EURO 2008 > A Queda dos Lusos

Depois de uma derrota que deixa qualquer português triste e frustrado, escrevo este artigo não para abordar directamente a partida em si, mas para destacar aquele que é um ciclo (finalmente) terminado. Foram 5 anos de um futebol “internacionalizado”, de um equipa gerida de forma muito discutível por um personagem detestável, e de um percurso que apenas um punhado de vitórias importantes fizeram questão de camuflar.

Chamem-me antiquado, mas sempre serei daqueles que rejeita em absoluto um seleccionador nacional que não seja português, ou um jogador estrangeiro a representar a nossa selecção. No meu ponto de vista, é estar a ir contra toda a essência de uma partida de futebol entre países, onde a vitória nunca deverá ser alcançada a qualquer custo, nem tão pouco o factor monetário deverá ser de algum modo relevante. Há casos e casos, seguramente, mas está claro que nem todas as naturalizações que actualmente vemos na praça pública consistem em “amor ao país que os abrigou”, diria que nem tão pouco metáde delas. E esta transformação das selecções nacionais em autênticas entidades próprias e independentes tira muita da emoção que em tempos nossos familiares tiveram ao assistir a jogos de Portugal. Como se isso não bastasse, durante a última meia-década assistimos a um técnico que “apenas” nos trouxe metodologias rígidas, revestidas de teimosia, ódios pessoais, histórias que para o futebol português quase roçaram a vandalização de alguns nomes queridos – veja-se o caso de Vítor Baía, que depois de anos e anos de amor à camisola, foi literalmente esquecido sem uma partida de despedida sequer. Imperdoável.

EURO 2008 > A Queda dos LusosDiz-se que Scolari mudou a nossa selecção, e criou uma equipa ganhadora. Será mesmo assim? Um treinador que assumidamente preferia ficar no conforto da sua casa a deslocar-se a estádios de futebol, que por diversas vezes assumiu que gostava de cá estar porque o trabalho era curto, que criou um núcleo duro e renegou literalmente o trabalho e evolução de alguns atletas, que acumulou exibições sofríveis nas fases de qualificação e que tacticamente nunca conseguiu tirar real proveito do lote de atletas de que dispunha. Será que actualmente, e com o conjunto de elementos que Portugal possui, não será exigível chegar à fase final e conseguir pôr a equipa a jogar um futebol aguerrido? Arrisco-me a dizer que sim, evidentemente – veja-se o que Humberto Coelho, sem experiência alguma como técnico de primeiro nível, conseguiu de uma forma quase comum, e com uma postura fantástica, plena de humildade e nacionalismo. Provavelmente, e se Scolari fosse um treinador com uma postura similar, estaria agora a despedir-se deixando saudade. Contudo, e independentemente de vitórias brilhantes contra Holanda, Inglaterra, entre outras, o seu percurso ficará para sempre ligado à teimosia que o fez vacilar nos momentos cruciais. Na partida de ontem, e assim como na final do Euro 2004, o “destaque” acaba por ser o mesmo de sempre: Ricardo, um medíocre jogador de futebol que por obra divina conseguiu manter-se como titular da selecção das quinas durante anos a fio. Ontem, e associado a uma apatia generalizada no sector defensivo, o guardião português tratou de facilitar a vida aos germânicos como se de um futebolista amador se tratasse. O último golo chega a ser quase anedótico, tal é o falhanço técnico na tentativa de defesa. Sem desculpa.

Ultimamente, temo-nos habituado a ver Portugal perder por demérito em fases finais, e não por total valia dos seus adversários. Foi assim contra a Grécia, hoje repetiu-se. Um Portugal que construiu, batalhou, falhou também mais do que devia na altura de finalizar, mas que nas alturas cruciais deitou tudo a perder, relegando os seus níveis emocionais para patamares cada vez mais reduzidos. Com tantas falhas, tantos erros, não há equipa que resista, e depois de uma semana onde a Alemanha foi debatida ao pormenor, parece impossível sofrer 2 tentos quase a papel químico, em livres batidos de frente para os defensores, e onde a predominância aérea deveria ser evidente. São demasiados falhanços, muito pouco trabalho de véspera, e uma excessiva confiança de que o aspecto “motivacional” será decisivo, aquilo em que Scolari era visto como um génio pelos tenros media nacionais. Pois bem, isso não chega para fazer um grande treinador.

