Rangers – “The Teddy Bears”

No inconfundível estilo britânico, e alicerçado numa massa adepta emotiva e guerreira, o Rangers não foge à regra do futebol praticado na Escócia – não obstante a inacreditável falta de competitividade interna, é um clube reconhecido mundialmente pelo número de seguidores e pela animação que os “blue-noses” transportam para as bancadas.

Rangers Football Club: nada mais nada menos do que o clube em actividade com o maior número de títulos. Para esta contabilização em muito tem ajudado a “inoperância” de um campeonato que há muito vem deixando intrigados os especialistas do futebol no Reino Unido. Em todo o caso, trata-se um clube com história, com um passado longínquo que data de 1872.
O seu relacionamento com os rivais do Celtic atravessa fronteiras, e é actualmente o “estandarte” do campeonato escocês, mesmo que nem sempre levado para os caminhos mais correctos. Old Firm – Velha Empresa, ou Velho Negócio – é a designação dada para a relação entre os dois maiores clubes escoceses. Em tempos, este nome terá sido sugerido na imprensa como uma insinuação para o proveito financeiro que era retirado por ambas as equipas, quando jogavam entre si. Contudo, e à semelhança do que vemos suceder noutros países, na Escócia o futebol foi durante anos (e ainda o é para alguns) motivo para trazer à tona conflitos politico-religiosos. Desde o início do Séc. XX que Rangers e Celtic se “odeiam”, e muito por culpa da forma como tudo se desenhou: os apoiantes do Celtic sempre se associaram ao Catolicismo, ao passo que o Rangers apoiava o Protestantismo. Em adição, o longo conflito na Irlanda do Norte foi igualmente transportado para este complexo relacionamento entre as duas corporações, uma situação frágil e que surpreende num povo que é reconhecidamente pacifista.

Actualmente, e comandado pelo retornado Walter Smith, o Rangers procedeu a uma enorme remodelação ao nível do plantel principal naquilo que antecedeu o início das competições oficiais. A intenção era clara: conceder ao agrupamento uma maior consistência, experiência, e capacidade para lutar dentro e fora de portas. E os resultados têm correspondido às expectativas dos seus fanáticos adeptos. Na Scottish Premier League, e bem distanciado dos seus adversários, o Rangers disputa o título de campeão com o eterno Celtic, numa luta absolutamente a dois. A nível europeu, e apesar do (azarado) desaire na Liga dos Campeões, a equipa escocesa entrou na Taça UEFA com um enorme fulgor, batendo Panathinaikos e Werder Bremen. O próximo adversário é o “nosso” Sporting, e os prognósticos nem deverão ser negativistas, já que os portugueses (e como habitualmente) têm a seu favor um inúmero conjunto de pontos, isto naturalmente numa óptica meramente teórica.

Rangers   The Teddy BearsO clube escocês, e essencialmente quando se exibe no seu fabuloso Ibrox Stadium, é uma turma com um estilo de futebol muito dinâmico e intenso, bem ao estilo britânico, onde o que importa é colocar a bola nas redes adversárias, independentemente do método utilizado – uma filosofia totalmente paradoxal com o nosso estilo luso. Quando lhe é possível, gosta de jogar no limite da propensão ofensiva, encostando literalmente os seus adversários à sua grande área. Naturalmente, e jogando nesta toada radicalista, o Rangers por variadas vezes atinge a goleada, mas sendo uma equipa de 8 ou 80 tem sido recorrentemente “abatida” por equipas europeias de maior valia técnica ou táctica. Fora de casa, e como não poderia deixar de ser, o Rangers é uma equipa bem mais dócil, centrando as suas atenções ofensivas em 1 ou 2 homens, no limite. Como aliás já foi atestado por diversas equipas portuguesas (recentemente o Benfica, em tempos o Porto), tanto Rangers como Celtic fazem por tirar partido do seu estilo “kick and rush” e da fabulosa capacidade de remate de meia distância, para sair com um bom resultado dos campos adversários, mesmo que em muitos dos casos os golos surjam às três tabelas, ou no aproveitamento da pouca intensidade defensiva dos seus adversários.
O homem-golo da equipa é Kris Boyd (que já conta com 20 golos no acumulado de todas as competições), seguido de Daniel Cousin (com 11 no total). No parâmetro da construção ofensiva, o vetereno Barry Ferguson é claramente o elemento mais esclarecido. Conciliando a capitania do Rangers com a Selecção Escocesa, Ferguson é um criativo ao bom estilo britânico, raçudo, inteligente, rematador. Não são obra do acaso as já 11 assistências para golo na SPL, e o estatuto de jogador com mais remates na sua equipa.

O cenário prende-se a meu ver com a capacidade do Sporting actual em praticar um futebol consistente, essencialmente numa óptica defensiva. A primeira eliminatória, que se irá disputar na Escócia, tem um carácter crucial para a definição do vencedor, e só um Sporting de grande entrosamento, unido entre os vários sectores e com capacidade para suportar uma pressão e um ambiente infernais poderá trazer para terras lusas um resultado motivador. É este o trabalho para casa de um grupo jovem, quiçá um pouco “imaturo”, mas que tem certamente condições para brilhar na Europa.





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