Cantera: Razak Omotoyossi - Um Esquilo entre Vikings

O Jogodeárea “foi” até à Escandinávia, onde no longínquo campeonato sueco foi dar de caras com uma super águia transformada em esquilo, perito em dançar na neve. É assim com Razak Omotoyossi, a mais recente coqueluche do Helsingborg que vê neste Beninense a força e a garra para acreditar na reconquista do prestígio internacional. Com um estilo intenso e quente, Omotoyossi é a mais recente arma para quebrar o gelo em terras de vikings.

15 de Fevereiro de 2008, esta é uma data que promete mudar radicalmente a imagem do Campeonato Sueco de Futebol. O Allsvenskan 2008 deverá sofrer uma mudança drástica de caras após a decisão da Associação Sueca de Futebol (SvFF) em abolir o limite dos clubes em terem em jogo, não mais que 3 jogadores provenientes da UE em campo, em qualquer altura do jogo. O Helsingborgs IF, que terminou na oitava posição em 2007, teve um papel fundamental para esta mudança e Razak Omotoyossi pode muito bem ser o primeiro rosto da mudança.

Natural de Lagos (Nigéria), Omotoyossi viu o seu sonho de criança quase destruido quando em 2003, a Associação Nigeriana de Futebol lhe aplicou um castigo de 5 anos por alegadamente insultar um árbitro durante um jogo do seu clube - Sunshine Stars. Uma decisão que anos mais tarde se viria revelar totalmente errada, perante a exposição de novas fotos que mostravam sim o nº 23 a discutir, quando Omotoyossi envergava o nº 32. Com a impossibilidade de jogar no seu país, Razak rumou ao vizinho Benim e ai, mesmo que num país menos “vistoso futebolísticamente” lutou para prosseguir a sua carreira, alterando a sua cidadania no mesmo ano. No pais de “adopção”, precisou apenas de 3 meses para no primo-divisionário JS PobaFC alcançar o feito de melhor marcador de sempre do clube, antes da sua saída em 2005. Deixaria o Benim com a vontade de agradecer à sua nova pátria como ainda hoje faz questão de frisar, para assinar pelo campeão Moldavo - FC Sheriff em Novembro de 2005, naquela que seria a sua grande porta de entrada ao futebol Europeu. Por curiosidade, o facto do Sheriff ser um clube com “apenas” 11 anos de vida, mas que é caracterizado por recrutar vários jogadores brasileiros e africanos com os passes pouco inflacionados.
Neste mesmo ano, Razak ajudaria o Benim a alcançar a qualificação para o Campeonato de Mundo FIFA Sub-20, que teve lugar na Holanda, onde mais uma vez se destacou (marcou o primeiro golo de sempre do Benim em fases finais deste campeonato) ao ponto de ter sido referido entre os 13 jogadores mais promissores, lado a lado com o argentino Lionel Messi ou mesmo com o nigeriano Obi Mikel. Para completar ainda mais os feitos, já na Moldávia, Omotoyossi foi herói ao dar o empate já em tempo-extra ao Sheriff frente ao Spartak de Moscovo, na segunda ronda de qualificação para a Champions League.

Já em terras suecas, as suas características não se alteraram. Pode jogar como ponta-de-lança ou descaído para ambos os flancos. Fisicamente muito forte e resistente (1,77 m. e 80 kg.) Razak Omotoyossi tem na desmarcação e remate com oportunismo as suas grandes armas, sempre aliadas a uma intensidade e força que com o devido aperfeiçoamento, prometem melhorar a sua abordagem final à baliza adversária. É um avançado clássico africano que tem no olfacto a sua inteligência. A sua primeira época no Helsingborg foi coroada com 14 tentos em 23 partidas, o que o tornou o melhor marcador, tal como Marcus Berg. Se os números internos parecem pouco surpreendentes tal é a dimensão da Liga Sueca, a verdade é que após a fase de grupos da actual Taça UEFA, Razak já tinha apontado 6 golos em outros tantos jogos, o que fez dele o melhor marcador a par do colega de equipa, o veterano Henrik Larsson e Luca Toni do Bayern Munchen.
Recentemente na CAN 2008, Omotoyossi chegou mesmo a marcar o único golo do Benim em todo a prova, algo que não seria suficiente para os “esquilos” conseguirem qualquer ponto, num grupo da “morte”, composto pelos “elefantes” da Costa do Marfim, as “águias” do Mali e por fim, as “super águias” da outrora sua - Nigéria.

De um injusto e infundado castigo de agressão a um árbitro à posterior marginalização no seu próprio clube, levando mesmo a passar por momentos duros por falta de dinheiro, dormindo e mendigando na rua, Omotoyossi é a prova de que o Homem quando quer pode ser a máxima força do seu desejo, mesmo que para isso se tenha de transformar de super águia em esquilo, um esquilo que a Europa certamente já não deixará escapar.

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Reportagem sobre Razak Omotoyossi

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