Para o pós-Scolari: temos futebol, temos equipa, temos individualidades, temos coração. E isso será uma realidade futura, independentemente do nome que esteja a ocupar o cargo de seleccionador. Sentir-me-ei bem mais satisfeito se, ao invés de ver uma cara famosa (e endinheirada) no comando técnico de Portugal, seja um português a ocupar um cargo que só a ele diz respeito. E aí sim, poderemos recomeçar do zero, e não será uma utopia almejar voos tão ou mais altos quanto este. Parabéns Portugal.

Sugestões...

17 Responses

  1. Ruben Gouveia diz:

    Sem duvida um excelente comentário, muitos parabéns pela forma espectacular que nos deleita com os seus artigos. Concordo plenamente com o facto de haver demasiados jogadores “estrangeiros” nas selecções já parece um mercado de transferências para as grandes competições Mundial e Euro.
    Sem tirar mérito ao Deco e ao Pepe, pois para mim foram dos melhores no Euro e suaram mais a camisola que muitos portugueses de gema.

    Em relação ao jogo de ontem, mais uma vez perdemos por erros infantis e salta rapidamente à vista um culpado, Ricardo de seu nome, mas para mim a culpa maior até nem é dele é do Scolari porque o Ricardo só la ta a titular porque alguém o põe.
    Há males que vêem por bem, se calhar aplica-se à lesão sofrida pelo Quim (injustiça da pior que pode haver) pois assim talvez os que querem esconder o péssimo Guarda-Redes que o Ricardo é, vejam afinal o elo mais fraco do Portugal 2003-2008 Scolari.

    Mais uma vez fomos eliminados e ficamos sempre com a sensação que tínhamos equipa para mais, será que tínhamos mesmo ?!?!?

    Cumprimentos.

  2. Dannymad diz:

    Eu julgo que tínhamos mesmo equipa para mais. Julgo que precisavamos dum lateral esquerdo de raiz (Caneira deveria ter sido convocado,havendo falta de melhor, ainda por cima pode fazer todas as funções na defesa. Viu-se claramente que o Paulo Ferreira pode fazer o lugar pra “desenrascar”, mas num embate a sério…foi o que se viu), um guarda redes ao nivel do Vitor Baia, que julgo neste momento não existir e um ponta de lança matador, pois não percebo como podemos formar dos melhores extremos do mundo, mas no que toca a homens pra complementar o trabalho dos mesmos somos zerinho. A federação deveria ter isso em conta e buscar remediar essa situação. Se formamos Cristianos ROnaldos, também julgo que podemos formar estrelas de nivel mundial em todas as posições.
    Quanto a naturalizados, desde que não sejam de qualidade inferior ao Deco e Pepe, julgo que são sempre bem-vindos, e trazem mais competitividade à selecção. Assim pode ser que deixem de ter peneiras de vedeta, como o Cristiano Ronaldo. Nota-se a diferença do CR no Manchester e o da Selecção. O da selecção pega na bola e raramente o larga, o do Manchester joga mais para a equipa. Se tivessemos o CR do Manchester ontem, provavelmente se aquela bola que ele remata de angulo dificil que passa a centimetros da baliza de Lehmann, o tivesse passado, julgo que ao Nuno Gomes que tava desmarcadissimo, poderiamos ainda estar em competição. Ele pode ser o melhor do mundo, mas a jogar a pensar só em gloria pessoal não vai longe. Fica os parabens ao Deco, Pepe, Bosingwa, Moutinho e Nani que na minha opinião tiveram excelentes.

