Análise: Porto 1×0 Schalke 04 (1×4 g.p.)

Chora-se de tristeza na cidade do Porto. Em 210′ de futebol, o Porto de Jesualdo Ferreira mostrou uma enorme sabedoria na arte de saber sofrer e não atirar a toalha para o chão. Insuficiente, no entanto. Frente a uma equipa alemã que se mostrou macia quando o Porto a isso a obrigou, os dragões não foram capazes de ultrapassar aquele que se tornou num novo herói de Gelsenkirchen: o “novato” Neuer.

Depois de uma “primeira-parte” de maior incapacidade portista numa atribulada viagem ao oeste da Alemanha, a pressão estava do lado dos portistas, e o Estádio do Dragão acorreu em peso para mais uma noite de emoções europeias. Do centro da Europa vinham cerca de 3 mil gargantas bem afinadas, de uma equipa fria e calculista que, apesar da negação do seu treinador, acabava por revelar a clara intenção de jogar para o resultado ao colocar 5 médios de início (3 deles de contenção), deixando Kuranyi muito sozinho na frente, órfão do apoio dos habituais Rakiti? e Asamoah. Do lado portista, a maior surpresa consistia talvez na opção por Tarik em detrimento de Farias. O marroquino traz amplitude ao ataque portista, capacidade de jogar no um-contra-um cruzando de frente para trás, algo que vinha faltando no jogo ofensivo portista.
A postura alemã nada de bom fazia prever – a história assim o conta – contudo, o início de jogo revelou a intensidade que os dragões teriam que impor na partida: aos 12′ foi Lisandro frente a frente com Neuer para uma boa saída do jovem guardião; aos 13′ era Tarik a responder de cabeça a um fabuloso cruzamento de Bosingwa – Neuer começava aqui o seu “festival”, com uma bela defesa por instinto. Os primeiros 45′ foram inteiramente portistas, mas depois de meio-tempo de maior fulgor o Porto deixou-se ir abaixo revelando a habitual impaciência “à portuguesa”, com uma clara perda de agressividade, de intensidade, e o final da primeira parte rapidamente surgiu.

Análise: Porto 1x0 Schalke 04 (1x4 g.p.)Quando talvez se esperaria um Porto de maior garra na entrada para a segunda-parte, o que é facto é que Jesualdo Ferreira não parece ter sido capaz de incutir alguma coragem na equipa, que se manteve demasiadamente “adulta”, não querendo correr riscos excessivos. A saída de Bosingwa por lesão reforçava este mau presságio, dado que nem Quaresma nem Tarik atingiam sequer metade do rendimento lateral do defesa-direito. Pelo contrário, Tarik deambulava demasiadamente pelo centro do terreno ao passo que Quaresma denotava a habitual falta de profundidade na equipa. Para o adepto menos atento Quaresma terá sido talvez dos elementos mais interventivos durante os 90′, algo que não deixa de ser verdade, mas o que é facto é que o criativo portista perdeu-se quase sempre nos timings de decisão, algo bem visível no défice de jogo ofensivo servido aos avançados Lisandro ou Farias. A excepção esteve claramente em Lucho – e que grande partida efectuou o médio argentino! – que mostrou ser o cérebro desta equipa na forma de atacar, cumprindo também de forma irrepreensível na vertente de recuperação defensiva. Paulo Assunção e Raúl Meireles, embora este segundo menos decisivo, foram igualmente elementos de grande eficiência, e que permitiram garantir a segurança defensiva que se exigia numa partida de ataque continuado. Contudo, e numa jogada de distracção tudo poderia ter-se perdido, já que depois de uma perda de bola em terrenos defensivos Hélton viu-se obrigado a parar uma bola de golo defendendo com as mãos já fora da grande área. Algo que poderia ter ditado a expulsão do guardião canarinho, e que talvez pela rapidez do lance terá passado despercebido ao juiz da partida.
Mesmo que com pouquíssima inspiração, o Porto não desistia e justiça seja feita ao espírito desta equipa que mesmo jogando sem laterais de raiz – Fucile havia sido expulso de forma injusta aos 80′ – mantinha o caudal ofensivo, a única solução possível para alcançar o tão desejado golo. De realçar a prestação de Mariano, que entrado para o lugar de Bosingwa conseguiu cumprir como lateral, médio e extremo quando necessário, revelando um enorme pulmão e forte cultura táctica. Na realidade, e espremendo o sumo daquilo que o FC Porto produziu, é imperial dizer que faltou capacidade para ultrapassar definitivamente os alemães, algo só conseguido por um magistral Lisandro, que aos 86′ levantou o estádio com um remate do outro mundo, mostrando mais uma vez como é actualmente um dos grandes avançados a actuar na Europa.

