Observatório: “Alvo a Abater IV” – Alemanha

19 de Junho de 2008 – a data que actualmente vai na cabeça de todos os portugueses. Às 19.45, Portugal e Alemanha vão defrontar-se, e os sentimentos serão definitivamente distintos de parte a parte. Do lado Português, será de todo impossível não recordar a ingrata partida da 3º/4º lugar do Mundial de 2006 – prova organizado pelos germânicos – em que Portugal acabou por sair de uma forma triste depois de um percurso maravilhoso.

Desta feita, este histórico confronto não poderia ser distinto. Emotivo e decisivo, poderá colocar uma das equipas numas apetecíveis meias-finas de um Europeu. O actual estado dos germânicos revela-nos alguma inconstância e insegurança. Depois de uma entrada convincente frente à Polónia, os confrontos com Croácia e Áustria trouxeram ao terreno uma equipa modificada. O meio campo parece adormecido durante largos momentos da partida e dependente do rasgo individual de alguns elementos, nomeadamente Ballack na construção e Podolski na finalização. A derrota frente a croatas terá sido um forte golpe nos níveis mentais da equipa, e nesse contexto o lance de Gomez na terceira partida será talvez o exemplo mais evidente de uma equipa que não está claramente na sua maior força. Para jogadores, adeptos ou imprensa, existe uma enorme incerteza no futuro imediato de uma equipa que em 2006 se encontrava ainda em renovação, mas que actualmente parece novamente uma turma de certo modo envelhecida e desequilibrada – basta ver que o pêndulo da equipa é o veteraníssimo Ballack.

Observatório: Alvo a Abater IV   AlemanhaDo lado português, vive-se também alguma incerteza, e de certo modo compreensível. As abruptas alterações promovidas por Scolari na partida frente aos anfitriões acabou por resultar naquilo que já se imaginaria – uma equipa desgarrada, sem ligação e com a falta de experiência de alguns elementos, algo que resultou numa “copiosa” derrota. É certo que o primeiro tempo poderia ter levado a outro desfecho, mas a “intervenção” proteccionista da UEFA perante um dos seus organizadores parecia ser uma forte possibilidade, e só uma equipa distraída deixou escapar essa evidência. Sou daqueles que julga que numa prova desta natureza não há lugar a poupanças, sob pena de destabilizar mentalmente o grupo numa competição curtíssima. Depois deste fracasso, caberá ao “Sargentão” recolocar as tropas no sentido certo.

Numa partida que será certamente jogada a alto ritmo, será fundamental que a dupla Ricardo Carvalho – Pepe mantenha a consistência habitual, notável na capacidade para ganhar em antecipação e dominar o jogo aéreo. A consistência táctica será definitivamente decisiva nesta partida, frente a uma equipa fria, forte fisicamente, e com boa ocupação de espaços – apesar das evidentes dificuldades que têm acompanhado a equipa. As laterais, com natural predominância para Bosingwa, serão igualmente fundamentais para a estratégia portuguesa (curiosamente, na formação alemã é igualmente um lateral, Lahm, um dos elementos mais esclarecidos e desequilibradores). Efectivamente, e frente à formação do centro da Europa, nada melhor do que tirar partido das poderosas e ofensivas alas nacionais. Na falta de um pivot ofensivo de renome, restará igualmente a Ronaldo e Cia alargar o perímetro de ocupação para zonas centrais do ataque, onde irá encontrar dois defensores pouco rápidos e duros de rins. Deco merece igualmente um forte destaque, por tudo aquilo que vem protagonizando neste final de temporada. São poucas as equipas que neste Europeu se podem gabar de contar com um número 10 com a magia que Deco transporta, e isso acaba por trazer fortes qualidades ao jogo luso – capacidade de transição, passe longo e de rotura, melhor gestão da posse de bola.

Independentemente das várias leituras possíveis, bem possível será que nesta próxima quinta assistamos a uma enorme partida de futebol, à imagem do que este Euro 2008 nos vem habituando, com espectáculo, emoção e muitos golos. Por agora, bastará acreditar que Portugal pode manter um percurso ganhador na prova, e que frente a Alemanha se repita (em qualidade, e em resultado final) o famoso Alemanha x Portugal de 1985, em que Carlos Manuel com um magnífico golo qualificou a nossa Selecção para o Mundial do ano seguinte.





1 Comentário

  1. Pedro diz:

    A receita para batermos a Mannschaft é explorar os flancos onde os laterais não parecem ter muitas rotinas, usufruindo da velocidade do Simão e do Cristiano Ronaldo.Outro ponto fraco são os centrais, Metzelder e Mertezacker que são ‘duros de rins’.Portugal até poderia apostar num 4×4x2 de forma a aproveitar a velocidade do Cristiano, já que Nuno Gomes rende melhor como segundo avançado.

    Força Portugal

    Cumprimentos

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