Análise: BwinLiga 07/08 > J30 > Naval 0×2 Porto
No rescaldo de uma semana atribulada, depois de uma miserável derrota caseira, o Porto deslocava-se à Figueira da Foz para fechar o campeonato nacional, numa temporada onde maioritariamente passeou classe e qualidade pelos relvados nacionais.
No Porto, o destaque claro ia para o jovem guardião Ventura. Com uma época percorrida na equipa sénior portista, e depois de um percurso de formação imaculado, Ventura via assim a possibilidade de jogar pela primeira vez como titular. Naquela que vem sendo uma gestão cuidada dos elementos preponderantes da equipa, agora a uma semana da tão almejada final da Taça, Jesualdo trazia novamente à equipa jogadores como Lino, Stepanov, Kaz, Mariano ou Adriano. João Paulo era, surpreendentemente (mas não imerecidamente) o capitão de equipa.
A primeira meia hora de jogo revelou uma Naval que, apesar de nunca muito esclarecida, ia criando problemas às linhas mais defensivas do FC Porto, muito por culpa de Marinho, claramente o mais evoluído e consequentemente mais perigoso da equipa figueirense. Em oposição, Ventura era o destaque portista. A um punhado de lances - maioritariamente remates de meia distância - o jovem da cantera portista revelou não apenas concentração, como igualmente agilidade e inteligência.
Ultrapassada a fase de maior agressividade dos pupilos da casa, eis que surgia aquilo que fez deste Porto o campeão absoluto da edição 2007/08 da Liga Portuguesa. Velocidade, eficiência, numa equipa que coloca o colectivo acima de qualquer outro atributo. Aos 37′ surgia então o golo portista. Um belíssimo cruzamento do irrequieto (mas pouco produtivo até então) Adriano, para um cabeceamento formidável de Farias. A fazer valer toda a sua capacidade finalizadora, o argentino ganhou posição perante dois defensores e literalmente fuzilou as redes contrárias, num movimento de cabeça sublime. Dois minutos mais tarde, 2×0. Com todo o engenho, Tarik construiu e assistiu Farias para o segundo da noite. O extraordinário magrebino, ao apanhar a defensiva contrária em balanceamento defensivo, lançou-se num dos seus raides ofensivos e assistiu Ernesto Farias para um golo fácil.
O segundo tempo não trouxe mais do que um Porto de virtudes, desta feita na capacidade para guardar a bola e gerir o esforço da melhor forma. Com elementos como Lucho, Lisandro ou Quaresma em descanso absoluto, o Porto não pareceu ter dificuldade em controlar o seu adversário, e as entradas de Hélder Barbosa e Castro vieram atribuir à juventude portista um dos destaques deste encontro. Aproxima-se a festa do Jamor, e este FC Porto parece ter a sua espinha-dorsal preservada para um jogo de carácter vital, naquele que será o encerrar da época desportiva 2007/08.

