Análise: BwinLiga 07/08 > J23 > Maritimo 1×1 Benfica
Um golo de excelente execução do jovem estreante Ytalo chamou a justiça a um jogo que só o Marítimo merecia ganhar. O Benfica voltou a mostrar uma enorme rede de trapos no que toca a constituir uma equipa, que sem cor nem talento, aliada a uma gritante falta de resposta física, pouco ou nada fez para levar os 3 pontos do “caldeirão” dos Barreiros.
O Benfica deslocava-se ao Funchal com o pensamento na recuperação do 2º lugar, que entretanto havia sido resgatado pelo Vitória de Guimarães. Durante a semana, Chalana fez questão de desempenhar o seu novo trabalho como treinador de forma descontraída e mesmo apaixonada, sem aparentes preocupações com a sua sucessão. O recurso ao sócio nº 8051 do Benfica foi a alternativa que “em princípio” ficaria até ao final da época, mas foi evidente a forma como Luis Filipe Vieira acompanhou de perto a equipa, perspectivando que o melhor para o universo benfiquista seria resistir ao jogo do Funchal.
Chalana tinha de meter nos carris rumo às boas exibições uma equipa desequilibrada e com uma atitude medíocre. Desde logo, a boa notícia do regresso de Binya à equipa, o camaronês passou de aposta de último minuto a titular indiscutível. Além de assumir um papel importante na equipa, a verdade é que na sua primeira época na Europa, Binya mostra uma enorme margem de progressão, assumindo-se como um excelente recuperador de bolas aliado a um grande carácter dentro de campo.
Fernando Chalana surpreendia ao apostar num 4×2x3×1, com Sepsi e Luís Filipe nas alas, colocando Petit, Binya e Rodríguez no meio e deixando Rui Costa no banco de suplentes. Na frente, Cardozo ganhava a corrida a Makukula e Nuno Gomes, com Mantorras a ter de ver o jogo da bancada. Uma opção explicada pela necessidade de dar descanso ao 10 encarnado, mas a verdade é que o benefício em músculo foi perdido na fantasia, o que levou a equipa a jogar um pouco encolhida, sem capacidade para criar rupturas, dada a “rigidez” de processos. Do lado insular, destaque para a inclusão de um tridente médio bem ofensivo, formado por Mossoró, Fábio Felicio e o fantasista Marcinho, no apoio a Baba que ocupava a posição mais avançada.
A primeira metade, resume-se a um jogo repartido com a turma de Lazaroni a entrar mais esclarecida, pertencendo-lhe mesmo a primeira grande ocasião da partida com Fábio Felício a cruzar da esquerda, Katsouranis alivia mal a bola para a entrada da área e Marcinho remata forte, para Quim efectuar a defesa da noite. A resposta do Benfica, surgiria logo a seguir, com Cardozo a dar a melhor sequência de cabeça a um bom cruzamento de Sepsi, apontando o seu décimo tento na prova. Em vantagem desde os 26 minutos, o Benfica contou com a possibilidade de aumentar a vantagem e cimentar o triunfo frente ao Marítimo, mas nem moralizados pelo golo os encarnados foram mais autoritários na abordagem à baliza de Marcos.
O intervalo seria determinante para o Marítimo voltar à partida. O Benfica, com Petit a juntar mais uma clara má exibição a tantas outras nesta época, e Luis Filipe sem a mínima noção do que fazer em campo, o Marítimo sempre com bom toque de bola e inteligência na ocupação dos espaços começava a colocar na mira a baliza de Quim. Para isso, viriam a revelar-se ainda mais decisivas as mudanças operadas por Sebastião Lazaroni, com Djalma a ser uma flecha no lado esquerdo e Ytalo a revelar-se o talismã da noite. O Marítimo via-se obrigado a substituir Ricardo Esteves por Briguel, devido a lesão, enquanto os visitantes chamavam o “maestro” Rui Costa para render Luís Filipe. Entrado segundos antes, o jovem brasileiro Ytalo, assinalou da melhor forma a sua estreia na Liga portuguesa ao assinar o tento do empate aos 74 minutos, na primeira jogada em que tocou na bola. A estreia de sonho desenhou-se com uma inexplicável perda de bola atacante do Benfica, que completamente e estranhamente descompensado no seu reduto, permitiu a fuga pelo lado esquerdo de Ytalo, que perante uma assustadora apatia de Edcarlos desferiu um remate cruzado que surpreendeu Quim. Numa segunda parte em que o recuo protagonizado na etapa complementar permitiu o empate à equipa insular - que até acabou por estar mais perto do triunfo - o Benfica ainda tentou virar a partida mas já não havia tempo nem sobretudo alma para reagir.
Depois da eliminação europeia a meio da semana, o Benfica consegue ainda assim manter a vice-liderança, mas agora em igualdade pontual com o Guimarães, apesar do empate - o terceiro consecutivo - frente ao Maritimo, no Funchal. Dada a manifesta ausência de reacção da equipa à alteração de voz de comando no balneário, uma susceptível tomada de novas decisões poderá ganhar forma, numa altura em que o Benfica terá um espaço de 15 dias até novo jogo para a Liga (para a semana é tempo de final da Taça da Liga entre Setúbal e Sporting), . A apreensão ronda sobretudo à volta do presidente encarnado que como se sabe, mostra um apetite voraz para intervir numa área que claramente não domina - a gestão do futebol. Os números não deixam enganar, com dezenas de jogadores mal contratados e 5 treinadores cheios de ambição que saíram sempre como queixosos. Mesmo que possível, uma solução de emergência parece-me não se afigurar a mais adequada. Além de difícil, nesta fase da época encontrar um treinador disponível e com vontade suficiente para superar a indefinição classificativa, esbarra com o risco de extermínio do estado de graça desejável para o início de 2008/09.