  3. Paulo diz:

    Não posso concordar com o teor deste comentário, essencialmente o seu início, que revela uma opinião que muita gente tem e que tem agora a oportunidade de vir de novo anunciar ao mundo. Sei que tem esta opinião desde o início, não a criou agora após a eliminação, mas este clima à volta de Scolari não é justo, na minha opinião, e revela que muita gente tem muitas espinhas encravadas, que agora desceram…

    Desde o início que se fez uma grande campanha contra Scolari, quer por motivos relacionados com a sua nacionalidade (e ainda por cima brasileiro, que crime!… Em Portugal já estamos fartos de brasileiros, obviamente…), quer pelo facto de a sua teimosia ir no sentido contrário áquilo que muita gente queria, pelo facto de Scolari ter vindo questionar a hegenmonia que certas pessoas, e nomeadamente o FCPorto, tinham no futebol. Em termos desportivos, essa hegemonia continua, e é mereceida, mas neste caso nunca caiu bem que certas pessoas fossem questionadas, desafiadas, contraridas. Não estavam habituados. E depois é fácil vir arranjar as mais variadas teorias que justificam a incompetência de Scolari. Os comunistas também comiam criancinhas e o Iraque também tinha bombas de destruição maciça. O que interessou sempre foi arranjar um motivo para falar mal do homem. Muitos comentadores desportivos e jornalistas esfregaram as mãos agora. Ficaram desiludidos pela eliminação, mas estão mais que contentes por finalmente terem motivos para vir destilar todo o seu “ódio” em relação a Scolari, e agora que ele se vai embora, ainda melhor, claro. Finalmente!

    É certo que esta paricipação foi fraca. Para mim é claro. E fomos eliminados num jogo em que fomos inferiores em termos de concentração e competitividade (e em que fomos surpreendiso no início e talvez estivéssemos um pouco confiantes demais). Mas Scolari trouxe resultados. Contra isso, não há argumento possível. Não vencemos nada, é certo. Mas consistentemente tivémos boas participações e hoje Portugal tem uma selecção de futebol respeitada.

    Quanto à questão dos naturalizados… Nem sei por onde pegar. Confesso que no início também me fez um pouco de confusão. Mas depois pensei: A paritr do momento em que têm nacionalidade portuguesa e podem ser chamados, porque não? E, como Scolari disse, o Peit também nasceu em França, o Bosingwa no Congo e o Crsitiano Ronaldo na Madeira :) ! E o termo “luso-brasileiro” tem duas conotações para mim: por um lado revela que as pessoas não querem usar o termo português para os descrever, ressalvando sempre que não são tão portugueses como os outros; por outro é utilizado quando convém para dizer “este é um dos nossos!”… E em Portugal temos a mania de criticar o que aqui se passa e glorificar o que s passa no exterior. Sempre ouvi elogios à cultura de integração da Holanda, da liberdade e abertura da sua sociedade.É muito “exótico”, “civilizado”, “desenvolvido”, “progressista” e “descomplexado” ver aquela selecção e país cheio de origens diferentes. Mas quando chega a Portugal… É como em muitos ramos do mundo do trabalho. Se fôr um português a ter uma ideia de ruptura, de revolta com o que está estabelecido é mandado abaixo, se fôr um estrangeiro é glorificado, bajulado e anos depois, imitado por estes lados, já com atraso…

    O meu comentário é longo porque não posso deixar de reagir a outro que penso ir de encontro a muitos pontos que me revoltam e têm revoltado cada vez mais em relação à forma como em Portugal analisamos as questões, e particularmente, a nossa crónica desconfiança em relação ao progresso e rejeição, por vezes hipócrita e complexada, de mudanças. Sei que posso estar a extrapolar demasiado para outros campos e se estiver a ser injusto para quem escreveu o comentário peço desculpa. Mas este comentário indirectamente toca pontos muitos profundos que têm a ver com a nossa mentalidade. Scolari sempre teve de lutar contra alguma (muita) mesquinhez e teve de aturar pessoas que queriam o seu insucesso para vir dizer “I told you so”…

  4. Paulo diz:

    Já escrevi muito, mas o meu primeiro comentário está mais relacionado com a questão “ideológica” e com as minhas divergências em relação a algum do conteúdo do post….

    Este segundo vai no sentido das concordâncias.

