Análise: Benfica 1×2 Getafe

Da asneira à reacção à adversidade, o Benfica embora com atitude e coração para reagir aos problemas, não conseguiu levar para Madrid um resultado satisfatório. O Getafe mostrou na Europa em mais uma estreia histórica, as credenciais que colocaram na rota do sucesso uma equipa que há 6 anos atrás se encontrava na 3ª divisão espanhola.

O jogo, ainda antes do apito inicial, vestia-se de pormenores interessantes. Do lado do Benfica, o facto das variadas ausências no plantel encarnado, David Luiz, Petit, Maxi, Nuno Gomes, Makukula todos por lesão, Freddy Adu por se encontrar ao serviço da selecção norte-americana e por fim, Binya por se encontrar ainda a cumprir castigo da UEFA. Camacho que passaria as últimas horas a chorar a morte do seu pai, seria obrigado a convocar os júniores David Simão e a grande esperança da cantera da Luz – André Carvalhas, que fazia a sua estreia em convocatórias com o plantel sénior.
Nos visitantes, Michael Laudrup referia à chegada a Lisboa que “seria fantástico o empate a um” e que era uma honra estar com o Getafe numa partida com um “histórico” europeu como o Benfica. Mesmo partilhando a opinião do seu treinador, Belenguer – o capitão dos “azulones”, referia “… respeitamos muito o Benfica mas museus não ganham jogos” e assim mostrava toda a confiança na equipa dos arredores de Madrid.

Análise: Benfica 1x2 GetafeO apito para o início da partida, confirmava as expectativas em relação ao jogo, desde logo a pouco afluência de adeptos encarnados ao estádio da Luz, que logo nos minutos iniciais puderiam confirmar que o Getafe vinha realmente para jogar futebol, com a equipa de Laudrup a colocar sempre, no mínimo, 3 jogadores bem avançados no terreno para de alguma forma, suster a defesa benfiquista. Bem organizada, esclarecida em campo e a privilegiar a troca de bola ao primeiro toque para de imediato sair em ataques rápidos rumo À baliza de Quim, o Getafe mostrava logo de inicio os argumentos que fazem desta equipa a grande revelação da Liga vizinha. O Benfica que tinha no retorno de Luisão e na estreia a titular de Sepsi as principais novidades no onze, enfrentaria rude golpe quando Cardozo protagoniza o que seria o lance mais marcante da partida – agressão a Belenguer e consequente expulsão aos 9 minutos da partida. Privados do seu homem mais avançado no terreno e em desvantagem numérica, os encarnados sentiram em demasia a “traição” do 7 encarnado e deram a iniciativa de jogo ao Getafe que empolgado, chegaria ao golo através do médio criativo – De la Red que com a ajuda do desvio da bola em Edcarlos, colocaria os visitantes em vantagem. O Benfica, mesmo em inferioridade numérica, revelaria atitude e capacidade lutadora em campo sem que isso camuflasse as já habituais dificuldades na condução e circulação de bola e antes mesmo do intervalo, sofreria novo golpe com a saída de Luisão, ressentido da lesão que o afastava dos relvados até então, dando lugar a Zoro. O intervalo chegava e o Benfica contava a série de contratempos para somar à atitude da equipa, que procurava com o coração reagir à adversidade com combinações entre Rodriguez, Sepsi e Di Maria sempre esgotadas em desarmes do adversário.

A segunda metade não alteraria muito o tom do jogo. O Benfica sempre com dificuldades em entrar na área de Ustari, que via o perigo a rondar a sua baliza com as investidas sobretudo dos destaques da noite do Benfica – Rodriguez e Sepsi, ambos a realizarem uma excelente partida, sempre com grande atitude e garra na abordagem a cada lance. Com Di Maria em mais uma partida para esquecer, Camacho lançava a única arma que tinha no banco e a trinta minutos do apito final fazia saltar do banco o talismã Mantorras para render o argentino. A entrada do angolano e o efeito que causa no seio dos adeptos fez com que o estádio voltasse a acreditar, tal é a magia contagiante do 9 encarnado. Mas seria o Getafe quem voltaria a marcar, novamente com o trio De la Red, Albin e Hernandez, com este último a contornar Nélson e a rematar com a bola novamente a tabelar num defesa benfiquista – Zoro – e a fazer a bola entrar à esquerda de Quim. O relógio marcava 68 minutos e a eliminatória complicava-se mais ainda para o Benfica, que tinha visto ainda antes Edcarlos falhar o golo de forma incrível enviando a bola à barra da baliza espanhola. Mantorras voltaria a revelar a sua veia goleadora, quando a 15 minutos do final, recuperou a bola à entrada da área e rematou forte para o fundo das redes do desamparado Ustari. O golo teria o condão de empurrar a equipa para o ataque e o Benfica ganhou ânimo e pressionou o Getafe que chegou a intimidar-se e recuar bastante no terreno, mas sempre sem voltar a comprometer perante a já pouca lucidez do lado «encarnado» para chegar a outro resultado.

