Análise: BwinLiga 07/08 > J21 > Sp.Braga 0×0 V.Guimarães
Confronto de “titãs” no Estádio AXA, em Braga. No mais famoso duelo do Minho, uma imensidão de espectadores encheu um dos mais belos estádios portugueses, onde a paixão pelo futebol transbordou nesta noite de emoções. A partida não esteve no entanto à altura da festa, e apesar de uma primeira-parte aguerrida, o segundo tempo veio demonstrar como actualmente o empate é um fruto demasiadamente apetecido para as equipas de média dimensão em Portugal.
Sem grandes jogadores em falta para esta importante jornada, ambas as equipas apresentaram o esquema táctico habitual. O Vitória, com uma consistência exibicional notável ao longo das 20 jornadas anteriores, entrava em campo com a fibra do costume. Jogando com uma primeira e segunda linhas habituais, a dúvida surgia na ala esquerda do ataque, entre Ghilas e Fajardo. Manuel Cajuda - à semelhança do que tem sucedido nesta segunda volta do campeonato - a optar pela garra do argelino. Por seu lado, o Braga vinha de um percurso bem mais turbulento. Uma época atípica, um modesto 9º lugar, e uma surpreendente dificuldade em agarrar as boas exibições. As figuras vinham sendo Wender e o inevitável Roland Linz, que já conta com 10 golos marcados (dos 23 do Sp. Braga).
Contudo, e apesar das previsões, o primeiro-tempo pertenceu definitivamente aos bracarenses. Apesar de nunca terem estado perto do golo de uma forma efectiva, os arsenalistas mostraram alguma consistência, essencialmente a meio-campo, onde Roberto Brum mostrou a suas enormes capacidades na recuperação e transição ofensiva. Juntamente com Wender e com César Peixoto, pertenceu a estes 3 atletas uma grande fatia da capacidade de gestão do jogo bracarense, nunca regateando esforços, pressionando alto o jogo vimaranense. Contra a corrente do jogo, o Vitória mostrava a capacidade que lhe fez valer o actual 3º lugar da classificação. Um contra-ataque bem conduzido por Ghilas na esquerda, que com perícia disfere um cruzamento fortíssimo para o remate certeiro de Miljan, aos 28′. Um fantástico golo de cabeça, que acertadamente era invalidado pelo árbitro auxiliar. O Braga não se assustou com o lance, e manteve o controlo que vinha evidenciando - até ao final do primeiro tempo, pouco mais se viu.
Destaque para a defensiva vimaranense, que mostrava em campo a qualidade a que já nos habituou. Quase sempre ganhando em antecipação, Geromel e Sereno demonstravam porque razão são uma das mais poderosas duplas defensivas a actuar em Portugal. Apesar de alguns períodos de maior pressão defensiva, o Guimarães nunca se atemorizou, antes pelo contrário, numa equipa onde defender é um princípio foi vulgar vermos Carlitos, Alan ou até o avançado Ghilas em zonas mais defensivas, recuperando e saindo em progressão.
O segundo tempo começou da melhor forma para o Sp. Braga. Um remate cruzado de Linz quase bateu o guardião Nilson, com a bola a embater no poste direito do brasileiro. Mais uma pequena amostra da qualidade deste felino austríaco, que parece nunca desperdiçar uma oportunidade para criar moça nas defensivas contrárias. Apesar deste primeiro lance fortuito, a entrada em jogo mostrou duas equipas mais pausadas e com maiores preocupações defensivas, um pouco à imagem do que é o futebol actual, onde um empate seguro parece ser mais saboroso do que uma vitória com maior audácia ofensiva. Aos 57′ entrava Matheus para lugar do desgastado Zé Manel. O ex-setubalense, depois de uma fantástica primeira-volta no V.Setúbal, tem demonstrado uma clara inadaptação ao futebol inconsistente do Braga, e a partida de hoje não foi diferente. O jogo mastigou-se, e a cada minuto que passava a partida tornava-se mais insípida, desinteressante, revelando um jogo partido nos últimos 20 minutos de jogo. O Vitória ainda esboçou alguma astúcia nos minutos finais, mas a partida há muito estava decidida: o empate sem golos, um castigo severo para um público que compareceu a este derby, de forma entusiasta e emotiva.








