Observatório: Rui Costa - A Nova Face

De príncipe a maestro, ai está o “novo” dirigente Rui Costa. Sem tempo a perder, o novo homem-forte do futebol do Benfica, começa as novas funções de dirigente com conta, peso e medida. Depois da boa nova da renovação de Léo, o processo de estabilização dos encarnados é agora parte do dia-a-dia do mais recente dirigente no futebol Português.

Como sempre nos habituou, sério, responsável e inteligente, Rui Costa soube sair aos 36 anos do futebol no relvado, pendurando de vez as “batutas”, leia-se botas, de maestro. Sem querer entrar em mais um artigo sobre a brilhante carreira do fantasista luso, é para o futuro que este artigo olha, sem nunca esquecer a face humana do amor pela bola e do respeito por todos os intervenientes do espectáculo a que Rui Costa sempre nos habituou. Para compreendermos como pode vir a ser um bom dirigente desportivo, temos primeiro de nos debruçar sobre a sua relação com o futebol. Nunca na nação benfiquista um nome foi tão querido, mesmo tendo jogado mais anos na Fiorentina do que no seu país, e a verdade é que apesar de profissionalmente só ter calçado as botas durante 3 anos na Luz, manteve toda uma paixão muito própria. O regresso esteve sempre em cima da mesa, e perante a correcção e admiração dos dirigentes do AC Milan, os namoros durante Verões a fio, todos percebiam que “Il Fantasista” queria o Benfica e o clube abria todas as portas ao seu filho pródigo. Doze anos depois de encantar Itália, Florença e Milão despediam-se e Rui Costa selava o regresso a Lisboa, aos 34 anos, a 25 de Maio de 2006.

Dois anos depois, e com o clube em mais um ciclo negativo, é novamente o “príncipe perfeito” que pega na equipa encarnada, desta feita fora dos relvados. Tal como aconteceu a 7 de Março de 1993, o Benfica vivia uma dura fase de indefinição mas Rui Costa recuperava a titularidade perdida. O Benfica venceu o Sp. Espinho por 5-1 com Rui Costa a apontar o seu primeiro hat-trick e a tornar-se definitivamente o maestro da orquestra encarnada.
Actualmente é de dossier na mão que Rui Costa trabalha a um ritmo elevado, pois não parece haver tempo a perder quanto à preparação da próxima época. Com a perda do acesso à Champions e aos milhões, parece-me evidente que a falta destas verbas levará o novo director desportivo a fazer contas à vida no que respeita ao orçamento para 2008/09. Com as mangas arregaçadas e sem grandes palavras, como é já seu tom, os assuntos a tratar parecem bem definidos: potenciais reforços e dispensas, embora me pareça claro que o ataque ao mercado ainda esteja dependente da questão do treinador, a qual é absolutamente prioritária pois estará sempre dependente do veredicto do novo treinador. Pareceu-me igualmente de enorme felicidade o anúncio da renovação de Léo, que para além de ser um dos jogadores mais queridos pelos adeptos, pela sua garra, empenho e sobretudo amor à camisola, foi também a confirmação da influência de Rui Costa em todo o processo. Quando tudo e todos já colocavam o atleta fora da Luz, o Benfica anuncia finalmente com enorme tranquilidade a tão esperada renovação. Este foi o primeiro acto com o cunho do novo director, assim como as pseudo-contratações de Rúben Amorim e Jorge Ribeiro, numa tentativa de camuflar outros eventuais erros de casting na Luz do passado. Será preciso inteligência e mestria para solucionar a questão da permanência de alguns pesos-pesados do plantel – Luisão, Katsouranis, Nélson, Rodríguez – sendo todavia um dado adquirido que o Benfica necessita de efectuar um significativo encaixe com a venda de pelo menos um activo, para assim voltar a investir.

Parece-me também que os dois anos que passou como jogador podem trazer outra consciência agora como dirigente, na altura de gerir a pressão em conquistar títulos – condição que é claramente intrínseca ao clube – mas também da necessidade de reestruturar o clube. Com classe, o seu discurso faz com que ninguém se iluda: “o futebol precisa de tempo e alguma paciência.” - afirma, salientando que “o primeiro passo é colocar o Benfica em posição de ganhar títulos”. Com a equipa em digressão africana, Rui Costa ganha tempo e espaço para abordar definitivamente o tema “treinador” para assim atacar as remodelações do conjunto para a próxima temporada. É evidente que a gestão de valores como Di Maria, Freddy Adu e David Luiz têm desde logo que ser asseguradas, tal é a mostra de qualidade destes novos rebentos encarnados, sem que para isso se feche as portas aos jogadores da cantera benfiquista - sobretudo André Carvalhas, mas também Miguel Vítor e Romeu Ribeiro merecem todo o empenho do clube em “absorver” definitivamente estes júniores para o novo plantel. Outro desafio prende-se no dossier “empréstimos” com variadíssimos nomes para resolver, como Moretto, Manú, Stretenovic, Halliche e Fábio Coentrão entre outros, nomes que mostraram os erros do passado e a má gestão de um plantel, aliada à política de compra sem fundamentos. Neste aspecto, a entrada de Rui Costa e o afastamento de Luís Filipe Vieira deste encargo é já por si só mais uma excelente notícia para a nação benfiquista.

Rui Manuel César Costa: é este o nome do novo porta-estandarte do futebol do Benfica. É com ansiedade que o futebol e sobretudo os adeptos por todo o Mundo aguardam pelos resultados da nova gestão do reino encarnado, naquele que será o seu primeiro ano de fogo à frente das hostes da Luz. Será necessário demonstrar que uma estrutura demora a montar, e sobretudo o quanto é difícil libertá-la de maus vícios. Resta esperar que o maestro seja igual a si mesmo e não ceda a pressões, para que numa nova fase da sua vida nos volte a mostrar as suas enormes qualidades como profissional, e como ser humano!

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