Análise: Bolton 1×1 Sporting

Em jogo a contar para os oitavos de final da Taça UEFA, o Sporting deslocou-se ao Reebok Stadium para disputar a primeira-mão desta eliminatória com o Bolton Wanderers, equipa que havia eliminado na ronda anterior o Atlético de Madrid.

Apesar de se encontrar apenas no 17º lugar da Premier League, o Bolton apresentava-se como um adversário complicado, quanto mais não fosse pelo simples facto de ter eliminado anteriormente o Atlético de Madrid e, sendo uma equipa inglesa, iria ser um adversário complicado. O Sporting alinhou com o mesmo onze do último encontro, após a recuperação de João Moutinho e Leandro Romagnoli, este último ficando contudo no banco de suplentes. A dupla atacante voltava novamente a ser Vukcevic-Tiuí. O Bolton apresentava uma equipa sólida e poderosa fisicamente, sem grandes destaques individuais, mas onde em cada sector se situava um elemento importante, respectivamente o capitão Andy o’Brien, Ivan Campo no meio campo e Kevin Davies na frente. Anteviam-se dificuldades para o Sporting lidar com o poderio físico e disciplina táctica dos ingleses, bem como o seu estilo de jogo directo que se esperava vir a predominar. Os momentos iniciais do jogo confirmaram estas dificuldades, com o Sporting a entrar sem personalidade e algo comedido nos momentos de pressionar e assumir a posse de bola, também devido à dureza que os ingleses atribuiam a cada disputa de lance. O Bolton mostrou desde cedo a sua quase total preferência pelo futebol directo, onde Helguson se juntava a Kevin Davies na frente para depois servirem os médios apoiantes que subiam no terreno, criando uma segunda linha ofensiva próxima da àrea do Sporting, o que tornava fundamental as disputas pelas segundas bolas. Apenas em alguns momentos os leões conseguiam efectuar circulação de bola curta e pelo chão, onde as dificuldades dos ingleses em cobrir os espaços e pressionar o portador da bola se notavam. A linha intermédia leonina demorou muito tempo a fazer frente nesta luta de meio campo, o que levou à subida frequente dos médios ingleses, encostando as linhas do Sporting e deixando Polga e Tonel em igualdade numérica com a dupla de ataque do Bolton, não restando nenhum jogador com boa capacidade no jogo aéreo para disputar os lançamentos longos. Assim, aos 25′ o Bolton inaugura o marcador por Kevin Davies, após um ressalto à entrada da àrea e à falta de cobertura do meio campo. A partir daqui o Sporting começou a realizar posse de bola e movimentaçõeses atacantes já com mais frequência e acutilância, culminado num remate de Moutinho perto da barra e noutro de Pereirinha para defesa do guardião inglês. O intervalo surgia numa altura em que o Sporting já fazia demonstrar as fragilidades do Bolton em defender perante a posse de bola adversária em jogo de passes curtos, mas explorando toda a largura do campo.

Análise: Bolton 1x1 SportingA segunda parte trouxe um Sporting mais objectivo e decidido a explorar precisamente essas fragilidades, predominando ainda mais esta circulação de bola, contribuindo muito a entrada de Romagnoli em jogo por troca com Abel, recuando Pereirinha para o seu lugar. A sua entrada conferiu maior capacidade de guardar a bola, ao mesmo tempo que aumentava a imprevisibilidade e mobilidade ao jogo da equipa, algo que veio confundir as marcações inglesas entre o meio campo e a defesa, onde Romagnoli se movimentava com qualidade. As trocas de bola do Sporting eram agora mais efectivas, aproximando-se mais da baliza do Bolton graças igualmente à subida de rendimento de João Moutinho, que assumia definitivamente o jogo da equipa, tabelando e desmarcando ora Vukcevic ora Tiuí, abrindo também espaços no meio campo inglês devido à sua rápida conduçãoo de bola. O golo do Sporting surge dum lançamento de Polga para Tiuì, que entrega a Vukcevic para este disferir um potente remate à entrada da área, aos 69′ de jogo. Durante o restante tempo o Sporting privilegiou a contenção na sua posse de bola, sendo a sua defesa pressionada ainda mais pelos lançamentos directos dos ingleses, que agora se intensificavam.

O Sporting conseguiu assim um bom resultado fora de casa que o coloca em vantagem na eliminatória, tendo ficado claro que o Bolton é uma equipa bem acessível e que em Alvalade não deverá alterar muito o seu estilo e abordagem ao jogo. Resta melhorar a defesa e posicionamento nos lances defensivos de bola parada ( e corrida ), para que a equipa não seja novamente surpreendida. Os quartos de final da Taça UEFA estão definitivamente mais próximos.

Nota - Simon Vukcevic demonstra cada vez mais a boa apetência para desempenhar as funções de ponta de lança, algo que fica patente nos golos que tem marcado e nas exibições que tem efectuado ( no regresso após lesão, marcou consecutivamente em duas partidas ).

André Rocha

André Rocha é carioca e estudante de Jornalismo. Além de administrador do blog Futebol & Arte (http://blogs.abril.com.br/futebolearte), assina as colunas "Olho Tático" no site "Papo de Bola" e a "Papo Firme" no Futnet. Também colabora com os jornalistas Mauro Beting e Lédio Carmona em seus blogs, escreve mensalmente para o site "Olheiros", além de participar do programa "Beting & Beting" do canal Bandsports todas as segundas-feiras. Em 2007, comentou algumas partidas pela TV Esporte Interativo.

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1 Response

  1. stafeyt diz:

    Tenho pena de nao ter tido oportunidade de ver este jogo. E estou cada vez mais impressionado com o Simon Vukcevic. Nunca desiste de uma bola, corre o jogo todo, faz golos, oferece golos, é um grande jogador.

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