Análise: EURO 2008 > G1/J2 > Rep. Checa 1×3 Portugal
Missão cumprida. Portugal reclamou a segunda vitória consecutiva no Euro 2008, ultrapassando a exigente e organizada Rep. Checa por 3-1 em Genebra. Foi mais uma performance dominadora dos pupilos de Scolari, onde Deco e Cristiano Ronaldo encarnaram o papel de principais mentores da supremacia lusa.
Aguardado com enorme expectativa, o embate entre as duas primeiras classificadas do grupo A, ambas com 3 pontos, foi mais um enorme espectáculo de emoção do primeiro ao último segundo da partida. A verdade é que quer Portugal, quer a Rep. Checa foram seguramente as duas selecções que mais brilharam no Euro 2004 e do lado das quinas havia ainda a desforra da derrota de 1996 com o célebre chapéu de Poborsky a Vítor Baía. Portugal entrou na partida com o mesmo onze que havia derrotado a Turquia e que tão boa conta deu do recado, e em contrapartida, os checos apresentaram duas alterações em relação ao jogo com a Suíça, com Marek Matějovský a entrar para o lugar de meio-campo de David Jarolím, e o inevitável Milan Baros a render o gigante Koller.
O jogo não poderia começar melhor para Portugal, quando com apenas sete minutos levantou a suspeita de que conseguiria uma vitória tranquila. Deco aproveitou um lance confuso na área checa e, após uma confusão de ressaltos chutou para inaugurar o marcador para a turma lusa. Início de sonho que no entanto, viria a revelar-se enganador perante uma turma Checa que não se deixou abater e, aos poucos, foi dando sinais de que venderia caro qualquer resultado. O empate foi ganhando forma com a perda duas boas oportunidades, até que aos 16′, Plasil cobrou um canto e colocou o esférico na cabeça de Sionko, que em grande estilo não teve dificuldades para desfeitear Ricardo. A primeira parte foi ganhando oportunidades para os dois lados mas foi Portugal quem colocou em sentido o guardião Čech, que com enorme classe negou por três vezes os intentos a Ronaldo. Muito marcado, a estrela lusa alternou bons e maus momentos nos primeiros 45 minutos. Em alguns lances, foi brilhante, com arrancadas e remates perigosos, sendo dele a par de Deco (melhor em campo) a criação das principais jogadas portuguesas, alternando com tentativas precipitadas e dribles desnecessários.
O intervalo trouxe um Portugal mais esclarecido e diferente. Jogando mais pelos flancos, a equipa pressionou nos primeiros minutos da etapa complementar. Aos 55′ e 59′, Simão Sabrosa foi chamado ao jogo mas novamente Cech fez questão de dizer presente, até que aos aos 61′ não teve jeito. Cristiano Ronaldo iniciou a jogada ao lançar Deco, o brasileiro dominou na entrada da área, driblou Jankulovski e colocou com enorme classe na passada para Cristiano Ronaldo finalizar de primeira, batendo forte e rasteiro, sem defesa possível. Com Portugal de novo em vantagem, a equipa de Bruckner foi à procura do empate, mas a desvantagem empurrou a República Checa para o ataque já com o “bulldozer” Koller no ataque (renderia Galasek). Cada cruzamento era um perigo para a baliza de Ricardo. Mas quem marcaria seria Portugal, num rápido contra-ataque tirado da cartola por Deco a isolar Cristiano Ronaldo. O 7 português surgiu sozinho perante Cech e não foi egoísta, oferecendo a Ricardo Quaresma o terceiro nos descontos.
Com capacidade de sofrimento mas sobretudo alimentada com o génio de Deco e Ronaldo, a selecção Portuguesa mostra que vive momentos de grande confiança e que a motivação está totalmente concentrada no objectivo de ganhar.
Com o resultado em Genebra e contando também com a derrota da Suíça para Turquia, Portugal com seis pontos ganhos garantiu a passagem aos quartos-de-final com um jogo de antecipação e ainda o 1º lugar do grupo, o que significa que jogará com o 2º classificado do grupo B, para além de se manter em solo Suíço. Em apenas dois jogos, Portugal garantiu a liderança do Grupo A e pode dar-se ao “luxo” de olhar para o terceiro jogo com a já arredada Suíça, como mera formalidade. Por outro lado, o país ficou a saber esta quarta-feira que vai perder o seleccionador. O Chelsea, num anúncio que peca no timing, confirmou que Scolari vai assumir o a chefia técnica dos blues a partir de 1 de Julho, logo a seguir ao fim do Euro 2008. É o fim de um ciclo na Selecção Nacional. Foram oito anos com alguns dos melhores resultados de sempre da selecção, e mesmo sem qualquer título conquistado, a verdade é que Scolari deixa uma dura herança para o seu sucessor, “fardo” esse que os Portugueses ainda esperam mais pesado com o sonho da conquista do Euro 2008.
Highlights do jogo