Numa partida em que o Benfica se viu privado do melhor onze, fruto de um (velho problema) ataque fulgurante de lesões num período crucial da época, a somar aos vários contratempos do próprio jogo, a continuidade na Taça UEFA fica claramente comprometida. Numa partida em que a equipa jogou 84 minutos com menos um jogador, um detalhe curioso pode ajudar a mostrar a entrega dos encarnados, que tiveram apenas 1 cartão (vermelho a Cardozo) em toda a partida, contrastando com os 5 cartões mostrados aos pupilos de Laudrup. Numa fase em que o público não anda satisfeito com a equipa, ficou a imagem, ao contrário do passado recente, que o Benfica deu tudo, foi equipa mesmo com dez mas isso não foi suficiente para não sucumbir novamente na Europa perante uma equipa espanhola que não precisou de ser brilhante para agarrar a sorte do jogo. Agora é preciso fazer contas ao sonho europeu para inverter a tendência da eliminatória, daqui por uma semana, dia 12 – dia de todas as esperanças e decisões para a equipa Portuguesa.

Sugestões...

8 Responses

  1. Paulo diz:

    “Museus nao ganham jogos”. Ora aqui esta’ uma afirmacao que reflecte a ilusao de que os benfiquistas ainda padecem em relacao as competicoes europeias: de que o Benfica ainda e’ um grande clube da Europa. Em termos reais, o Benfica tem pouca expressao, quer em termos financeiros (mas cada vez menos, diga-se, felizmente), em termos de qualidade de jogadores (actuais e potenciais, pois a capacidade de atraccao do Benfica e’ incomparavelmente menor do que a de um qualquer clube de meio da tabela de Espanha ou Inglaterra; os jogadores que chegam ao Benfica ou sao promessas de baixo salario, ou jogadores nao titulares nas grandes equipas que querem voltar a mostrar-se, ou “estrangeiros no geral”, bem treinados com o discurso gasto que alguem, se calhar mesmo apenas no aviao na primeira viagem para Lisboa para a apresentacao, lhes disse para debitar “para terceiro anel ver” de que o Benfica e “um clube com muitos adeptos e um dos maiores da Europa!”. Actualmente, que jogador de topo aceita vir para Portugal, sem ser para o Porto? Nenhum.). Mas voltando atras, o Benfica e seus jogadores ainda pensam que o estatuto passado do Benfica ainda impressiona equipas de dimensao como a do Getafe. Mas, para falar verdade, quem no mundo conhece o Benfica ou o que se fez nos anos 60?…
    Quanto ao jogo, verificou-se algo do que ja esperava, mas a um nivel que nao esperava. Um Getafe de grande qualidade com bola a praticar um futebol de triangulacoes, “meiinhos” no meio campo para criar espaco para jogadores entrarem nos espacos vazios, defendendo atras com muitos jogadores e partindo depois para este tipo de jogadas, de forma organizada e madura e tecnicamente evoluida, muito ao estilo do que varias equipas espanholas fazem hoje em dia em jogos de duas maos a eliminar (como Espanyol do ano passado ou o Sevilha das tacas Uefa). Um jogo bem treinado, bem estruturado, programado. Controlado. A palavra chave, no meu entnder. Este jogo foi perfeitamente controlado pelo Getafe, que o geriu como entendeu. Prepararam o terreno antes do jogo com as habituais atribuicoes da favoritismo ao Benfica, engrandecendo o ego das hostes mas depois chegaram ao campo e controlaram, como que dizendo “Pronto, agora vamos mas e’ deixar de brincadeiras e vamos cair na realidade e jogar como sabemos”…
    E agora na segunda mao vai ser muito dificil. Pelo resultado e pelo facto de o Getafe normalmente jogar muito bem em casa, exponenciando este estilo de jogo que demonstrou na Luz. Mas, mesmo depois deste meu comentario de profundo pessimismo, acredito que pode ser possivel o Benfica passar. Acho que o problema nao esta em marcar os dois golos, esta em conseguir nao sofrer nenhum em casa do Getafe.
    Desculpem o comentario longo e a falta de acentuacao por culpa do teclado. Cumprimentos tipicamente benfiquistas a todos, entre a desilusao e a esperanca.

