“Alvo a Abater III” – Suíça

Apontada como outsider do grupo A, a Suíça será o terceiro e último adversário de Portugal na fase de grupos do Euro2008. Uma selecção que, embora sem grandes nomes na montra internacional, tem em Jakob Kühn um treinador esclarecido e que sabe com o que conta – uma equipa esforçada e aplicada, mas sem grande génio – que privada de Frei e Müller, tem no factor casa um dos raros pontos fortes.

Consumada a 1ª jornada do Grupo A, eis que a Suíça revela que só não é uma incógnita porque pouco ou nada mudou em relação ao Mundial 2006, onde atingiu “heroicamente” os oitavos de final. A verdade é que nem os protagonistas nem sobretudo a filosofia de jogo sofreram alterações – abuso na troca de bola em linhas atrasadas, e aposta na solidez defensiva à espera que um lance fortuito resolva o jogo. Longe vão os tempos em que Kubilay Turkyilmaz (melhor marcador de sempre, com 34 golos em 62 jogos) e Stéphane Chapuisat – considerado pela federação helvética o melhor jogador suíço dos últimos 50 anos – colocavam o nome da Suíça no mapa futebolístico internacional. Depois de participar no Mundial de Inglaterra, em 1966, a Suíça desapareceu, até que em 1994 surgiu um grupo de jovens jogadores, encabeçados pelo talentoso Chapuisat, que disputou 103 jogos e foi apenas superado em internacionalizações por Heinz Hermman, com 117. O “pequeno” país de 7,2 milhões de habitantes, 48º no ranking FIFA, vai disputar o seu terceiro Europeu nos últimos 12 anos.

Alvo a Abater III   SuíçaQualificada automaticamente como anfitriã, a Suíça foi obrigada a disputar variados jogos particulares com um interessante leque de adversários dos 4 cantos do Mundo. Desde logo os jogos com as “potências” – Brasil (derrota por 1×2), Alemanha (derrota 1×3), Holanda (vitória 2×1) ou mesmo o empate a uma bola com a Argentina, são exemplos de um vasto grupo de testes onde Japão, Nigéria, Costa Rica ou mesmo a exótica Jamaica não deixaram de oferecer boa réplica aos comandados de Köbi Kuhn. No total, não foram além de 8 vitórias, 1 empate, 7 derrotas e 25-24 golos nos 16 jogos disputados, dados que não sendo brilhantes não fazem perder a esperança de Kuhn, que mantém todo o seu estilo de liberal em pré-reforma. Com o homem da última dobradinha do Bayern de Munich, Ottmar Hitzfeld, com guia de entrada após o EURO 2008, o ainda treinador helvético quebrou em 2001 doze anos consecutivos de técnicos estrangeiros na selecção, entre os quais o nosso conhecido Artur Jorge. A verdade é que a humildade e modéstia deste Suiço de 64 anos são suas imagens de marca, além de uma postura super-aberta na relação com os seus jogadores – Kuhn não concorda com o controlo excessivo sobre os seus pupilos, até porque segundo rezam as paredes na Suíça foi castigado por uma fuga nocturna durante o Mundial de 1966.

No que toca à avaliação do onze helvético, é inevitável não salientar a lesão do futebolista suíço mais bem sucedido dos últimos anos, no 1º jogo deste Euro 2008 com a Rep. Checa – falo naturalmente do capitão Alexander Frei, do Borussia de Dortmund. Esta ausência pode ter sido um rude golpe às aspirações suiças, sobretudo após a interessante exibição na desilusão do jogo inaugural. Isto levanta problemas na construção do triângulo avançado do 4×1×3×2 projectado por Kuhn. Se na baliza, o nosso conhecido ex-Nacional Diego Benaglio conquistou o seleccionador e o país, na defesa destaque para os laterais “alemães” – na esquerda Philipp Degen, do Dortmund, dá ainda mais altura ao sector recuado, na direita a experiência de Ludovic Magnin (Estugarda) dá muita profundidade e acutilância a uma posição que é sua sem contestação. No centro, destaque para o inevitável Senderos, uma das jovens pérolas de Wenger no Arsenal é o patrão da defesa na ausência de Müller. No meio campo, os dois “naturalizados” – Ricardo Cabanas e Gelson Fernandes – o primeiro nascido em Espanha, é o principal tampão às investidas adversárias; o segundo, nascido em Cabo-Verde, é o grande vagabundo do meio campo. Já no sector ofensivo, vários nomes se salientam:

  • Tranquillo Barnetta (Bayern) – A estrela da companhia na ausência de Frei. Assumiu-se como referência da equipa após aparição repentina no Mundial 2006 que lhe valeu a ida para o Bayern. É o armador de jogo do lado esquerdo da Suiça;
  • Joahn Vonlanthen (Red Bull Salzburgo) – É no lado direito, um dos poucos que dá criatividade à equipa, e apesar de ter apenas 22 anos é uma das promessas seguras lançada por Kühn.
  • Hakan Yakin (Young Boys) – Com 31 anos, é um dos pilares no jogo suiço tal é a sua experiência e eficácia na organização do jogo atacante.

Pode-se afirmar que a esperança é a última coisa a morrer, e é precisamente com esse pensamento que os Suíços vêm a sua equipa. Num país com os pés bem assentes no chão, sem grandes euforias, apesar de limitada expressão do futebol ao nível de competições internas este Euro pode muito bem ser um passo de gigante para o aumento da popularidade do desporto-rei por terras helvéticas.





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