Lições «Alvicelestes»

Ambos nasceram no continente Sul-Americano, são ambos naturais da área de Buenos Aires, Argentina, juntos já vestiram a camisola da sua selecção e vão actualmente espalhando magia de dragão ao peito. Lucho Gonzalez e Lisandro Lopez são figuras maiores da equipa do Porto esta temporada, mesmo que evitando sempre que possível a fama e a referência abusiva da sua preponderância na equipa.

Apesar das suas tremendas qualidades como futebolistas, dos títulos que ajudaram a conquistar e da importância que vêm assumindo na equipa, o que é facto é que a humildade é algo bem inerente a estas duas personalidades. As suas qualidades humanas são algo bem visível quer no campo quer fora dele, e a imagem do atleta à moda antiga – esforçado, sacrificado, colectivista, promovendo a união e o sentido de equipa – salta à vista nestes dois jovens jogadores, parecendo estar bem distantes do espírito que nos habituamos a ver no futebol português – tendo a isso muito ajudado a aposta excessiva noutro tipo de mercados. Efectivamente, a falta de profissionalismo e fidelidade perante equipa, adeptos e até entidade empregadora é algo que se generalizou no nosso futebol.

Lições «Alvicelestes»Paralelamente, e fazendo uma retrospectiva do que tem sido a aposta argentina perpetrada pela administração portista, fica a imagem de um enorme profissionalismo e de um inexcedível amor à camisola. Será possível comparar a postura de Diego com a de Lucho? Ou a de Bruno Moraes com a de Farias? Ou até a de Luis Fabiano com Lisandro e Mariano? Independentemente da qualidade dos atletas em questão, julgo que estaremos a comparar o incomparável. Isto prende-se a meu ver com a cultura do próprio país, da própria sociedade e naturalmente da formação humana dos atletas. Em adição, e à imagem daquilo que era a minha visão sobre o futebol argentino, a formação como futebolista é transversalmente distinta daquilo que vemos por exemplo no futebol brasileiro. Fracamente mais desenvoltos tacticamente, a adaptaçãoo ao dinÂmico futebol europeu é conseguida de uma forma bem mais efectiva e regular – dependendo sempre de jogador para jogador, como é natural.

Depois da mais que merecida chamada à selecção «Alviceleste», a dupla Lucho-Licha era a imagem da felicidade. Não obstante, e apesar do concretizar de um sonho que se vinha prologando por demasiado tempo, os atletas comprovaram novamente como estão no clube de corpo e alma, abrindo o coração a quem de braços estendidos os recebeu. Lucho referia que “Sim, quero continuar no F.C. Porto. Espero que possamos cumprir os nossos objectivos, isto é, vencer o campeonato e a Taça de Portugal, e depois logo se vê, mas a verdade é que não tenho a mínima intenção de sair”. Lisandro corroborava as declarações do seu compatriota. Quando questionados sobre a sua vital importância na equipa, a consonância manteve-se, e ambos frisaram a importância da equipa, do conjunto como um todo. Um lição para muitos, numa indústria que actualmente caminha para o capitalismo puro e para a perda do brio profissional. Notável.





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