Análise: UEFA Cup 07/08 > 8F > Sporting 1×0 Bolton
O Sporting recebeu o Bolton no seu estádio para a segunda mão dos oitavos de final da Taça UEFA, após o empate conseguido em Inglaterra, algo que augurava boas perspectivas para a equipa leonina seguir em frente na competição. As cerca de 22 mil pessoas que se deslocaram ao estádio ( de realçar a forte presença de adeptos ingleses ) assistiram a uma partida algo monótona e de entusiasmo intermitente, onde ficou a impressão de que o Sporting poderia ter decidido o jogo muito mais cedo.
A grande novidade neste encontro era o regresso de Liedson após lesão, entrando de imediato na equipa titular, e a ausência de Miguel Veloso, substituído por João Moutinho no lugar de pivot defensivo, proporcionando a introdução de Romagnoli no onze. Quanto à equipa inglesa, o facto mais evidente eram as ausências de diversos jogadores habitualmente titulares e o aparecimento do português Ricardo Vaz Tê a titular da frente de ataque. O Sporting entrou forte na partida, exercendo um pressing que lhe permitia encostar o Bolton à sua área quase durante os primeiros dez minutos. No entanto, a sua intensidade de jogo foi diminuindo gradualmente, coincidente com a capacidade da equipa inglesa em fechar os espaços no seu meio campo. O Sporting esteve cerca de 30 minutos a demonstrar um futebol de contenção, a privilegiar a troca de passes curtos a um ritmo moderado. Era visível a preferência da equipa em lançar-se para movimentos atacantes calculados, de modo a tentar evitar perdas de bolas desnecessárias e deslocação excessiva dos jogadores das suas áreas de influência concretas. Como tal, os contra ataques da equipa muito raramente eram conduzidos a um ritmo acelerado e rápido, preferindo os jogadores a manutenção da posse de bola e atacar apenas pela certa. Notava-se contudo uma invulgar ineficácia nas trocas de bola, resultando em diversas perdas, talvez acusando falta de concentração ou de frescura física. Face a esta dificuldade em trocar a bola de um modo constante e eficiente até à área do Bolton, a equipa demorou a causar transtornos à defesa inglesa, conseguindo-o apenas nos quinze minutos finais da primeira parte, através do aumento de intensidade e ritmo de jogo, tendo-se denotado a movimentação mais efectiva das unidades atacantes do Sporting, mais concretamente de Romagnoli e Vukcevic. Apesar deste crescendo atacante no final, a equipa evidenciou uma incapacidade de se lançar para zonas mais avançadas do terreno, devido precisamente à falta de movimentação ( e igualmente de movimentos correctos ) no momento de construir jogo. Apenas João Moutinho se encarregava de vir buscar jogo ao seu meio campo, acusando por vezes falta de profundidade nas linhas de passe e de movimentações mais frequentes, de modo a soltar-se dos jogadores ingleses que se encontravam por diversas ocasiões próximos da sua zona. Romagnoli encostava-se em demasia à linha da frente da equipa, afastando-se das melhores posições onde poderia receber a bola e lançar depois os seus companheiros.
Paralelamente a esta inércia de movimentos, o aspecto do passe curto e de alguma aparente falta de entendimento impediam o Sporting de apresentar um estilo de jogo fluido, contínuo e acertado. O Bolton, tal como era previsto, veio a Alvalade praticar o mesmo futebol directo que já havia demonstrado em Inglaterra, apesar de agora revelar alguma capacidade para jogar curto e para manter a posse de bola, embora preferindo sempre os lançamentos longos no ataque. O poderio físico dos seus jogadores voltava a prevalecer, mas nas segundas bolas o Sporting conseguiu um equilíbrio que na primeira mão lhe tinha causado tantas dificuldades em obter.
No segundo tempo a partida revelou um maior domínio do Sporting, onde a sua superioridade na capacidade técnica sobressaiu e o número de remates aumentou consideravelmente, fruto da aproximação da equipa à área inglesa e do balanceamento crescente para o ataque. As combinações saíam com maior consistência embora a dificuldade em penetrar na defensiva do Bolton se mantivesse. O desgaste físico dos jogadores do Sporting revelava-se, e a troca de Vukcevic e Izmailov por Tiui e Adrien, respectivamente, justificava-se. O avanço de Moutinho no terreno proporcionou maior segurança nas trocas de bola e uma capacidade de pressionar em áreas mais avançadas no terreno, bem como na possibilidade de maiores recuperações de bola. A frescura de Adrien soltou Moutinho para missões mais ofensivas na tentativa de conseguir um golo que soltasse a equipa do nervosismo e evitasse um possível susto, caso o Bolton conseguisse eventualmente inaugurar o marcador contra a corrente do jogo. Novamente nos últimos quinze minutos o Sporting aumentava o ritmo e revelava que a equipa inglesa acusava muito este aumento de pressing, tendo conseguindo inaugurar o marcador aos 85′ por Pereirinha após desmarcação pela direita, assistido por Moutinho, tirando um adversário do caminho para depois atirar colocado ao ângulo, de pé esquerdo, para um golo de belo efeito. Depois foi apenas necessário ao Sporting controlar a vantagem, tendo sofrido uma pressão final quase inofensiva, onde é de destacar a falta de fair-play dos jogadores ingleses que, após o Sporting ter colocado a bola fora para um jogador seu ser assistido, não a devolveram, gerando posteriores protestos por parte dos jogadores leoninos e do público presente no estádio. Apesar de na altura faltar pouco tempo para o fim do jogo e de se encontrarem em desvantagem na eliminatória, a acção não se justificava.
Destaque portanto para o regresso de Liedson que, mesmo não marcando qualquer golo, confere à equipa uma capacidade de recuperação de bolas no ataque fundamental, graças à sua entrega e vontade, pressionando os jogadores mais recuados do Bolton e dificultando as suas saídas para o ataque. João Moutinho foi uma unidade importante nos momentos defensivos e no transporte de bola para o ataque, enquanto que Leandro Grimi se revelou mais uma vez uma opção muito válida para o sector esquerdo da linha defensiva, ontem intransponível e com fácil envolvimento nas jogadas de ataque, não complicando em momentos de aperto, demonstrando um estilo prático e eficiente. Pereirinha revelou bom entendimento com Abel e foi importante na capacidade rematadora da equipa, causando desequilíbrios também com a sua velocidade, tendo marcado o seu segundo golo na competição.
O Sporting consegue assim a passagem aos quartos de final da Taça UEFA sem ter apresentado grandes índices exibicionais, jogando os quartos-de-final com os escoceses do Glasgow Rangers, e disputando novamente a primeira mão fora frente uma equipa britânica. Apesar do estilo de jogo assentar em moldes semelhantes, esta equipa escocesa revela maior intensidade de jogo e de futebol atacante, conciliados com a disciplina táctica habitual de equipas escocesas, e igualmente com o carácter físico do seu futebol. O Sporting permanece assim como o único representante de equipas portuguesas nas competições europeias esta época.