    Scolari cometeu erros, obviamente. Se, em termos de capacidade mental e de incutir capacidade de superação nos jogadores, fez um bom trabalho, já em relação à vertente técnica e às escolhas… Sei que agora é muito mais fácil vir dizer isso, mas mesmo assim há uma escolha que toda a gente viu que daria errada:

    Ricardo

    Concordo plenamente nesse aspecto com o que é dito neste comentário. Ricardo nunc foi um guarda-redes de qualidade fantástica, nunca ofi o melhor guarda-redes nacional, nunca demonstrou segurança. Ainda nos tempos do Boavista voava muito, mas era falível, nos tempos do Sporting voava muito mas falível era, na selecção continuou a voar e a fazer belas defesas para a fotografia, mas continuou a não aprender a sari a um cruzamento (os adeptos do Sporting deviam era queixar-se e irar-se com isso, não da possível falta do Luisão…) e continuou com falhas de concentração ridíulas. Esta é a minha descrição para Ricardo, em grande parte. Viveu num mundo de ridículas intervenções e de desculpas esfarrapadas e insistentes para essas intervenções, e sempre foi protegido e apadrinhado, mesmo estando á vista de todos (ou de muitos) que a sua incompetência reinava… Sei que também fez coisas boas, teve bons momentos e sei que as palavras que estou a usar são fortes.

    Mas o grande erro de Scolari foi insistir nele. Sei que uma vez definido que confiava nele, tinha de confiar até ao fim (não penso que seja teimosia – e não me venham com a história do Vítor Baía, pois essa insistência foi uma das tais “criancinhas dos comunitas” que era atirada para os olhos dos portugueses, a ver se criava uma onda de antipatia generalizada… -, mas sim o facto de ter essa vertente de confiança pessoal nele. Injustificadíssima, obviamente). E pagámos caro por isso. Quer na final de 2004, quer agora (se bem que neste jogo no primeiro golo haja total responsabilidade de Paulo Ferreira, que é ultrapassado e estava “a dormir”).

    Nesse aspecto concordo com o que foi dito, de facto. Uma escolha parva, no mínimo…

  5. Paulo diz:

    PS – A saída de Scolari e a altura em que foi anunciada só confirmam e intensificam e falta de consideração que tenho pelo Chelsea e pleos seus todos-poderosos Roman Ambramovich e Peter Kenyon. O Chelsea, esse clube sem adeptos, sem história, sem carisma representa muito do que vai mal no futebl hoje em dia. Os seus “chefes” demonstraram com este anúncio uma total falta de consideração por tudo ue não fosse o seu próprio umbigo (normal vindo de quem vem e do país que vem, visto que em Inglaterra ainda devem ter umas quantas questões mal digeridas, como o facto de terem sido sempre eliminados por este homem e por uma selecção que não é “grande”, pelo menos tradicionalmente tão grande como eles. E se Scolari “os” bateu é poque deve ser mesmo bom, claro…).

    O futebol não é só dinheiro, não é só negócio, não é só empresa e só “maquinização” sem escrúpulos, por muito que por West London assim o queiram. Estou num dilema. quero que Scolari seja bem sucedido, mas quero que o Chelsea – e Abramovich – perca sempre, mas sempre, porque para fazer um grande clube não chega uma vaga de investimento e uma euforia momentânea e efémera de adeptos “comprados” pelo glamour dos grandes nomes do plantel.

    Que Scolari tenha sucesso, mas fora do Chelsea, que a cada dia que passa confirma que é um clube normal com uma dosa anormal de dinheiro e mediatismo para a sua verdadeira dimensão de “alma”…

    Desculpem a hegemonia do tempo de antena… Cumprimentos a todos.

  6. Rui Zamith diz:

    Caro Paulo,

    Compreendo o que queres dizer com a tal mesquinhez à portuguesa, mas posso-te garantir que não foi com esse sentido que escrevi este artigo – até porque de português “só” tenho a nacionalidade – nem tão pouco todas as críticas que dirigi ao nosso seleccionador durante todo o seu percurso (aliás, sofri e muito com esta última partida, e seria incapaz de querer a derrota do meu país independentemente de estar totalmente contra um treinador, jogador, etc.). Fiz aliás questão de salientar que neste momento, português ou não, um treinador com perfil, classe, desportivismo, integridade, estaria agora a deixar saudades a todos nós. Sinceramente, Scolari não assenta em nenhuma dessas categorias..

