Zenit – Guerreiros de «Saint Petersburg»
Mas afinal, quem é esta equipa Russa desconhecida da maioria, e que numa única temporada gravou o nome com letras douradas no quadro do futebol europeu? O Zenit de St. Petersburgo, fruto de um percurso a todos os níveis brilhante, deixou-me largamente curioso e o que é certo é que o seu futebol de faceta madura não deixa ninguém indiferente. Contudo, a história do Zenit está bem longe de ser um “conto de fadas”.
Na procura por melhores e mais detalhadas informações sobre esta instituição que ainda há poucos anos não passava de uma equipa de 2ª linha, deparamo-nos com a segunda cidade de maior notoriedade no gigante país Euro-Asiático. St. Petersburgo é conhecida como uma cidade de enormes ligações internacionais, sendo igualmente um centro de negócios poderoso. Curiosamente, o actual sucesso do Zenit enquadra-se nesses princípios bem vulgares num país como a Rússia: os milhões, e os habituais jogos de interesse.
Em 2005, o clube russo formalizou um contrato de patrocínio com a empresa Gazprom, “apenas” a maior empresa de extracção de gás natural do mundo, e a organização mais rica do país. De imediato foram injectados 20 milhões de euros no clube, e assim se iniciou um projecto extremamente ambicioso que visava fazer deste histórico clube o campeão do seu país. A decisão seguinte não espantou: a contratação do técnico holandês Dick Advocaat, um experiente e rígido técnico que tinha como tarefa transformar um conjunto de elementos talentosos num colectivo forte e ganhador. Um ano volvido, eram mais alguns os milhões investidos no clube. O que é facto é que, ao contrário de muitos outros projectos de investimento no futebol, o Zenit respirou sucesso desde o primeiro minuto. Em finais de 2007, o clube sagrou-se então pela primeira vez campeão nacional, e apesar do desfasamento entre as competições russas e as restantes competições europeias, a extrema força desta equipa não impediu uma memorável vitória na Taça UEFA. Ultrapassada uma complicada fase de grupos, o Zenit revelou-se uma equipa talhada para os jogos a eliminar – e que o digam os alemães. Bayern Leverkusen e Bayern Munich foram literalmente humilhados por este “gigante” russo, que não deu a mínima chance em termos colectivos, arrecadando assim o troféu.
Será certamente justo evidenciar que há largos anos (ou quiçá mesmo nunca) não viamos um tão claro «outsider» vencer uma competição europeia de forma tão brilhante. Como a história nos habituou, um percurso desta natureza só está ao alcance de equipas guerreiras, batalhadoras, mas igualmente talentosas e organizadas. E o histórico do Zenit não fugiu a isso mesmo. Um equipa a fazer lembrar a URSS de outrora, onde pérolas distribuídas pelo império permitiu criar equipas de enorme valia, num perfume que ainda hoje define de forma bem vincada o perfil do clássico jogador Russo ou Ucraniano: tecnicamente dotado, nunca descurando a forte formação física e táctica, algo que resultava em elementos colectivistas com forte força mental.
Para a imprensa, os factores de sucesso são extremamente discutíveis. Para os mais “puros”, é garantidamente a força do balneário, imposta por Advocaat e consubstanciada numa forte equipa. Outros colocam o estrelato nos milhões da Gazprom, ou até no presidente russo Dmitry Medvedev, um confesso adepto do clube e com uma quota substancial na Gazprom. Não tenhamos grandes dúvidas de que existe verdade em qualquer um destes elementos, algo que acaba por não chocar nos tempos que correm, em que até países de “renome” se deixam cair no fosso da industrialização.
Para adeptos e patrocinadores, o céu é o limite. Falam-se em investimentos na ordem das muitas dezenas de milhões de euros, em atletas de nome internacional, e até numa nova vitória europeia, desta feita na mítica Liga dos Campeões. Afinal, se há algo que sempre fez parte integrante do futebol que conhecemos, foi a capacidade de sonhar.



