Análise: UCL 07/08 > Final > Man Utd 1×1 Chelsea (6×5 g.p.)
O destino havia de pregar uma valente partida à nação Britânica. A incapacidade de marcar presença no Euro 2008 chocou meio mundo, mas o poderio do futebol jogado em Inglaterra havia de nos oferecer para ontem uma noite mágica: a final da Liga dos Campeões disputada entre Manchester Utd. e Chelsea.
As circunstâncias eram bem distintas, mas algo era partilhado pelas duas equipas, a motivação para vencer e a qualidade para tal. O Chelsea vinha de um final de época notável, sob o comando de Avram Grant e após a saída de Mourinho. O Israelita pegou num clube organizado, estruturado, e mostrou inteligência na forma como o manteve nos trilhos correctos. O Manchester, e sob a alçada de Ferguson, vivia (mais um) momento brilhante da sua história, depois da conquista de mais um campeonato, e considerada de forma unânime como a equipa mais atractiva da actualidade. Para Portugal, este era também um jogo de sentimento especial. Ricardo Carvalho, recém-eleito como o jogador do ano no seu clube, era esteio na defensiva juntamente com Terry; Cristiano Ronaldo, uma estrela que parece não parar de cintilar, era claramente o homem “mais” deste conjunto em termos ofensivos.
E a partida iniciou-se da melhor forma possível, no Estádio Luzhniki em Moscovo. Um encaixe perfeito de ambas as equipas em termos tácticos, o que permitiu desde cedo apreciar boas trocas de bola e transições com velocidade. O predomínio era dos “red devils”, que surgiam perto da baliza quase sempre por intermédio de cruzamentos venenosos, depois de lateralizações bem executadas. E o golo haveria de surgir dessa mesma forma, num lance de insistência e depois de um cruzamento do central/lateral Wes Brown - Cristiano Ronaldo, de forma imparável, ofereceu de cabeça o 1×0 ao Man Utd. Os 15 minutos seguintes tiveram a mesma tónica, e por pouco não se assistiu ao 2×0 por Carlos Tevez, na sequência de um cruzamento brilhante de Cristiano Ronaldo.
Quando se esperava o intervalo, a maturidade do Chelsea veio finalmente ao de cima, e num lance às três tabelas Lampard não teve dificuldade em concluir para o empate. Um golo estranho, imerecido talvez, mas que revelou a tal imprevisibilidade no futebol dos londrinos, uma excelente capacidade para concluir em momentos cruciais - o factor “Mourinho” ainda bem presente na equipa.
Com o resultado novamente empatado, assistiu-se a um segundo tempo de contenção de parte a parte. Contudo, pareceu evidente uma quebra física do Manchester depois de um primeiro tempo em que claramente havia sido a equipa mais ofensiva. O Chelsea tirou partido disso mesmo, e pouco a pouco ia mostrando o seu futebol, maioritariamente através de pontapés de meia distância. Aos 78′ foi Drogba a estoirar ao poste, e já em tempo de prolongamento foi Lampard, dentro da área, a colocar a bola na barra da baliza de Van der Sar. O jogo chegava à sempre terrível lotaria dos penalties, e depois de tanto azar, o Chelsea necessitava de manter os seus níveis motivacionais num patamar estável. E efectivamente a sorte voltou a estar de costas voltadas para os “blues”, que apesar de tudo tiveram o troféu nas suas mãos. Terry falhou a grande penalidade decisiva, o veterano Giggs cumpriu a sua parte, e Van der Sar terá feito a defesa da sua vida, oferecendo assim ao seu clube mais uma Liga dos Campeões, a terceira na história do clube.
Fundamentalmente, tratou-se de uma vitória justa pela capacidade demonstrada pelo Manchester não apenas nesta partida, mas ao longo de toda a temporada. A sorte é também um elemento a tomar em conta, e para o Chelsea terá sido uma partida marcante, de uma equipa que esteve bem perto de fazer história ao alcançar o troféu pela primeira vez. Alex Ferguson é o mentor de todo este percurso notável, o escocês que parece estar talhado para o sucesso, e que certamente será recordado não apenas pelos britânicos, mas por todos os amantes do futebol espectáculo.