    O futebol há-se sempre ser “futebol” para mim, e nunca uma indústria, ou um negócio. E nesse sentido, aqueles que deixam marca serão sempre os que associam grandes qualidades desportivas a ainda maiores qualidades humanas. É nesse sentido que nunca gostei nem nunca gostarei de Scolari. Acredito que com os seus “meninos” seja uma pessoa diferente, mas a imagem que passa para o exterior é simplesmente detestável. Será que alguém tem opinião contrária?

    A questão dos naturalizados não tem sequer discussão, pois ou se concorda ou não. Estar a meter no mesmo “saco” o Pepe e o Bosingwa é perfeitamente ridículo. Pode concordar-se com a convocação dos atletas brasileiros, mas por favor não me digam que um brasileiro (ou cidadão de qualquer outra nacionalidade) sente Portugal com 3 ou 4 anos de país. Em oposição, o Petit ou o Bosingwa têm uma ligação absoluta com o nosso país, da mesma forma que os PALOP estão intimamente relacionados com Portugal, por exemplo. O Brasil não é minimamente comparável.

    Estou sinceramente curioso para ver o trabalho desenvolvido por Scolari no Chelsea. E aí sim, admito, será cómico ver algumas das suas manias e teimosias resultarem desastrosamente. Mas quem sabe até estou enganado…

    Cumprimentos.

  7. Paulo diz:

    Continuo a discrodar da tua visão em relação ao Scolari. Aceito que em termos de competência técnica não é, certamente, um ás. E que o episódio com o Dragutinovic foi perfeitamente absurdo e deveria ter sido despedido nessa altura, pois aquilo foi e é inadmissível.

    Mas não sinto que a imagem que ele passa cá para fora seja assim tão detestável. Repito, em termos de competência técnica há muito a apontar, penso, mas em termos de relacionamento com o exterior, pouco, para além daquele episódio. Pelo mennos na minha maneira de interpretar a forma como ele comunicou ao longo destes anos.

    E também acho que terá muito menos possibilidades de sucesso no Chelsea, por não ter perfil para treinar esse clube, por não ter perfil e personalidade para se adaptar à imprensa inglesa e à mentaldiade inglesa como se adaptou a Portugal. Estou curioso, sim, mas os resultados são facilmente previsíeis, acho.

    Voltando à história dos naturalizados, não acho que seja assim tão ridículo pôr Pepe e Bosignwa no mesmo saco. Também já pensei assim em relação à forma como os jogadores “sentem a selecção e o país”. Aceito que não há a mesma proximidadade. Mas, se em termos legais são também portugueses, são portugueses para ir à selcção também. É só o que digo Sentimentos à parte, em termos formais, legais ou objectivos, é tão legítimo uns irem como outros. Daí que, mesmo sentindo eu também essa questão da identificação nacional (mas acho que o Pepe, por exemplo ainda se esforça por demonstrar que está empenhado a mudar essa imagem, ao contrário do Deco, a quem não vejo grande “entusiasmo”) acho que não se deveria fazer tanta polémica à volta disso. Se são, em termos “burocráticos” portugueses, não há que pôr em causa a sua possível chamada, pois estão iguais aos outros.

    Cumprimentos, compartilhando a mesma curiosidade em relação ao futuro de Scolari por terras de sua majestade, onde a pressão é maior, a tolerância em relação a atitudes menos correctas é maior, onde a margem de manobra para sentimentalismos é menor. Mas vamos ver.

