Análise: EURO 2008 > G1/J3 > Suíça 2×0 Portugal
Já classificado e com o primeiro lugar assegurado, Portugal apresentou-se no St. Jakob-Park em Basileia com uma equipa de “reservas” que não conseguiu ultrapassar um dos anfitriões deste Euro 2008. A Suíça, já em jeito de despedida, fez história ao conseguir a primeira vitória num Campeonato da Europa. Hakan Yakin foi o herói do jogo com dois tentos na etapa complementar, o segundo dos quais de grande penalidade.
Após as emocionantes vitórias sobre a Turquia e a Rep. Checa, assim como a notícia de Scolari no comando do Chelsea, Portugal chegava em pleno domingo a Basileia, com a cabeça no jogo dos quartos-de-final da próxima quinta-feira. A calma era tanta que Scolari operou uma revolução aceitável no onze do elenco luso com a troca de oito nomes, mudança essa que se revestia de esperança para os menos utilizados, mas sobretudo de poupança de energias para os jogadores mais utilizados. Pela frente uma Suíça ferida nas suas ambições mas empenhada no derradeiro desafio perante o seu público, na procura de um resultado capaz de erguer o orgulho helvético.
Quando o árbitro austríaco Plautz deu início à partida, a curiosidade no lado luso recaía sobretudo no que as caras “secundárias” poderiam mostrar face a uma Suíça extremamente empenhada em honrar a sua eliminação deste Euro. Tudo poderia ter sido diferente se Portugal tivesse chegado ao intervalo em vantagem, tais foram as oportunidades desperdiçadas ou simplesmente “boicotadas” pelo juíz da partida, numa partida em que Portugal tem vários motivos de queixa. Um penalty por assinalar a Nani (16 m), remate de Pepe para a trave (19 m), remate de Postiga contra defesa suíço em cima de linha (24 m) e por fim aos 36 minutos um golo mal anulado, por suposto fora-de-jogo inexistente de Postiga, dariam pano para mangas para Portugal chegar confortavelmente ao final da primeira parte com missão cumprida, não obstante a “normal” fraca sistematização a meio-campo. A nível individual, a falta de ritmo foi evidente sobretudo no sector defensivo onde Meira nunca conseguiu alcançar a performance de Pepe, e na direita Miguel surgiu totalmente sem ritmo, obrigando Ricardo a mostrar serviço em dois remates do melhor em campo - Hakan Yakim. Destaque para a nova estreia lusa nesta fase final, Jorge Ribeiro, que aos 41 minutos rendeu Paulo Ferreira e rubricou uma exibição ao nível de toda a equipa - longe de ser brilhante. Se no sector defensivo a almofada estava apertada, no miolo Miguel Veloso mostrou pouca ou nenhuma clareza no que toca ao seu posicionamento em campo e acumulou erros atrás de erros. Portugal conseguia libertar-se de algum desafogo muito graças aos malabaristas de serviço - Nani e Quaresma - que funcionavam como verdadeiros trunfos na hora de abordar a baliza de Pascal Zuberbühler, que não se mostrava intimidado com os esforços sem glória de Postiga. Foi de resto o avançado do Man. Utd quem teve as melhores oportunidades e que se mostrou o mais inconformado perante o decorrer do jogo.
A segunda metade foi praticamente o culminar de várias oportunidades dos Suíços. Inler ainda deu o primeiro grande aviso com a bola a beijar o poste direito da baliza de Ricardo. Scolari percebeu que Portugal já não tinha meio-campo para segurar os helvéticos, e já com a Suíça a dominar lançou João Moutinho em campo para reconquistar o jogo. No entanto, logo a seguir, os suíços conseguiram o golo, com uma assistência de Eren Derdiyok a deixar Yakin isolado para bater o desamparado Ricardo. Portugal esteve pela primeira vez neste Euro em desvantagem e Hugo Almeida saltava do banco para esboçar uma reacção, mas aos 83 minutos Meira faz um pretenso penalty sobre Barnetta, que o juiz austríaco prontamente assinalou. Yakin tratou de concretizar e assim bisar numa partida em que a Suíça e o seu seleccionador Jakob Kuhn assinalaram a melhor despedida possível.
Em suma, a derrota frente à Suíça (0×2) deu desde logo o presente ideal à equipa organizadora de despedir-se da prova com o orgulho retocado e relançado para a chegada de Ottmar Hitzfeld. Do lado lusitano, resta esperar que quer Scolari quer os jogadores saibam proteger a confiança de forma a não deixar marcas no futuro imediato de uma Selecção que deu às suas estrelas uns belos dias de descanso. Scolari não conseguiu o milagre de montar uma equipa coesa com as segundas escolhas:uma selecção desarticulada e sem métodos a que se deixou bater em Basileia. Se a partida foi sem grande interesse para os lados de Portugal, a emoção do grupo A foi desde logo toda para a partida entre a Rep. Checa e Turquia, um verdadeiro hino ao futebol, com emoção, festa, desilusão e lágrimas até ao último segundo. Como já foi dito, este último confronto de Portugal na fase de grupos foi apenas um parêntesis, que se abriu e fechou em Basileia e que pode até ter o condão de serenar os ânimos (exaltados) que se viviam em redor da selecção Portuguesa. As grandes emoções, a sério e a doer, seguem dentro de momentos.

