Memória: Gheorge Hagi - «Maradona dos Cárpatos»

A história deste astro do futebol mundial é fácil de contar. Por tudo aquilo que revelou dentro e fora das quatro linhas, Gheorghe Hagi gravou o seu nome na história do futebol, com especial relevo para a Roménia, onde se lançou para o futebol, e para a Turquia, país onde conseguiu definitivamente soltar todo o seu potencial. Dos seus pés saía magia.

O aparecer de um génio
A sua carreira iniciou-se na longínqua década de 70. Saído da cantera do FC Farul Constan?a, primodivisionário romeno, Hagi rapidamente se assumiu no patamar sénior em 1982, ganhando rapidamente algum protagonismo no seu clube de origem. Ao fim de 18 partidas, e com qualidades bem acima da média, o criativo romeno deu o primeiro salto da sua carreira, ao assinar pelo também romeno Sportul Studentesc, clube da capital onde Hagi cumpriu mais de 100 jogos, com uma impressionante média de 58 golos. Depois de 3 anos de exibições convincentes e de uma regularidade impressionante, e num país onde abundavam atletas de boa valia ofensiva, Hagi era já considerado uma das maiores figuras do seu campeonato. Contudo, e apesar do interesse de inúmeros clubes europeus, o regime comunista não lhe permitiu de imediato abandonar o seu país, mudando-se no entanto para o Steaua Bucareste, na altura recém-vencedor da maior prova europeia de clubes. Em 3 temporadas, “Gica” Hagi atingiu o rendimento de um autêntico ponta de lança, marcando por 76 vezes em 97 partidas da 1ª Liga; atingiu igualmente as semifinais da Taça dos Campeões Europeus em 1988, vencendo o campeonato e a taça do seu país por 3 vezes consecutivas. Curiosamente, e numa fase primária, o contrato de Hagi abrangia apenas uma partida - a final da Supertaça Europeia - algo que foi naturalmente rectificado.

hagi005_1_.jpgReal Madrid, Brescia e Barcelona
Corria o ano de 1990. Depois da fase final do Mundial de 1990, Itália, e depois de um enorme assédio de vários clubes europeus, Hagi haveria mesmo de conseguir a tão almejada transferência para um gigante europeu: nada menos do que o Real Madrid, na altura comandado pelo antigo astro Alfredo Di Stéfano. Contudo, e apesar de ter imposto de certa forma o seu futebol, o romeno acabou por nunca se libertar de factor externos, como a vida na capital espanhola ou o próprio estilo de futebol praticado em Espanha.
Refugiando-se num dos seus principais mentores, Mircea Lucescu, Hagi mudou-se de armas e bagagens para o Brescia, clube que na altura se encontrava inserido na Serie B italiana. Apesar do arrojo da opção, o médio literalmente pegou na pequena equipa de Lombardia às suas costas, e depois de 2 anos em Itália, o destino havia de lhe pregar uma nova partida. O aparecimento do Barcelona no lote de interessados nos seus serviços trazia Hagi de novo para a Península Ibérica, e para uma nova fase de “desaparecimento”. Se no Real teve capacidade para jogar com regularidade, no Barça a história foi ainda mais triste: cerca de 30 partidas em 2 temporadas, a maioria delas como suplente utilizado.

Galatasaray
Quando, em 1996, “Gica” tomou a decisão de se mudar para perto de casa, muitos o colocavam já como acabado para o futebol. Com 31 anos, o astro de leste acabaria por embarcar na fase mais dourada da sua carreira, com 6 temporadas de altíssimo nível. Hagi venceu o campeonato turco por 4 vezes consecutivas, 2 taças da Turquia e foi considerado o MVP do seu campeonato por 6 vezes sem excepção! As suas enormes qualidades dentro e fora de campo levaram a que Gheorghe Hagi fosse amado por todos, num país onde o futebol é vivido com um enorme clubismo. Hagi era, no entanto, a mágica excepção à regra. Tecnicamente perfeito, a sua inteligência era visível em qualquer lance, e quer fosse por intermédio da finta, do passe ou do remate, a probabilidade de sucesso era tremendamente elevada! Hagi ficou famoso pelas arrancadas infernais nos últimos 35 metros, culminadas com remates fulminantes para o fundo das redes, com ambos os pés. Ainda hoje são recordadas as suas sublimes diagonais em progressão, onde até o movimento corporal servia para se “desfazer” dos adversários.
O ano de 2000 culminaria de forma poética, com a fabulosa conquista da Taça UEFA frente ao Arsenal, numa partida onde as camaras pareciam estar programadas para filmar única e exclusivamente o astro romeno. No ano seguinte, era o Real Madrid o adversário para a Supertaça Europeia. Nova vitória, desta feita com um sabor bem especial.

Actualmente, Hagi vive do seu sucesso e a carreira de treinador iniciou-se de forma imediata, tal era a paixão que emanava do seu futebol. Contudo, e à semelhança do que acontece com muitos outros, Gheorghe Hagi ainda não revelou qualidades suficientes para deixar a sua marca como técnico de futebol. O futuro o dirá.

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Melhores momentos de Gheorghe Hagi

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