  8. Gustavo Devesas diz:

    Pessoalmente partilho da mesma opinião que o meu colega e amigo Rui.
    Parece-me mais que evidente que Scolari é o exemplo do que NÃO deve ser um seleccionador. É tudo menos um ganhador e comprovar estão os 5 anos à frente de uma das melhores e maiores “fornadas” de talentos lusos onde cometeu e acumulou erros atrás de erros, de forma sucessiva e completamente desajustada.
    É incrível como Portugal faz 3 competições (Euro 2004, Mundial 2006 e agora o Euro 2008) com um guarda redes como Ricardo na baliza. Sempre fui um crítico em relação ao agora guardião do banco do suplentes do Bétis, que desde o Boavista sempre se mostrou como um dos guarda-redes bem medianos do nosso futebol… Deixar Vitor Baia por Ricardo, não lembra nem ao diabo e Portugal pagou bem CARO essa idiotice de Scolari, perdemos o Euro 2004 em pleno estádio da Luz, em PORTUGAL. Uma situação que por si só seria mais que suficiente para mandar Scolari embora, mas Madail e Cia preferiram navegar por contratos milionários para manter o D. Sebastião da selecção Portuguesa.
    Sempre fui um acesso crítico pela forma como Scolari abordava cada tema da selecção e cada Português… sempre recorrendo à resposta rude e sem qualquer fundamento, foi em Cascais no conforto da sua casa que acompanhou os vários jogos dos atletas lusos. Uma atitude perfeitamente intolerável que me parece de péssimo profissional e que me faz antever um falhanço enorme na sua contratação pelo Chelsea.
    Não esquecamos que um seleccionador é um papel bem distinto de um treinador que “apenas” tem condicionamentos económicos e temporais para estruturar um plantel para uma série de competições internas e externas. Um seleccionador tem à sua disposição um ENORME leque de jogadores, sem orçamentos e sem limites para um determinado evento que se disputa de 2 em 2 anos. Só por isso, penso desde logo que Scolari é um fracasso e que ao deixar Portugal, nos liberta de uma pobreza de argumentos e opiniões que só podem deixar qualquer Português satisfeito.
    Venha quem vier, com a estrutura da FPF que temos e com Madail sempre a dar as cartas, receio que continuemos a morrer na praia que gerações douradas como esta se voltem a perder por “erros de casting” alheios.

  9. Rui Zamith diz:

    Sou obrigado a dar os meus parabéns à intervenção do Gustavo, que conseguiu num texto mais curto expressar de uma forma ainda mais clara aquilo que Scolari (não) trouxe ao futebol português, e ao futebol da nossa selecção.

    Foram tantos os casos, tantas as discórdias que Scolari fez questão de explorar, que sinceramente me choca a vénia e os paninhos quentes que a imprensa nacional faz ao agora ex-seleccionador. Alguém se recorda da chocante chamada de Bruno Vale? Da primeira jornada do Euro 2004, e do que teria sido o restante da competição se não fosse o Porto de Mourinho? O seleccionador só foi capaz de renovar a selecção quando Rui Costa, Pauleta e Figo se afastaram definitivamente, senão teria sido o mesmo lote de jogadores a jogar por Portugal, anos e anos a fio. Repare-se como o “amado” Costinha foi alguns anos mais tarde afastado por Scolari, sem nenhuma justificação. Maniche idem aspas. Depois de uma temporada memorável, Quaresma foi arredado do Mundial 2006; por oposição, foi convocado para o agora Euro 2008, apesar de ter tido uma época claramente inferior qualitativamente. Vítor Baía terá sido o episódio mais chocante, imperdoável e injustificado do futebol português dos últimos 20 anos.

    Se tecnicamente foi miserável, tacticamente não demonstrou nenhuma valia para além de manter esquemas de seus antecessores, ou rotinas que os seus jogadores traziam dos clubes. Para terminar, a integridade e correcção que nunca demonstrou ter, falando de cima para baixo sempre que lhe era possível. Marcou uma era, certamente, mas pela negativa. Vai agora para o Chelsea, com os bolsos bem cheios.

