Análise: Schalke 04 1×0 Porto

Numa partida em que o Porto apenas entrou em jogo aos 30′, demorando outros 10′ a encontrar-se, o primeiro tempo acabou por ser decisivo para o desfecho final. Apesar de uma melhoria exibicional nos segundos 45′, o mal estava feito. Lisandro esteve ainda a milímetros de empatar a partida, mas verdade seja dita: esta noite os alemães sobrepuseram-se claramente aos portugueses, em todos os parâmetros de jogo.

Análise: Schalke 04 1x0 PortoDesorganizado, desconcentrado, pouco pressionante, este Porto foi uma sombra de si próprio, e de uma forma inesperada concedeu ao Schalke o controlo dos primeiros minutos. Não se fazendo rogados, os alemães partiram para cima do Porto que rapidamente se “vergou” à eficiência de Kevin Kuranyi – a uma intervenção “discutível” de Hélton (ao defender a bola para a frente), o brasileiro naturalizado alemão abriu a contagem de forma imparável – 3′.
Com a lesão de José Bosingwa – e que falta o lateral fez esta noite! – Jesualdo Ferreira promoveu João Paulo para a titularidade. Face às claras deficiências defensivas de Cech, o leiriense entrou e cumpriu integralmente, quer na direita quer na esquerda. De facto, e face a um clara desunião entre linhas, não só o meio campo era incapaz de construir, como as alas estavam igualmente presas à sua defensiva, dado o futebol ofegante do Schalke 04. No sector ofensivo, Farias foi presa fácil para dois centrais de elevadíssima estatura, Bordon e Krstajic. Só Lisandro, com a garra do costume, se foi tentando libertar de uma defensiva alemã de se lhe tirar o chapéu! A capacidade posicional do Schalke é notável, jogando quase sempre em antecipação e com um miolo defensivo que apesar de “pesado” consegue construir e decidir bem rápido – os dados estatísticos não mentem, e na actual edição da Bundesliga esta equipa tem um dos melhores registos.

A ideia de colocar em Fucile toda a responsabilidade ofensiva (já que João Paulo seria sempre mais um 3º central do que um ala ofensivo) levou a um dilema neste Porto. A lição não pareceu estar bem estudada, pois a ala direita era de facto a mais forte desta equipa alemã, não só pelo contributo de Rafinha e do irreverente Rakitic, como igualmente de Kuranyi, ponta de lança que não poucas vezes descai para a lateral direita. Fucile teve 30 minutos de total desconcerto, tendo como origem na sua zona não só o golo sofrido, mas também 2 outras oportunidades de golo iminente – não estando com isto a crucificar o jogador, pois o uruguaio não obteve o mínimo de apoio posicional, quer de Quaresma quer do médio interior mais próximo.
Jesualdo e o seu adjunto Azenha compreenderam o erro (para bem do FC Porto, e felizmente não tarde de mais), trocando a posição dos laterais e obrigando a uma maior ocupação de espaços no sector intermédio. Felizmente, o descalabro táctico desapareceu, dando lugar a um Porto mais seguro e confiante.

Depois de um primeiro tempo de sobressalto, o Porto pareceu entrar mais tranquilo para o segundo-tempo, mas cedo ficou claro que não iríamos ver uma equipa de grande pendor ofensivo. O golo de Kuranyi havia deixado uma ferida demasiadamente profunda, e um segundo golo poderia revelar-se fatal para os portistas. Assim, quer Assunção quer Lucho pegaram no jogo e conseguiram durante grande parte dos segundos 45′ garantir alguma segurança à sua retaguarda. O argentino, mesmo que um pouco lento, conseguiu ser o pêndulo que habitualmente representa nos portistas, saindo dos seus pés a maioria dos lances de perigo.
Aos 56′ era Farias o sacrificado para a entrada de Tarik – o Porto necessitava com urgência de um flanqueador, e o marroquino ajudou francamente para algum equilíbrio lateral. 80% deste segundo tempo foi de controlo portista, e apesar de pouco pressionante conseguiu quase sempre manter-se perto da baliza adversária, mesmo que sem oportunidades reais de golo. Palavra para o árbitro da partida, que não revelou o habitual “proteccionismo” às potências económicas do futebol europeu, que por norma prejudicam as equipas portuguesas. Pelo contrário, mostrou até algum favorecimento para os dragões, algo que ajudou a equipa a manter-se dominadora no meio-campo contrário.

Apesar de tudo, o FC Porto a respirar de alívio no final dos 90 minutos da partida. A mossa poderia ter sido francamente maior, e só uma equipa experiente como o Porto foi capaz de se sobrepor a um primeiro tempo onde a as dificuldades de adaptação foram bem patentes. Lisandro Lopez esteve pertíssimo de conseguir o empate aos 80′, talvez na única grande oportunidade de golo de toda a partida, mas os “santos” não quiseram premiar uma equipa que no fundo não o merecia, depois de um jogo extremamente irregular a nível exibicional.
Tudo está em aberto, e o dragão irá certamente encher para a “segunda-parte” da eliminatória, os definitivos e o decisivos 90 minutos!

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