Análise: CAN 2008 > 4F > Angola 1×2 Egipto

Assim terminou o percurso dos “Palancas Negras” na edição 2008 da Taça das Nações Africanas. Uma exibiço esforçada, plena de amor à camisola, ficando a sensação de que com um pouco mais de astúcia a sorte poderia ter sido outra. Na memória de todos ficará um feito nunca antes alcançado – a qualificação para a 2ª fase da competição – e a promessa de novas conquistas.

Num fiel comparativo da equipa angolana com os restantes adversários do Grupo D da CAN 2008, é seguro dizer que Angola se cotava como o mais “humilde” dos conjuntos. Tunísia, Senegal e África do Sul eram adversários de peso, habituées em campeonatos do mundo e com condições e estruturas bem mais sólidas para o desenvolvimento do futebol. Se os 2 empates conquistados tiveram sabor a vitória, a estrondosa vitória por 3×1 frente a Senegal deixou o povo angolano em delírio, tal era a dimensão do feito.

Análise: CAN 2008 > 4F > Angola 1x2 EgiptoPartindo para os Quartos-de-Final com 5 pontos, partilhando o primeiro posto do grupo com a Tunísia, tudo era possível para os pupilos de Oliveira Gonçalves. Contudo, o adversário era de respeito, não se tratasse do poderoso Egipto. À partida, o favoritismo egípcio era uma realidade, com atletas experientes, muitos deles jogando no futebol europeu, e como se esperava o Egipto entrou em jogo a controlar as operações. Angola, por seu lado, a revelar algum nervosismo e uma excessiva falta de calma, algo bem patente aos 23m quando André Macanga se liberta antes de tempo da barreira alinhada, parecendo tocar a bola com o braço. Apesar de muito duvidoso, o árbitro da partida não pensou duas vezes e assinalou a grande penalidade a favor do Egipto – o trinco goleador Hosny a atingir assim os 4 golos na competição. O 1×0 na partida era justificado nesta fase da partida; em 25 minutos, o Egipto a demonstrar cabalmente o seu poderio histórico, reivindicando o protagonismo da partida, bem a sair a jogar, veloz nas transições. Este domínio foi no entanto sol de pouca dura pois o inevitável Manucho havia de fazer novamente das suas – 26 minutos percorridos, e o ponta de lança angolano a disferir um portentoso remate de fora da área a furar as redes adversárias. Soberbo! 4 golos na sua primeira edição da CAN revelam-nos um atleta de enorme qualidade, e com condições claras para levar a bandeira de Angola aos maiores palcos do futebol mundial.
O golo trouxe igualmente um enorme tónico para os pupilos de Oliveira Gonçalves, que revelavam agora uma forte moralização. Angola a jogava de igual para igual com um adversário teoricamente bem mais evoluído, revelando uma enorme força mental. Infelizmente, o comportamento defensivo da turma angolana denotava francas fragilidades, e havia mesmo de deitar tudo a perder bem perto do intervalo. Kali a falhar nas alturas, e Zaky com uma imensa dose de sorte a encostar o esférico para a baliza.

A Angola entrou para o segundo tempo com uma óptima postura, dominando os acontecimentos e criando oportunidades de golo. O Egipto concedia aos angolanos as despesas da partida, tentando por seu lado tirar proveito das suas transições rápidas, algo muito bem trabalhado pelos pupilos de Hassan Shehata. A partir dos 70 minutos, Lama, o guardião das redes angolanas, tornou-se definitivamente na figura da partida. Um punhado de fantásticas defesas – algumas dignas de um guarda-redes de andebol – permitiram a Angola acalentar o empate até ao final. O desgaste era no entanto evidente essencialmente no miolo angolano, e o técnico Oliveira Gonçalves parecia igualmente preferir perder o jogo por um golo de diferença em vez de arriscar um pouco e procurar outra sorte.

O esforço dos “palancas negras” acabava por se revelar infrutífero, pois o Egipto haveria mesmo de vencer a partida. A maior experiência acumulada acabou por ser crucial, essencialmente no ultimo terço da partida, altura em que os árabes geriram a partida com imensa categoria. Finda a prestação de Oliveira Gonçalves e da sua equipa, fica uma imagem em tudo positiva! Para além de lançar Manucho para a fama, Angola continua assim uma marcha séria e segura para transformar esta terra lusófona numa potência do futebol africano. Os “Palancas Negras” estão definitivamente de parabéns!

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