parece preguiçoso e por vezes dá a entender que pensa que chegará à liderança quando quiser. Tirando os gols de Borges e as boas defesas de Rogério Ceni, o atual campeão mostrou pouco até agora. Na zona intermediária, Atlético-PR e Figueirense começam a se aprumar após as mudanças no comando técnico. Roberto Fernandes mantém o Furacão forte em seus domínios e o Figueira, após a saída de Gallo e a passagem tão rápida quanto desastrosa de Macuglia, parece encontrar seu caminho com PC Gusmão, que rearrumou a equipe e liberou o bom Cleiton Xavier para encostar no ataque. Quem manteve o treinador e vem colhendo os frutos é a Lusa de Vágner Benazzi. Mesmo com o tropeço diante do Vitória, a equipe colecionou ótimos resultados e vem surpreendendo pelo ótimo desempenho defensivo após a chuva de gols na estréia contra o Figueirense. O problema é que o ataque depende demais de Diogo.

O Internacional dá sinais de recuperação com o trabalho de Tite e os retornos de Nilmar e Alex. É time para brigar na frente. Bota e Atlético-MG, apesar das oscilações, também parecem começar a assimilar o trabalho dos novos treinadores Geninho e Gallo. Quem também mudou, mas na presidência, foi o Vasco. A “Era Dinamite” parece promissora, mas o time tem sérias limitações e talvez Antonio Lopes não permaneça no cargo. É incógnita, assim como o Sport, com a vaga na Libertadores garantida pela conquista da Copa do Brasil. Ainda assim, é time fortíssimo na Ilha do Retiro e certamente será um “fiel da balança”. Um ponto abaixo, um Coritiba irregular e prejudicado pelas arbitragens luta com dificuldades para subir. A tabela e as atuações pouco convincentes também vêm atrapalhando demais o campeão paranaense.
Entre os últimos colocados, duas confirmações e duas surpresas. Goiás e Ipatinga já eram favoritos ao rebaixamento e, até agora, vêm confirmando a tendência. A equipe esmeraldina é a que mais dá sinais de uma possível reabilitação, agora sob o comando de Hélio dos Anjos e com reforços que melhoraram o nível técnico do time, como Iarley e Romerito. O time mineiro, rebaixado no Campeonato Estadual, até surpreende com boas atuações e pelo menos não deve fazer a campanha vergonhosa do América-RN na última edição. Mas a tendência é cair. O Santos de Cuca vem se acertando aos poucos, mas os resultados não aparecem pela fragilidade defensiva e a falta de gols. O atacante paraguaio Cuevas é bom reforço, mas é dever começar a vencer, ainda que na garra e na fibra, para não se complicar no final. E o Flu paga pela atenção total na Libertadores e a depressão pela perda do título. Se não houver uma debandada geral, improvável pelo forte patrocinador, deve chegar ao meio da tabela até o final do primeiro turno.

Em um campeonato ainda no início e com o maior equilíbrio de forças desde o início da fórmula de pontos corridos, a ordem é não se impressionar com a posição na tabela . Nem soberba, nem desespero. Trabalho e noção das reais possibilidades são a receita para um campeonato que ainda reserva muitas surpresas, mudanças de humores e de nomes, além de ótimos jogos.

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