Análise: BwinLiga 07/08 > J22 > V.Guimarães 2×0 Sporting
Poderosa exibição de um Vitória personalizado. Em 90 minutos de futebol emotivo e “rasgadinho”, os vimaranenses demonstraram o porquê de tão bela temporada, mantendo acesa a luta pelo acesso à Liga dos Campeões. Já o Sporting prossegue o calvário na BwinLiga: desmotivada, desunida, a turma de Paulo Bento revela graves lacunas e foi presa fácil para uma equipa notável.. a todos os níveis.
Mesmo antes do Sporting x Benfica da jornada 21, já Paulo Bento teria em mente a deslocação ao norte de Portugal, para uma partida que haveria de ser crucial para as aspirações leoninas. Assim sucedeu, e o Sporting deslocava-se ao Afonso Henriques para uma partida complicadíssima, frente a um Vitória que finalmente tinha a oportunidade de mostrar se as garras estariam definitivamente afiadas na luta pela Europa. A surpresa no onze de Cajuda consistia na opção por Momha, um elemento que depois de recuperado de longa lesão era lançado para a lateral esquerda, permitindo a Desmarets adiantar-se ligeiramente na ala esquerda, podendo assim soltar o seu excelente sentido ofensivo. As linhas-mestras da equipa minhota mantinham-se, e não havia porquê de as alterar: o objectivo era claro, a vitória.
Do lado do Sporting, e depois de um conjunto de partidas fatigantes (Benfica e Bolton), as marcas eram evidentes na equipa: Liedson era baixa de vulto, ao passo que Vukcevic (e apesar das evidentes dificuldades no seu ombro direito) se mantinha na equipa. Miguel Veloso e Pereirinha sentavam-se no banco de suplentes; Adrien Silva era titular juntamente com Purovic.
Desde cedo se percebeu como o Sporting era incapaz de tomar as rédeas da partida, resumindo a sua capacidade ofensiva a alguns fogos que a defensiva vitoriana apagava com maior ou menor dificuldade. Já o Vitória, alicerçado num meio-campo de força e garra, ia construindo lances de perigo demonstrando uma clara apetência pelas faixas laterais, onde Alan iniciava uma fantástica exibição e Desmarets demonstrava primor nos lançamentos para a área. Na fase final do primeiro tempo foram vários os lances de eminente perigo para Rui Patrício, parecendo evidente que o golo acabaria por surgir. Foi no entanto necessária a ajuda de um elemento mais defensivo: Sereno. O excelente defensa vitoriano a empurrar para o fundo da baliza no seguimento a um livre de João Alves, num lance em que Ghilas se encontrava em ligeiro fora-de-jogo.
O golo justificava-se, e chegava na pior altura para um Sporting demasiadamente amorfo, uma equipa psicologicamente débil e sem capacidade para unir as linhas. Moutinho revelava-se vital, como de costume; Izmailov e Vukcevic eram elementos esforçados, contudo desapoiados e incapazes de criar lances de efectivo perigo.
Com cerca de 27.000 adeptos a assistir ao vivo a esta partida, tudo corria de feição para os vimaranenses. A segunda-parte iniciava-se, e Paulo Bento era por esta altura um treinador ansioso, que aos 55′ substituía um apático Adrien pelo esforçado Pereirinha. Pouco depois era Miguel Veloso a entrar para o lugar de Abel, numa óbvia tentativa de povoar o meio-campo, tentando minimizar as investidas minhotas. Fisicamente bem mais fortes e vigorosos, tacticamente cultos e com níveis de confiança inabaláveis, os pupilos de Manuel Cajuda raramente perderam a calma, e os últimos 20′ haviam de ser de absoluto controlo. A forma como ganhava os lances e transitava rapidamente para o ataque eram reveladores de uma equipa madura, bem trabalhada, e onde nada é feito ao acaso. A nível defensivo, Geromel rubricava uma exibição sublime - os “grandes” que atentem neste jogador - e era o primeiro eixo defensivo da equipa; já Ghilas e Alan eram autênticos quebras-cabeças para um quarteto defensivo fragilizado, onde Tonel, Polga ou Grimi nunca se conseguiram impôr, e a prova disso haveria de ser a grande penalidade cometida pelo argentino sobre Alan, aos 85′. A marcação do mesmo haveria de tomar contornos curiosos, pois não só Rui Patrício defendeu a bola já bem distante da linha de baliza, como Alan simulou o remate, algo igualmente inválido. O que é facto é que Patrício conseguiu agarrar o esférico, e o golo vitoriano acabaria por surgir já depois dos 90′ pelo recém-entrado Fajardo. Uma forte transição ofensiva, a resultar num golo simples e bonito.
Vitória plenamente justificada de uma equipa que agora soma 38 pontos, menos 2 que Benfica e mais 4 que Sporting. Se a posição do V.Guimarães é soberba, já o Sporting se encontra num miserável 5º posto, algo preocupante para uma equipa de outro patamar financeiro. Se o Belenenses não parece ser um real perigo, já os dois “Vitórias” estão de pedra e cal na luta pelos lugares cimeiros e certamente não deixaram de dar o tudo por tudo por um lugar ao sol.