O futebol é isto mesmo, e repentinamente as mentalidades alteravam-se, assim como o espírito de ambas as equipas. O Schalke 04 era agora uma equipa tremida, enquanto o Porto transbordava confiança, bem visível no primeiro lance do prolongamento, em que quer Quaresma quer Farias não foram capazes de furar a baliza adversária. O Schalke estendia um pouco o seu jogo, e pela primeira vez na partida viamos o Porto a jogar ao seu nível, com espaços e rápido nas transições. Quaresma estava endiabrado, e aos 102′ protagonizava o lance do jogo: isolado frente a Neuer, temporizou demasiadamente permitindo a defesa do guarda-redes alemão. Um lance que poderia e deveria ter arrumado com a partida, algo que numa noite de tremenda infelicidade portista acabou por não suceder!
Os penalties são e sempre serão uma lotaria, mas o que e facto que a turma alemã se revelou mais confiante e consistente neste particular. Uma derrota plena de frustração e infelicidade, mas.. o sentimento de dever cumprido!

Sugestões...

9 Responses

  1. Diogo P. diz:

    Tambem vi ontem o jogo e confesso que tive pena de nao terem seguido em frente. Mas quem perde a primeira mao, arrisca depois muito no jogo da segunda, e nao foram capazes de transpor a defensiva alema em definitivo. Dever cumprido so se for pela vitoria, mas pronto, para o ano ha mais, agora resta-nos Sporting e Benfica na UEFA..

    Abraco

  2. Luis diz:

    Tambem tive pena da nao passagem, mas foi um bom jogo de futebol. (nesta altura ha que salientar os aspectos positivos para relativizar).
    Grande jogo do guarda redes alemao com defesas de merito.
    Sem duvida, o destaque da partida.
    Do lado do Porto tambem gostei do Lucho, Paulo Assuncao e Lisandro, mas dava o destaque principal ao Mariano que, tal como foi dito, jogou na defesa, no meio campo e no ataque e foi um dos factores para nao se ter notado (muito) que o Porto esteve a jogar com 10, nos minutos finais e em todo o prolongamento.
    Nao seria propriamente altura para criticar a escolha dos eleitos para a marcacao das grandes penalidades pois do outro lado esteve um grande guarda-redes, mas ha que reflectir nas escolhas.
    Julgo que o criterio que o treinador do Porto teve tera sido o de escolher os que supostamente melhor suportariam a pressao do momento.
    Sera um criterio valido mas nao creio que seja o melhor.
    A defesa do remate do Lisandro foi espectacular como demonstra a imagem do texto.

  3. Rui Zamith diz:

    Caro Luis,

    Acho tambem que no que toca aos penalties nao havera muito a criticar, pois e um momento extremamente complicado para qualquer atleta. De qualquer das formas, nao me canso de dizer que o guardiao alemao tera feito a partida da vida dele. Foi de facto “sobre-humana” a exibicao que ele conseguiu no Estadio do Dragao, e muito desta derrota a ele se deve. Deve-se tambem a alguma desorganizacao na hora de definir as jogadas – o que tambem acaba por ser compreensivel, pois defrontar uma equipa fortissima e que joga totalmente atras da linha da bola devera ser das funcoes mais complicadas no futebol actual.
    A postura na fase de prolongamento ja foi totalmente distinta, e essa sim teria sido a altura certa para sentenciar a partida, algo que infelizmente nao fomos capazes de fazer!

  4. joaorsfonseca diz:

    Pela critica que o Rui fez e pelo comentario do Luis fico com pena de so ter conseguido ver o prolongamento.

    Mas do que vi e o FCP a jogar com 10, gostei imenso. Fiquei admirado ao ver o Mariano a jogar no lado direito da defesa.

    O que falta a este FCP é ritmo e competitividade internamente. O FCP faz jogos a serio apenas na Liga dos Campeoes, e jogos a serio nao podem ser jogados apenas de duas em duas semanas ou com intervalos de 3 meses. Nao tenho duvidas que esta equipa no campeonato Espanhol lucraria em muito.

    Mas meus amigos, falta-nos um medio como o Deco/Anderson, que agarre na bola e seja capaz de num 1-para-1 decidir e fazer a diferenca. Pelo o que vi de Leandro Lima, tem o perfil para a posicao, podera � nao ter cabeca. O Ibson ainda faz parte dos quadros do FCP?

  5. Rui Zamith diz:

    Joao Fonseca,

    Concordo em pleno com essa visao. Lucho Gonzalez é um jogador fantastico, cerebral, mas nao é um numero 10! Nao é um jogador que decida ofensivamente, peso que actualmente tem sido colocado nas suas costas. Juntamente com a ineficiência do Quaresma, o Porto tem dependido quase exclusivamente do artilheiro Lisandro Lopez. Falta neste Porto maior poderio ofensivo no meio-campo, um jogador com velocidade, que saiba bater as bolas paradas e tenha a verdadeira escola de um 10 – Alenitchev e Deco sao os melhores exemplos, de facto.

