Análise: BwinLiga 07/08 > J21 > Boavista 0×0 Porto

Naquele que consistiu em mais um dos três derbies desta jornada futebolística, o Porto deslocava-se ao mítico Estádio do Bessa para uma jornada que se adivinhava tranquila, não apenas pelo conforto da sua posição actual, mas igualmente pelo 10º e modesto lugar ocupado pelos axadrezados na actual campanha.

Jesualdo Ferreira, e à semelhança do que havia sucedido para a Taça de Portugal, mantinha a sua política de gestão de esforços, desta feita deixando Lisandro, Bosingwa e Pedro Emanuel fora da convocatória. Já Quaresma, Bruno Alves ou Raúl Meireles iniciavam a partida no banco de suplentes, prontos para qualquer eventualidade. Pacheco, por seu lado, escalava o seu melhor onze, com os defesas “ofensivos” Marcelão e Jorge Ribeiro, Diakité no miolo, e Mateus com Zé Kalanga no apoio ao ponta-de-lança Laionel.
Engane-se contudo quem pensaria ver um Porto tímido e pouco pressionante. Pelo contrário, perante vários milhares de adeptos azuis que invadiram o Bessa, os 11 portistas entraram bem confiantes desde início, com Paulo Assunção e Lucho Gonzalez como os únicos elementos basilares de quem Jesualdo Ferreira não prescindiu. Apesar de nunca atingir os níveis que fizeram deste Boavista um “Boavistão”, os pupilos de Jaime Pacheco conseguiram a espaços jogar um futebol agradável, rasgadinho e de grande componente física. Os portistas não se ressentiram nem um pouco, e até foram os habituais menos utilizados algumas das surpresas da partida. Kaz mostrou finalmente um pouco mais daquilo que o fez saltar para os dragões, fisicamente muito robusto, com um futebol directo e eficaz, e utilizando por diversas vezes o seu fabuloso pé esquerdo para visar a baliza de Jehle, mesmo que sem sucesso. Stepanov, e depois de uma fase mais atribulada, formou igualmente com João Paulo uma dupla defensiva de imensa qualidade, sem uma única falha e com disponibilidade para dar e vender perante o veloz trio ofensivo boavisteiro.

013666122-ex00.jpgDepois de um primeiro-tempo entretido e com algumas oportunidades de golo, Jesualdo Ferreira fez entrar o criativo Quaresma, fazendo descansar o cerebral Lucho para a partida europeia. Contudo, o Porto entrou mais pausado, muito por culpa de uma clara retracção boavisteira, que parecia temer algum pragmatismo portista. Assim, e depois de meia-parte morna e sem grandes pontos de interesse os dragões partiram para uma ponta final notável, inclinando literalmente o campo do tão “britânico” Estádio do Bessa. Foram 20 minutos de grande fulgor, e onde se destacaram dois elementos, pela sua confiança e profundidade ofensiva: Quaresma e Mariano. Se no primeiro a magia é algo inerente ao seu futebol, já Mariano tem tido alguma dificuldade de afirmação, mas creio que esta partida - e juntamente com aquilo que o argentino demonstrou frente a Paços de Ferreira e Gil Vicente - terá convencido alguns dos mais cépticos. Muita velocidade, tacticamente irrepreensível no corredor direito e em algumas zonas interiores, Mariano Gonzalez assumiu finalmente a sua experiência e criou imensas dificuldades à fatigada defensiva boavisteira, merecendo um enorme destaque nesta fase final da partida.
Aos 86′, o rumo do jogo poderia - e deveria - ter-se alterado, depois de Stepanov ter cabeceado imparàvel para o fundo da baliza contrária. Um lance que parece ter sido mal invalidado - quanto mais não seja pelo não cumprimento do benefício ao ataque, em caso de dúvida milimétrica. Quaresma ainda teve tempo para um soberbo tiro à barra da baliza, mas as contas estavam feitas. Um ponto para cada lado, e apesar de tudo um enorme conforto portista no final de mais uma jornada. Restará assistir tranquilamente ao clássico Sporting x Benfica, onde certamente haverá perda de pontos para algum dos lados.

É de elogiar esta aposta bem sucedida na rotatividade, algo que na época passada havia sido “esquecido” por Jesualdo Ferreira e que chegou a causar uma evidente mossa na equipa. Desta forma, e com o excelente auxílio de competições como a Taça de Portugal ou a Liga Intercalar, o plantel do FC Porto a revelar uma enorme consistência e uniformidade, e só isso permitiu a esta equipa sair do Bessa muito perto da vitória. Uma importante dose de moralização para os menos utilizados, e uma fundamental dose de “rejuvenescimento” para alguns atletas que contam já com inúmeras partidas nas pernas. Venham daí os alemães!

Deixe o seu comentário