O Dilema de Ibson

Em Janeiro de 2005, o meia Ibson foi negociado com o Porto e, em sua última partida pelo Flamengo, teve sua pior atuação, na derrota para o Olaria por 3 a 0 no Maracanã, pelo Campeonato Estadual. Na época, muitos atribuíram o desempenho pífio ao desvio de foco do jovem atleta, já com a cabeça no novo clube.

Dois anos e alguns meses depois, o time rubro-negro, em crise e na zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro, repatriou o jogador, que tinha problemas com o técnico Jesualdo Ferreira, num empréstimo de um ano, sem custos ao Fla. Ibson se encaixou perfeitamente na nova formação treinada por Joel Santana e comandou o time numa incrível recuperação que o levou das últimas colocações ao terceiro lugar e à conquista de uma das vagas brasileiras na Libertadores da América. A maior torcida do Brasil soube reconhecer seu esforço e talento e o recolocou no patamar de ídolo.

Feliz e adaptado ao Rio de Janeiro, Ibson iniciou a temporada 2008 com algumas boas atuações e a promessa da diretoria de que faria todos os esforços para mantê-lo. Porém, com o tempo passando, a negociação entre os clubes parada e o fim do contrato – previsto para 30 de Junho – se aproximando, o meia sente o baque da indefinição e suas últimas atuações não vêm agradando. Obviamente, não é só o imbróglio entre Porto e Flamengo que vem prejudicando Ibson. Com a chegada de novos jogadores para a principal competição continental como Marcinho, Kléberson (pentacampeão mundial em 2002 pela Seleção) e Diego Tardelli (ex-PSV), o meia atuou várias vezes numa posição diferente da do ano passado, mais recuado, como volante, jogando mais para a equipe e aparecendo menos individualmente. Além disso, os jogos decisivos em sequência desgastaram a equipe do técnico Joel Santana (que vai para a África do Sul, substituir Parreira, e dá lugar a Caio Jr., ex-Paraná e Palmeiras). Só que as dúvidas claramente vêm atrapalhando o jogador, que tem sido vaiado pela torcida rubro-negra, inclusive na final do Carioca, mesmo com a vitória rubro-negra e, principalmente, na vexatória eliminação em casa contra o América do México na principal competição sul-americana.

O futuro é incerto. O meia argentino Lucho Gonzalez negocia com o Atlético de Madrid e o Porto pretende que Ibson – com contrato até 2011 – ocupe este lugar. Seu retorno é considerado certo e um novo empréstimo praticamente inviável. Para continuar com o jogador, o Fla teria de pagar os R$ 10 milhões da multa rescisória. A diretoria do Fla ainda tenta captação de recursos, como a FlaTV e a busca de novas parcerias, para contratá-lo em definitivo. O clube, que, apesar de tudo, tem no meia uma peça-chave da equipe para a busca do título brasileiro, também sofre com a ansiedade de resolver logo a questão, até porque em experiências passadas, como no caso de Athirson em 2000, numa negociação complicada com a Juventus, o time foi o maior prejudicado.

O fato é que Ibson precisa definir as coisas na sua cabeça. Até Junho, suas atenções devem estar voltadas para o Flamengo no início do Brasileiro. Depois do caso definido, ele vai seguir o seu caminho no Brasil ou em Portugal. O que não é nada interessante para ele é dizer que quer ficar e, depois, precisar se explicar no time lusitano, ou reconhecer que está apenas cumprindo o final do contrato no Flamengo, ser ainda mais execrado pela massa rubro-negra e sair “pelos fundos”, como em 2005.

Silêncio e trabalho são a chave para o seu dilema.





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