  10. Mario diz:

    O scolari nao tem perfil de selecionador mas ja foi campeao do mundo. Primeiro ponto… A selecção portuguesa é uma grande selecção mas… não esta ao nivel de muitas outras. É muito desequilibrada, faltam-lhe esquerdinos, um guarda redes de confiança, um avançado consiste e com classe. O que Scolari consegiu é merito e n demerito. Lembro que qdo ele foi campeao do mundo pelo Brasil toda a gente elogiou a sua capacidade tactica qdo recorreu a um sistema diferente e algo arriscado, conseguindo por todas as estrelas a jogar juntas. Lembro tambem que o Brasil é um país PALOP e que a Rep do Congo nao é. A selecção representa o futebol do pais, nao o pais em si. No caso de Deco e Pepe, praticamente desde que sao profissionais de futebol jogaram sempre em portugal. Chegaram a Portugal com a mesma idade que Eusebio chegou. lembro me de ler neste blog elogios a selecção de raguebi, ao obikewlu etc, tendo a selecçao de raguebi 7 ou 8 argentinos. So no futebol e que ha problemas.
    eu gosto muito do baia e creio que era o melhor mas ja chega. n sabia que ainda havia tanta azia por causa disso. Mas tb antes de scolari chegar toda a gente criticava o excesso de peso que tinham alguns jogadores no balneario.
    Scolari marcou pela negativa uma era… essa é boa… saiu e deixou Portugal no top 10 das selecçoes.
    o chelsea a selecçao de inglaterra e todos os que quiseram contratar scolari nestes anos todos n percebem nada de futebol, so os velhos do restelo daqui e que percebem.
    os caes ladram e a caravana passa, que como quem diz: os velhos do restelo continuam com as maos nos bolsos a criticarem tudo e as caravelas seguem para o brasil, para o oriente… para fazerem historia. ou nos continuamos por ca e ele vai para chelsea.
    e so a minha opiniao, posso n perceber nada de futebol, nao escrevo sobre o assunto em nenhum site ou blog… posso estar equivocado.
    o scolari tem os seus defeitos e n foi perfeito mas dizer que fez um mal trabalho e tapar o sol com estupidez.

  11. Bruno Nascimento diz:

    Em primeiro lugar há que referir o voyerismo que as televisões portuguesas efectuaram no euro em que até a descolagem do aviao da selecção foi emitida em directo. depois foram as esposas dos jogadores que sem nada fazerem na vida para ganharem a fama posaram nos tablóides e tornaram-se elas também em super estrelas. O histerismo exagerado em torno da selecção, a meu ver colaborou para a fraca prestação nos relvados. Se juntarmos esse facto há ridicula chamada de 3 defesas direitos, a titularidade do mansinho joao moutinho em detrimento do homem decisivo que é maniche, o ego vedetista de c.ronaldo que com o seu individualismo prejudicou o colectivo, Nani em grande forma no banco e o inconsequente simão a jogar etc etc..a lista é infindável. E porque scolari apenas ter emitido a noticia da transferencia para o chelsea a meio do euro?? por amor de deus, a meio nunca, ou no inicio ou entao no fim…

  12. Bruno Nascimento diz:

    Scolari nao tem culpas no cartorio exceptuando o timing da divulgação da saida, e alguns erros de casting na convocatória, de resto esteve bem de acordo com os jogadores disponiveis, é um homem de caracter forte e que sabe de futebol, se fosse portugues secalhar nao seria tao criticado. A sua psicologia e capacidade de granjear elevados indicies animicos de motivação é exemplar, mas com os egos dos nossos pseudo craques meninos de passerele, era impossivel fazer melhor, afinal de contas quem jogou foram eles e nao scolari, Quaresma, veloso, simao, c.ronaldo etc tem muito talento mas infelizmente demasiada ambição e necessidade da luz dos holofotes da fama

  13. Rui Zamith diz:

    Caros Mario e Bruno,

    O alcance do meu artigo foi um pouco para além do futebol jogado dentro das 4 linhas, mas incorporou também aquilo que de mais um seleccionador nacional deverá ter em atenção. Se jogou A ou B, se o esquema táctico foi X ou Y, é uma discussão que pode e deve ser feita, mas não foi essa a génese deste artigo.

