Análise: Taça de Portugal > 8F > Benfica 4×1 Paços Ferreira

Aprender com os erros. Esta é a principal lição do jogo que opós um Benfica encurralado nos seus próprios defeitos a um Paços que não aguentou o factor surpresa de um tento madrugador. A passagem aos quartos-de-final significa mais que seguir em frente na prova, um verdadeiro balão de oxigénio para um equipa em profunda crise de confiança e processos de jogo.

O Benfica foi o último dos grandes a entrar em acção para disputar os oitavos de final da Taça de Portugal. A recepção aos castores de José Mota era mais que um teste contra uma equipa bem organizada pelo seu treinador, era sim uma prova de tranquilidade a um Benfica teimosamente instável, sobretudo no seu reduto. O dia do jogo ainda estava longe e confesso que fiquei surpreso pela titularidade antecipada de Makukula, que penso ser justificada pelo eventual cansaço de Cardozo que havia alinhado pela sua selecção a meio da semana. O 4x2x3x1 teimava em aparecer mesmo com a ausência por lesão de Petit, Camacho não arredou a ideia de 2 médios centro (trincos) e colocaria Maxi ao lado de Katsouranis. À frente uma linha de 3 homens, Rodriguez, Rui Costa e Assis que apoiariam o estreante Makukula naquilo que parecia uma estratégia em função do jogo de cabeça do luso-congolês.

Se o ambiente já era frio e os adeptos ansiavam por uma resposta à altura da sua equipa, a verdade é que ainda não tinham aquecido o lugar quando Butt já estava a buscar a bola no fundo das suas redes. Os castores mostravam o seu grande trunfo mal Augusto Duarte apitava para o inicio da partida. Jogada rápida, com o elemento mais avan�ado pacense Wesley a servir de pivot e a servir Pedrinha que com todo o tempo do Mundo remata sem oposi��o, com a defesa encarnada a ver jogar. Jos� Mota n�o poderia estar mais satisfeito ao ver que a aposta em transi��es r�pidas entre o meio-campo e os homens mais avan�ados e com grande mobilidade, resultavam em perigo na frente, perante uma completa desaten��o de todo o sector defensivo com destaque para Luis�o e sobretudo Edcarlos. O Benfica demorou a picar o gelo em que a equipa se instalaria e passaria 30 minutos de aut�ntico desnorte, sem ningu�m capaz de conduzir os processos da equipa nem pautar o pr�prio jogo. Rui Costa estava em campo, mas a verdade � que n�o prescindindo dos dois m�dios centro, lan�ando o maestro para terrenos mais avan�ados, o Benfica embrulhava o seu elemento de constru��o na teia defensiva dos pacenses. O 4x2x3x1 n�o era claramente solu��o e Camacho rendeu-se ao evidente fazendo entrar Cardozo para o lado de Makukula e assim responder aos anseios quer da equipa quer dos adeptos, desfazendo o descolorido meio campo, recuando Katsouranis para o lugar de Edcarlos. A verdade � que ao recuar o grego, a equipa n�o ganhou apenas poder de fogo na frente com a dupla Makukula e Cardozo, mas quanto a mim, recuperaria a classe de Rui Costa para a partida. Com dois avan�ados na frente, o Benfica oscilaria de um falso 4x4x2 para um 4x3x3 onde Cardozo se revelaria eficaz, com o perfume do maestro que ganhava terreno � sua frente para a condu��o do ataque da equipa. A verdade � que a equipa ganhou op��es e os jogadores come�aram a procurar espa�os e melhores solu��es no assalto � baliza de Pe�anha.

Análise: Taça de Portugal > 8F > Benfica 4x1 Paços FerreiraO intervalo n�o chegaria sem que antes Cardozo se revela-se importante, mais uma vez, para a equipa. O paraguaio concretizava o 1� penalty da partida e restabelecia alguma tranquilidade aos adeptos e sobretudo aos colegas antes de recolherem ao balne�rio. A segunda parte revelar-se-ia esclarecedora perante a altera��o t�ctica da equipa, muito embora Camacho insista em falar em atitude, a verdade � que com Rui Costa mais recuado a equipa ganhou nova alma. Se Makukula mostrava refer�ncias no desgaste da defesa contr�ria, Cardozo esse ganhava novo espa�o (em desmarca��es constantes) nas costas do estreante ex-Maritimo e tratou de revelar-se na pr�pria constru��o de jogo da equipa. Os pupilos de Jos� Mota limitavam-se a suster as investidas advers�rias e apostavam agora nos lan�amentos longos e livres indirectos, tal era a preocupa��o com as duas torres vermelhas na sua �rea. O 2� golo foi o resultado da nova for�a na frente de ataque, com Makukula a sofrer falta quando se preparava para cabecear. Cardozo voltaria a n�o perdoar com mais um remate seco, com for�a e quanto a mim, ganha cada vez mais espa�o quer na equipa como no seio dos pr�prios adeptos que voltariam a assistir a mais um magistral exibi��o da prata da casa – Rui Costa. Assistimos � manifesta��o natural da qualidade do 10, que culminaria no tranquilizador 3� golo e na assist�ncia para o 4-1 final de bela autoria de Nuno Assis que (finalmente) completou 90 minutos em claro crescendo de forma.

Mais do que a passagem � pr�xima eliminat�ria, esta partida mostrou que este Benfica carece apenas de estabilizar o seu m�todo de jogo e sobretudo o esquema t�ctico da equipa. Com 2 avan�ados na frente, mesmo que com reduzida mobilidade, a verdade � que o Benfica ganha em for�a e desgaste na defesa contr�ria, aliada ao jogo a�reo de Makukula que abre assim espa�os � qualidade de Cardozo (ou mesmo Mantorras) que se v� mais liberto de advers�rios. Parece-me sobretudo evidente que o recuo de Rui Costa no terreno � a atitude acertada que embora exponha o pensador encarnado a maior desgaste na recupera��o defensiva, � visivelmente super�vel com o maior espa�o de manobra e de tempo para pensar com praticamente 4 homens � sua frente. Esta mudan�a mais que essencial, significa relegar para o banco ou Petit ou Katsouranis, medida que embora pare�a estranha perante a qualidade de qualquer um, � claramente justificada em prol da equipa deixar de oferecer de bandeja 45 minutos ao advers�rio. Ser� que Camacho deixar� de ser teimoso e render-se �s evid�ncias?

Na pr�xima 5� feira, a partida para a UEFA face aos alem�es do 1. FC Nuremberga o dir�.

Foto: LUSA

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