Reposta a Honra, depois da “Honra”

Antes de mais, é com prazer que começo hoje a escrever para o Jogo de Área, agradecendo naturalmente o convite. As primeiras linhas são escritas de uma cidade que está por estes dias nas “nuvens”. Depois de tempos tumultuosos, de desilusões atrás de desilusões e com o emblema do “Rei” constantemente a arrastar pelas pedras da calçada, eis que o céu anda bem desanuviado de há um ano para cá.

Sei bem que os vitorianos não gostam muito de recordar o ano que passamos no Inferno, mas pessoalmente, creio que faz sentido que nos lembremos dele, apenas e só para exultar, ainda mais, os resultados desportivos de 07/08. E, nesse aspecto, há um nome incontornável, um daqueles que por estes dias contraria regras gramaticais e rima com sucesso. Falo, naturalmente, de Cajuda. O timoneiro do renovado Vitória de orgulho recuperado e de estatuto retocado, o tal que ombreou durante décadas e que acabou amolgado pelo acidente que o levou até à Vitalis. Esta temporada e mesmo com um plantel curto e parco em recursos técnicos, com um orçamento bem mais baixo que os seus arqui-rivais, conseguiu a “gracinha” de conquistar, por direito próprio, um lugar no pódio e com isso alcançar a pré-eliminatória da maior competição europeia de clubes. E mais, foi capaz de até à última jornada gladiar pela vice-liderança com os da Capital e sem desculpas de pressão ou sem que se fizesse notar que nos últimos tempos já era pouco o “sumo” que saía de uma laranja – leia-se plantel – bem espremida.
É claro que o Vitória contou com a tal “aselhice” dos outros a que Cajuda também fez referência mas, essa mesma aselhice não foi aproveitada por clubes que partiam para 07/08 bem mais preparados que os homens da Cidade Berço. Porém, o Vitória teve provavelmente aquilo que outros não tiveram, uma união de grupo tremenda, potenciada por um treinador mal amado no nosso Portugal, mas que em boa hora chegou a um clube feito à sua imagem.

Reposta a Honra, depois da HonraA ausência de um verdadeiro homem-golo talvez tenha hipotecado o sonho do acesso directo à Champions, no entanto, ninguém poderá tirar mérito ao sucesso patenteado, esta época, por parte de um Vitória que fez sorrir os seus seguidores e ainda foi capaz de infernizar a vida aos desesperados grandes, e ainda a uma comunicação social que esteve até à última à espera da queda dos “conquistadores” -  inclusivamente, com a velha lengalenga dos favorecimentos ao Vitória, que aos mais distraídos virou verdade absoluta. Uma coisa é certa, este Vitória foi, a par do seu homónimo e do FC Porto, uma das três equipas que melhor futebol praticou na presente temporada, e sem os desvarios orçamentais de outros. Homens desconhecidos como Andrezinho, Momha, Desmarets, Geromel, Sereno ou Ghilas, foram expoentes máximos da contradição da velha teoria “comprar barato, sai caro”. E quando a estes se juntam homens de balneário, sem grande recursos técnicos mas com um coração já “tingido” de “preto e branco”, como Flávio ou mesmo Nilson, o resultado é aquele que hoje nos salta à vista.

Obviamente que este Vitória beneficiou de um campeonato nivelado por baixo, e que épocas tão medíocres de Benfica e Sporting são difíceis de repetir, mas a inteligência de o ter aproveitado é igualmente de evidenciar. Agora, há uma coisa que ninguém se poderá esquecer e que noutros escritos prometo abordar, tal como Cajuda fez questão de realçar: o primeiro reforço de 08/09.. chama-se “Juízo”. Não é nenhum artilheiro de renome, mas é aquele que terá – forçosamente – de ter lugar no “onze”, semana, após semana. Senão… o trambolhão pode ser forte, com direito a estrelas. Algo que ninguém quer.

Carlos Ribeiro – Correspondente de “O Vimaranes”





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