Observatório: “Alvo a Abater II” - Rep. Checa

Segundo “alvo a abater”. A Rep. Checa é apontada por muitos como o grande rival luso no grupo A, muito pela forma como soube ganhar o respeito e a admiração da Europa do futebol, graças a uma geração de craques que cresceu em torno de Nedved e que vive para lá do génio loiro da Juventus. Karel Brückner é o pai da equipa que tem em Petr Cech e Koller as principais figuras de uma nação que afirma que se os checos não passarem a primeira fase, será decepcionante.

Será a 11 de Junho pelas 17h00 que Portugal defrontará a República Checa, naquele que será um jogo decisivo para as aspirações lusas na passagem à segunda fase. Se o embate anterior com a Turquia, sendo o primeiro, terá sempre uma margem de manobra no que ao resultado diz respeito, o jogo com os checos é definitivamente vital para ambos os lados. Com um desempenho brilhante na fase de apuramento, a equipa comandada por Karel Brükner encontrou-se rapidamente numa luta a dois com a Alemanha, onde sempre se mostrou capaz de qualificar, isto antes de selar esse objectivo em grande estilo. Os dois primeiros do grupo mediram forças pela primeira vez em Praga, a 24 de Março de 2007, quando dois golos de Kevin Kuranyi tornaram insuficiente o tento apontado por Milan Baroš aos 77 minutos, permitindo à Alemanha de Joachim Löw assumir a liderança com três pontos de vantagem. Um verdadeira desilusão caseira que viria a transformar-se em motivação para os checos não voltarem a falhar nos seus jogos seguintes, estragando mesmo a festa de apuramento da Alemanha, ao baterem fora os alemães por 3-0 em Munique, a 17 de Outubro de 2007, desfecho que selou a sua presença na fase final a duas jornadas do final. Esta vitória foi ainda mais saborosa por ter sido conseguida sem vários vários titulares. Libor Sionko, Marek Matějovský e Jaroslav Plašil marcaram os golos que silenciaram os adeptos bávaros. Os checos acabaram mesmo por vencer o grupo, na sequência de um fecho de campanha notável.

Historicamente o melhor desempenho checo num Campeonato da Europa aconteceu em 1996. O “golo de ouro” fez a sua estreia em competições internacionais no EURO 96 e a primeira equipa a sofrer este tipo de tentos foi a República Checa, precisamente na final da prova. Aos cinco minutos do prolongamento de um jogo que chegou ao final do tempo regulamentar empatado a um tento, o alemão Oliver Bierhoff bateu Petr Kouba com um remate à meia-volta e deu o triunfo na competição à Alemanha. Antes, os checos haviam deixado Portugal (com o célebre golo de Poborsky - jogador mais internacional com 118 internacionalizações) e França pelo caminho, depois de terem concluído o respectivo grupo na segunda posição, atrás da Alemanha e à frente de Itália e Rússia.

Estatisticamente, até ao início da fase de apuramento para o EURO 2008, a República Checa realizou 54 jogos para o Campeonato da Europa, onde venceu 39 embates, empatou oito e perdeu sete, apontando 117 golos (!) e sofrendo 37. Desde a independência e até ao final da fase de apuramento para o EURO 2008, os checos têm o seguinte registo em fases de qualificação: 25 vitórias, seis empates e duas derrotas. Os checos têm também um registo perfeito no que diz respeito a tentativas de qualificação para fases finais: apuraram-se sempre nas quatro campanhas de apuramento disputadas. Um dos grandes responsáveis por tais números, é sem dúvida alguma, o patrão checo - Karel Brückner - que como jogador não passou da mediania, mas como treinador trabalhou com muitos dos jogadores que compõem a actual selecção da República Checa, desde que foi nomeado seleccionador dos Sub-21, em 1997. Brückner sabe bem como tirar partido de uma das mais enigmáticas potências europeias, assumindo-se como dedicado a ultrapassar uma recente operação à coluna mas recusa alterar o seu estilo de vida e manter assim o seu epíteto de “mestre de xadrez”. Os mais próximos acusam-no de ser obcecado por tácticas e diferentes sistemas, de tal forma que chega a passar noites em claro com o intuito de inovar e surpreender tudo e todos, como nos anos 80 quando dois jogadores do Sigma Omolouc (onde era treinador) chocaram propositadamente na marcação de um livre… que um terceiro transformaria em golo.

No que respeita à avaliação do onze checo, o grande destaque vai para o facto do onze base ser inteiramente constituído por jogadores a jogar no estrangeiro. Desde logo, é inevitável não salientar a ausência do EURO por lesão de Rosicky, o génio alimentador da dupla avançada e que desta forma levanta problemas na construção do triângulo avançado do 4×1x3×2 projectado por Brückner. Logo na baliza, um dos melhores guardiões do Mundo - Petr Cech - é um dos pilares da equipa que conta com uma autêntica dinastia defensiva - Radoslav Kováč (Spartak Moscovo) é o principal parceiro de Rozehnal (Newcastle) no eixo, enquanto Marek Jankulovski (AC Milan) é indiscutível no lado esquerdo da defesa. O lado oposto já coloca maiores problemas de escolha para Brückner, com o versátil e sólido Tomáš Ujfaluši ( capitão da Fiorentina), Zdeněk Grygera (Juventus) - que tem a carreira marcada por lesões - e Zdeněk Pospěch (FC Copenhaga) ainda em evolução, a lutarem pelo lugar.
No miolo destaque para Zdenek Galasek (Nuremberga) que é o pêndulo do meio-campo de cariz mais ofensivo, onde igualmente se salientam:

  • Libor Sionko (FC Copenhaga) - Extremo-direito rápido e goleador que sabe fechar muito bem o flanco;
  • David Jarolim (Hamburgo) - A solução mais sólida para colmatar a ausência de Rosicky como armador de jogo, é exímio em assistir os colegas;
  • Jaroslav Plasil (Osasuna) - É o ala do momento na selecção checa pois actua em ambos os lados e é dotado de uma técnica invulgar;
  • Milan Baros (Portsmouth) - Um avançado móvel e hábil que costuma “despertar” em campeonatos de selecção, é um avançado que se complementa e assume como antítese de Koller.
  • Jan Koller (Nuremberga) - É a “estrela” mais cintilante perante a ausência de Rosicky. Com 85 internacionalizações e 52 golos, os 35 anos de idade não são entrave para os 2,02 metros de altura e os 100 kg de peso que fazem deste gigante, o terror para qualquer defesa. Joga até na baliza, como ficou provado na época de 2002/03 quando no Borussia de Dortmund, substituiu o expulso Lehmann e não sofreu qualquer golo do Bayer Munich durante 22 minutos.

Com uma população de cerca de dez milhões de habitantes, os checos têm lutado contra países de outro peso histórico do “velho” continente, mas mesmo assim foram capazes de atingir a final do EURO 96 em Inglaterra, e as meias-finais do EURO 2004, já sob o comando de Brückner. O mestre táctico tem agora nova oportunidade para colocar o actual sexto classificado do ranking FIFA, no pedestal do futebol Europeu.

2 Comentários. »

  1. Grande artigo. Bem-haja.

  2. […] do futebolista suíço mais bem sucedido dos últimos anos, no 1º jogo deste Euro 2008 com a Rep. Checa - falo naturalmente do capitão Alexander Frei, do Borussia de Dortmund. Esta ausência pode ter […]

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