    Nao obstante a exibicao mirabulante do Neuer, julgo que um Porto com maior capacidade criativa no miolo teria vencido esta partida. Na Europa e comum encontrar equipas que vem defender o resultado, e o Porto nao pode ter como unico “trunfo” as rapidas transicoes ofensivas – ai sim, Quaresma, Tarik, etc, sao fantasticos – mas sim a capacidade de pressionar forte em ataque continuado.

    Outro parametro que me choca sao as bolas paradas. Quer em zona frontal, quer nas laterais ou ate na marcacao de cantos este Porto e demasiadamente fraco para se impor na Europa. Ate acredito que o Quaresma seja dos melhores “batedores”, mas se assim o é entao precisamos efectivamente de ir ao mercado. Trata-se de um factor importantissimo em alta competicao, e no qual teimamos em nao apostar. Diria que ate Sporting e Benfica tem mais capacidade que o Porto neste particular.

    Fora isso, de louvar o esforco e espirito da equipa. Oxala todas as equipas portuguesas se comportassem assim a jogar na Europa.

  6. joaorsfonseca diz:

    Tens toda a razao. Hoje em dia as bolas paradas sao importantissimas. Mas em relação ao verdadeiro n.10, nao estou a ver o FCP a usar um. Se bem me lembro, o Jesualdo não o usava enquanto esteve no Braga. O FCP precisa de ter mais soluções, mais maneiras de criar perigo. E os jogadores precisam de ter mais motivação, mas isso não depende do FCP. O nosso campeonato é demasiado fraco para a dimensão que o FCP já tem. E nao digam o contrario. O FCP neste momento tem futebol para ser campeao europeu, peca apenas em certos detalhes. Nao vemos na Europa equipa que jogue mais que o FCP.

  7. Nuno Jorge costa diz:

    Ola, Boa tarde, sou portista, vivo na ilha de Sao Vicente Cabo Verde. Concordo com a opiniao do Andre, é claro que o porto tem uma boa equipa, mas para vencer a Champions é preciso manter a equipa que tem e reforçar o meio campo com um nº 10 e que bate bem as bolas paradas, aí sim estaremos em condições de competir em igualdade com qualquer equipa europeu (como há três anos atrás), mas isso só pro ano, porque este ano a europa já era para nós. André o porto é um grande europeu, fomos campeões europeus há três anos atrás e não há três décadas, somos a equipa ao lado do Manchester, os únicos totalistas desta competição, somos a equipa que mais pontos tem dado a Portugal no ranking da europa, se hoje Portugal entra com duas equipas directo na Champions e vai as pré-eliminatórias é graças ao porto, eu penso que todos os portugueses deviam ter orgulho desta equipa, tchau, cumprimentos.

  8. alexandre macedo diz:

    meus caros patricios,assisti o jogo do meu porto aqui do brasil e devo dizer-lhes que o maior culpado pela derrota do porto foi sem duvida o sr.jesualdo Ferreira,um treinador mediocre,covarde,que nao se mexe do banco durante as partidas,fica ali sentado ou em pe, frio,sem alma,sem garra,um bom clube de futebol tem que ter um tecnico aguerrido,que passe garra e animo aos jogadores,que berre,que cobre que incentive,e uma pena um grande clube ter um pequeno treinador,era para o porto ja ter sido campeao e invicto,nao fosse a cobardia e burrice desse senhor,o Pinto da Costa que me desculpe mas em manter esse cidadao esta prejudicando o porto,vai ser campeao?claro que vai,mas nao e’ por meritos desse cara e sim dos excelentes jogadopres que o porto tem,leio estarrecido que renovou por mais um ano,QUE PENA,NAO VAMOS PASSAR DOS TITULOS CASEIROS,mas que se ha-de fazer,vou,assim mesmo continuar torcendo,e’ so o que me resta

  9. Rui Zamith diz:

    Caro Alexandre,

    Apesar de nao de forma tao “incisiva”, sou obrigado a concordar com a maioria das suas afirmacoes. O Jesualdo Ferreira nao tem a fibra necessaria para levar o Porto ao topo da Europa, e a nivel interno beneficia nao so do sublime plantel de que dispoe, como igualmente conta com a “ajuda” dos seus adversarios, que estao literalmente nas ruas da amargura. No entanto, uma coisa seja dita: temos um Porto pacifico, organizado, e com uma boa equipa. E actualmente e’ muito dificil mudar de treinador, e garantir que ele se adapte positivamente. Como tal, compreendo a opcao do Pinto da Costa. Mantemos a tranquilidade, e com um pouquinho de sorte chegaremos mais longe na Champions para a proxima epoca. Pode ser tambem que o Jesualdo ganhe um pouco mais de “pulso” para vencer na Europa.

    Cumprimentos

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