George Weah – Made in Libéria

Novamente rendido ao perfume da savana africana, o fenómeno que hoje relembro, espalhou espontaneidade e explosão em verdadeiros momentos dignos de uma epopeia. Foi assim com George Weah, cujo inigualável talento exibido nos bem-tratados relvados da Serie A, não o fizeram esquecer as raízes humildes e apagar as suas preocupações sempre centradas na realidade do seu país de origem.

Em 1821 a American Colonization Society conseguia adquirir uma parcela de terra perto da área do Cabo Mesurado, na África Ocidental, onde se fixariam os primeiros colonos negros oriundos dos Estados Unidos. De acordo com a sociedade americana da altura, os negros nunca seriam capazes de se integrarem na sociedade do país. O regresso a África foi uma solução para evitar certos “perigos” imaginados como resultado da presença negra, como o casamento inter-racial ou mesmo a criminalidade. Essa mesma parcela ficaria conhecida como Libéria, cujo significado é Terra Livre, sendo um dos únicos países da África Ocidental que não conheceu o domínio colonial. O país adoptou uma constituição decalcada da Constituição dos EUA, assim como, os símbolos nacionais (bandeira, brasão de armas e lema) que reflectem a origem e experiência dos fundadores do país nos Estados Unidos. A Libéria mais tarde seria devastada por uma guerra civil que roubaria a vida a cerca de 200.000 pessoas e obrigou a que alguns milhares abandonassem o país. Não obstante o caos instalado ao longo de vários anos de um país entretanto mergulhado nas trevas, uma estrela do futebol internacional e figura pública, será para sempre o maior motivo de genuíno orgulho para a população liberiana – George Manneh Oppong Ousman Weah.

África é o continente cujas características do seu futebol, têm sido alvo de altos e baixos no que toca à exploração das suas riquezas futebolísticas. Só um reduzido número de dirigentes, empresários ou mesmo olheiros têm a real percepção dos autênticos diamantes brutos que África tem por lapidar. O passado mostra-nos vários nomes históricos como Roger Milla, Abedi Pele, Jay-Jay Okocha ou mesmo actualmente com Samuel Eto’o ou Didier Drogba. Tudo grandes nomes numa (longa) lista, mas o meu voto para o melhor jogador Africano de sempre é certamente para George Weah. No seu esplendor, o Liberiano era uma autêntica alegria de observar. Uma combinação de graça e poder, que o tornou não só o melhor futebolista que África viu nascer, como um dos melhores avançados que pisou os palcos Europeus.

George Weah – Made in LibériaNascido na capital Monróvia, a 1 de Outubro de 1966, a sua história cedo começou a desenhar-se quando iniciou a carreira no clube local – Young Survivor. Tinha 14 anos e as dificuldades da vida quase o obrigaram a deixar o futebol (desporto com pouca ou nenhuma tradição no país), mas a transferência para o Invincible Eleven viria a abrir definitivamente a porta para o sucesso, quando aos 20 anos conquistou o 1º título nacional. Seguiu-se a primeira experiência longe de casa, quando no ano seguinte representou o Tonerre Clara Club, onde se sagrou campeão camaronês. Esta conquista não passaria despercebida a quem hoje é tido como o maior caça talentos do continente Africano, o francês Arséne Wenger que na altura, orientava o primo-divisionário AS Mónaco e resgataria o goleador Liberiano para o velho Continente. Logo na sua temporada de estreia, com apenas 22 anos, balancearia as redes contrárias por 14 vezes em 23 partidas disputadas. A primeira conquista por terras gaulesas não tardou, em 1990/91 com a Taça de França. Um triunfo que viria a saborear 2 épocas mais tarde, já na capital, pelo Paris Saint-Germain. Em 1994, já sob a alçada técnica de Artur Jorge e ao lado de nomes como Bernard Lama, Ricardo Gomes, David Ginola, Valdo, Raí, entre outros, conquistou o campeonato gaulês – o último até hoje do emblema parisiense.

Para lá dos Alpes, na vizinha Itália, o AC Milan chorava o abandono prematuro e repentino do fenómeno holandês Marco Van Basten, um avançado que deixaria grandes saudades aos exigentes adeptos rossoneri. A chegada de George Weah ao Calcio, marcaria para sempre todo o Mundo do Futebol, aí viveria a sua melhor fase. Com golos inesquecíveis, plenos de astúcia e com denominadores comuns e de grande valia técnica para um jogador africano: o domínio da bola soberbo, o arranque em velocidade e o remate sempre fatal e pleno de oportunidade. Tudo características que aliadas a uma raça e entrega únicas, o tornaram rapidamente num dos ícones do clube milanês, sendo o grande obreiro da conquista do “scudetto” em 1995, ano que pertenceria por completo a Weah. Um ano absolutamente único e notável onde foi eleito Melhor Jogador de África, ganhou a Bola de Ouro da France Football e seria consagrado pela FIFA como o Melhor Jogador do Mundo, tornando-se o primeiro e único jogador Africano de sempre a conquistar este troféu. O palmarés não estaria completo sem ser colocado na lista dos futebolistas do Século FIFA, sendo mesmo atribuído o prémio “Melhor Jogador Africano de Todos os Tempos”. A partida de Milão deu-se em 1998/99 quando se mudou para Inglaterra, onde já numa fase descendente da carreira, ainda ajudou os londrinos do Chelsea na conquista da Taça de Inglaterra. Seguiram-se Manchester City e Marselha até terminar a carreira rodeado dos milhões árabes do Al Jazeera.

Actualmente, Weah dedica-se única e exclusivamente ao seu país do coração. O ex-avançado nunca chegou a disputar um Campeonato do Mundo, mas isso nunca o levou a abdicar da sua nacionalidade para pisar os grandes palcos, para Weah a sua pátria é tudo. Na CAN 1996 na África do Sul, pagou do seu bolso todas as despesas da Selecção Liberiana na competição. Embaixador ONU desde 1997, é também presidente/fundador do Júnior Professionals, clube da cidade natal Monróvia e um dos grandes impulsionadores do futebol no pais devastado por milhares de vítimas de pobreza, muitas apoiadas pela sua Fundação. A sua jornada patriótica conheceria novo episódio com a sua candidatura à presidência da Libéria em 2005, acabando derrotado pela economista Ellen Johnson Sirleaf, num acto eleitoral muito contestado ainda hoje, mas que não demoverá com certeza Weah de concretizar o sonho de presidir a sua pátria. Assim é George Weah – Made in Libéria.

Sugestões...

3 Responses

  1. agostinho joão diz:

    GOSTARIA QUE ME INFORMA-SE SE O JORGE WEAH JA FOI CONSIDERADO MELHOR JOGADOR MUNDO, ASSIM COMO ZIDANI,RONALD, MARADONA ETC

  2. elpidio dos santos diz:

    sim foi sim em 1995 ^^ ele era bom mesmo
    a baixo o link no wikkipedia

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Melhor_jogador_do_mundo_pela_FIFA_em_1995

  3. Celio Alves diz:

    Eis um exemplo tanto como atleta quanto como cidadão. Que sirva de lição para muitos polícos brasileiros que vivem as custas da miséria de muitos compatriotas.

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