    O que realmente me choca é a forma displicente como a passagem do Scolari foi vista pela maioria dos portugueses, em que o que importa apenas são os resultados, o ranking de selecções e… pouco ou nada mais. Pois bem, sinceramente não me passa pela cabeça que se industrialize de tal forma um desporto de modo que pouco mais importe para além dos resultados. Scolari não trouxe rigorosamente nada ao futebol português a nível de planeamento, selecções jovens, timing de lançamento de jovens atletas (pelo contrário, privilegiou os veteraníssimos até estes se retirarem, e ainda foi capaz de fazer certas convocatórias em tom de “bicada” para certos clubes). Em adição, trouxe uma forma de estar que ainda hoje me custa de engolir. Diga-se que o homem tem sucesso, tem um curriculum invejável, etc, etc, mas só recordarei com nostalgia as personalidades que conseguem ser bons profissionais, e essencialmente bons desportistas, adoptando o fair play e tendo uma atitude digna para todos os que o rodeiam.

    São temas de fundo, que para a maioria dos adeptos de futebol em Portugal não são de mínimo interesse. Aliás, bastará consultar um website de um qualquer jornal desportivo online, para entender o tipo de interesses e ideias a ocupar os amantes do desporto rei do nosso país.

    Abraço

  14. Mario diz:

    O unico comportamento reprovavel que se pode apontar a scolari foi o caso do soco, que foi gravissimo. Foi a unica situaçao onde mostrou falta de fair play.
    quais os selecionadores nacionais, a nao ser o carlos queiroz, talvez, que planearam as selecçoes jovens? Lembro me de ver muitos jogos das selecçoes mais jovens que scolari assistiu no estadio, nao em cascais. O unico caso em que previligiou os veteranos foi no primeiro jogo do euro em portugal, mas ate aí… ele nao convocou o baia, metendo um jogador mais jovem… depois deve ter sido dos selecionadores que mais jogadores estreou na selecçao (meireles, moutinho, rui patricio, antunes, da costa, veloso, makukula, deco, pepe, bruno vale, jorge ribeiro, hugo almeida, nani, bruno alves, etc). quanto a sua forma de estar, e discutivel, tal como e a do mourinho por exemplo. O “povo” em geral gosta dele. n deve ser por acaso…

  15. Rui Zamith diz:

    “Lembro me de ver muitos jogos das selecçoes mais jovens que scolari assistiu no estadio, nao em cascais.”

    Desculpa perguntar, mas és amigo pessoal do homem? Podes defender o Scolari em muitas coisas, mas dizer que ía ver jogos ao estádio? Ele próprio admitiu que não o fazia, em mais uma brilhante declaração. E o trabalho de formação não se faz a ir ver partidas ao estádio, mas sim com muito trabalho de bastidores. Pelo contrário, deveria isso sim ter colocado os pés em estádios como o Dragão, Luz, etc, para analisar o potencial de algumas possíveis escolhas da equipa A.

    E se a maioria do “povo” gostou do seu percurso, será porque basicamente estão no patamar que referi no comentário anterior: o patamar da vitória a qualquer custo (mesmo que o onze inicial seja inteiramente constituído por brasileiros, que se cante o hino nacional do Brasil, e que o equipamento seja amarelo e azul – e quem diz Brasil, diz outro país qualquer…) Enfim.

  16. Mario diz:

    Via na tv, mas pronto com tu tb n respondeste a nenhuma das minhas questoes. portanto eu sou teimoso por defender scolari. e tu? foi so por ganhar que o povo gostou dele n foi? isso de a tudo o custo quer dizer o quê? infringiu regras, foi desrespeituoso com os adversarios? portugal fazia jogo sujo? define esse a todo custo? que trabalho de bastidores fizeram os outros treinadores da selecção? es amigo pessoal do scolari ou membro de fpf para saber se ele fez ou n esse trabalho?
    mostra os teus argumentos, o porquê? o que é isso de a todo o custo?

  17. Anónimo diz:

    Mário,

    “Lembro tambem que o Brasil é um país PALOP e que a Rep do Congo nao é.”

    PALOP= Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa

    O Brasil fica na América. Santa ignorância!

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