Observatório: “Alvo a Abater I” - Turquia
Fase de grupos do EURO 2008. Entre os “alvos a abater” para alcançar o sonho europeu, o primeiro adversário luso é o já conhecido “império” de Fatih Terim, que levou a Turquia à terceira participação consecutiva na fase final de um campeonato Europeu. Entre ventos e marés, a turma Otomana promete fazer jus ao lema guerreiro dos seus adeptos - “Alinhar pela Turquia é muito mais do que um jogo”.
Será a 7 de Junho pelas 19h45 que Portugal se reencontrará com a Turquia, e pela terceira vez a história repete-se em… três participações turcas! Fruto de um apuramento claramente aos solavancos, os turcos demoraram a impor o seu futebol no grupo da campeã em título - Grécia. Para o seu treinador, Fatih Terim - o Imperador Turco, como é conhecido desde 2005 quando assumiu o comando - as dificuldades prenderam-se sobretudo com a procura do melhor onze base. A verdade é que com uma escolha baseada nos três grandes do futebol turco, e num 4×1x3×2 bem definido, a turma otomana conseguiu terminar a fase de grupos no 2º lugar com 24 pontos (menos 7 que a Grécia) e apenas mais um ponto que a eliminada selecção Norueguesa, com o registo de 7 vitórias, 3 empates, 2 derrotas e 25-11 em golos.
Pelo registo de confrontos entre Portugal e Turquia, à primeira vista, não parece haver margem para medos, com a estatística a mostrar-se vantajosa para o lado luso - em 1996 (1×0, golo de Fernando Couto) e 2000 (2×0 com bis de Nuno Gomes). Mas a verdade é que os jogos e sobretudo os seus resultados são feitos no campo, e Fatih Terim com 54 anos já mostrou o porquê do seu apelido - Imperador Diplomado - pela sua elevada capacidade de liderança, dedicação e honra no trabalho, algo que lhe valeu o diploma de “Professor de Futebol” dado pela Universidade de Fatih, em virtude dos seus riquíssimos conhecimentos adquiridos sobretudo pela sua passagem pela Fiorentina e AC Milan, onde ainda hoje goza de enorme estatuto. O seleccionador turco privilegia sobretudo o enquadramento táctico da sua equipa, aliado a uma enorme vertente física com especial apelo ao lado guerreiro dos jogadores, encobrindo sempre que possível os jogos com uma grande carga patriótica e uma forte mística - “À excepção do guarda-redes, qualquer elemento do onze deve pisar todos os terrenos de jogo com a mesma atitude, durante os 90 minutos” - afirma.
No que respeita à avaliação do onze turco, a grande campanha do “europeu” Fenerbahçe valeu a Volkan Demirel a titularidade na baliza, ganhando lugar ao veterano Rüstü. Na defesa, 4 jogadores todos provenientes do campeonato turco: à esquerda Gönul (Fenerbahçe) a quem apelidam de Cafu turco, revelador da sua qualidade técnica; no centro o veterano de 34 anos do Ankaraspor - Emre Asik - é o pilar defensivo e o parceiro de eleição de Servet Çetin do Galatasaray, um dos homens de confiança de Terim dentro das quatro linhas. Se na defesa a equipa turca não revela nomes sonantes, da segunda linha para a frente, o cenário fica alterado drasticamente. Um brasileiro carioca outrora chamado Marco Aurélio, é Mehmet Aurélio e o grande comandante de uma defesa rigorosa e um ataque com nomes sonantes, tais como:
- Hamit Altintop (25 anos - Bayern), um dos melhores futebolistas turcos e da Bundesliga na actualidade;
- Arda Turan de apenas 21 anos é a coqueluche do Galatasaray, encarna completamente o estilo de playmaker e actua em qualquer posição atrás do ponta de lança;
- Emre de 27 anos - Newcastle - é um médio esquerdino super dotado e com enorme experiência do futebol britânico;
- Hakan Sükur, o eterno matador turco que com 36 anos é o ídolo e a representação do eterno avançado, que precisa apenas de meia oportunidade para desfeitear os guardiões adversários;
- Nihat Kahveci, a estrela. Com 28 anos, esta é a principal referência do futebol turco dos últimos anos, embora tenha conhecido a sua explosão no futebol espanhol, primeiro na Real Sociedad e agora no Villareal. É um avançado completo, marca golos mas também sabe assistir, sempre com rapidez e explosão, é um perigo à solta para qualquer defesa.
Com um seleccionador exigente e extremamente rigoroso, uma cada vez mais crescente competitividade interna do seu campeonato e das suas equipas, é mais que justo e legítimo para a Turquia acalentar atingir o feito histórico dos quartos do final no EURO 2000, ou mesmo o magnífico 3º lugar no Mundial de 2002 e na Taça de Confederações em 2003. Fatih Terim já deixou o mote no ar: “Portugal tem bom toque de bola e é uma selecção com margem de progressão enorme, assim como nós. Mas os portugueses jogam melhor que nós… sem balizas. São os campeões desses desporto inexistente”. Portugal tem a palavra.