  2. Gustavo Devesas diz:

    Caro Paulo,
    Nao podia deixar de acenar ao seu comentario. De facto o Benfica ainda nao se convenceu que o passado de pouco ou mesmo nada vale quando se esta em campo. Acho que as afirmaçoes do capitao do Getafe mostra isso mesmo quando afirma ter ficado “decepcionado, o Getafe podia ter conseguido um resultado mais contundente e deixou passar a oportunidade de deixar a eliminatoria completamente sentenciada.

    Belenguer foi ainda mais longe e afirmou que:

    Era um dia para levar 0-3 ou 0-4 para Madrid, assim este é um resultado que exige fazer uma grande partida, porque estamos a falar de um dos grandes da Europa. Mas as coisas sao como sao. Talvez tenha faltado á equipa um pouco de ambição e também mais acerto. Mas conseguimos mais um resultado histórico para o Getafe, uma vitória frente ao Benfica, em terreno adversário. Continuamos a escrever paginas.

    Penso que estas palavras mostram bem o que o Benfica representa actualmente la fora.

  3. stafeyt diz:

    Quando o Porto perdeu eu pensei: “se o Porto nao ganha ao Schalke muito menos ganha o meu Benfica com o Getafe”.. parece que tinha razao. Mas na realidade o jogo nao correu como pensava. Se a forma de jogar do Getafe nao me surpreendeu (sabia que era boa), o bom jogo (apesar das adversidades) do Benfica impressionou-me e bem. Achei que o Benfica fez um bom jogo e se jogar assim e ja agora com 11 jogadores (dependendo dos 11 claro..) e com a lição bem estudada acho que tem hipoteses de passar a eliminatoria. Nao tenho a ilusao que sera facil mas acredito que é possivel.

  4. André diz:

    é verdade, jogamos muito bem. falaram em massacre..mas nem comento tal barbaridade. quanto ao paulinho, expressao tem o porto que este ano nao ganhou a ninguem de renome. nem ao liverpool com 10. isto é com cada uma……falam em nome na europa e qualidade de planteis, e nao ganham ao schalke? epa um bocado de vergonha na cara ta bem? acho-vos muita piada…o colosso fcp já ve a LC pelo sofá. irónico no minimo. outra ironia é os adeptos do porto falarem tanto do paraty…e o vosso helton ter defendido 2 metros fora de area…ironias…

  5. Andr diz:

    quanto ao “epa um bocado de vergonha na cara ta bem? acho-vos muita piada” nao me refiro ao paulo mas sim a todos as pessoas que apoiam o getafe! eu apoiei o porto!

  6. Paulo diz:

    “Das duas, tres”: o sr. Andre ou nao leu ou que escrevi ou entao nao leu o que escrevi. Ja nem me refiro a parte de desenvolvimento da ideia, com a qual o sr. Andre nao concorda, o que aceito, mas ao facto de na parte final eu dar a entender que, para mal dos meus pecados, sou benfiquista. Sim, sou benfiquista. Essa do “pessoas que apoiam o Getafe”, desculpe mas trata-se de um erro de interpretacao e revela a atitude “ou es nosso ou estas contra nos”. So porque falo bem do Getafe e do Porto nao significa que apoie o Getafe ou muitissimo menos o Porto. Cumprimentos benfiquistas, entre a desilusao e a esperanca.

  7. dr diz:

    antes de mais… desculpem fazer este comentario aqui… sei q n

  8. andre diz:

    sr paulo, pessoas que apoiam o getafe sou contra elas, tal como sou contra aquelas que gostaram de ver o porto perder com o schalke. nao estou contra si…pe

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