Observatório: Getafe Club de Fútbol - Maré “Azulone”

Um clube em clara ascensão. Será assim que o Benfica irá encontrar na província a sul de Madrid, o clube sensação da Liga Espanhola. Após uma verdadeira maratona na pirâmide das 3 ligas vizinhas, o Getafe de Angel Torres e do treinador dinamarquês Michael Laudrup mostra que a história não é ilusão, mas sim, que os sonhos mais modestos podem e estão a virar realidade.

O clube dos mil e um nomes. Os “azulones”, como são carinhosamente conhecidos, revelam-se dia após dia como um verdadeiro fenómeno de boa gestão e vontade em levar um modesto clube da periferia madrilena ao esplendor das competições europeias. O Getafe Club de Fútbol é um emblema atípico no futebol espanhol e europeu, por ter pouquíssima história. Ao todo, nada mais que 24 anos. Foi fundado em 1983, depois de no passado ter apresentado uma infinidade de designações. Mas os adeptos garantem que o clube, tal como � hoje, só nasceu mesmo na década de 80, mesmo após ter conhecido momentos de tragédias e vicissitudes como o assassinato de um jogador - Sebas.

O Getafe reune cerca de 13 mil sócios e tem uma assistência média de 10 mil pessoas no Estádio Coliseum Alfonso Pérez. A capacidade máxima do recinto é de 18.000 espectadores. Um dos heróis do clube, situado a 13 quilómetros a Sul da capital Madrid, será sempre Quique Sanchez Flores. Foi ele o grande responsável por garantir pela primeira vez a subida à primeira divisão. O treinador que se notabilizou como lateral direito da selecção espanhola, foi o primeiro exemplo da tendência da escolha de ex-futebolistas famosos para orientar a equipa principal.

Desde 1928, com o inicio da competição em Espanha, o Real e o Atlético de Madrid eram os únicos representantes da capital espanhola, com o Rayo Vallecano a conseguir intrometer-se como 3º de Madrid em 2000, quando chegou mesmo a alcançar a taça UEFA, onde atingiu os quartos-de-final. Já com Bernd Schuster em 2005/06, a equipa atingiu o momento mais alto da carreira, surpreendendo tudo e todos, realizando uma temporada meteórica e terminando em 8º na Liga, algo que passaria a segundo plano quando atingiu a final da Taça do Rei após eliminar Xerez, Valência, Osasuna e o todo poderoso Barcelona, naquela que seria proclamada como a melhor noite de sempre dos “azulões” no seu reduto, que com os seus lugares repletos, assistiu à reviravolta na eliminatória de 5-2 de Camp Nou, para um estrondoso 4-0 caseiro eliminando em grande estilo o então campeão espanhol em título. Notável.
A final seria perdida para o não menos estrondoso Sevilla e um golo solitário do internacional do Mali - Kanouté, roubaria ao Getafe o primeiro título da sua história, mas colocaria o clube do sul de Madrid automaticamente na Taça UEFA. A soberba temporada acabaria por atirar Schuster para o “rival” Real Madrid, mas o Getafe não se fez rogado e continuaria fiel à sua politica na aposta de treinadores e avançaria para outro técnico não menos famoso - Michael Laudrup, que acabaria por ter a honra de estrear a equipa na segunda máxima competição internacional de clubes - a Taça UEFA. A 20 de Setembro de 2007, o clube estreava-se na Holanda face ao FC Twente, vencendo por 1-0 e posteriormente a eliminatória por 3-2, naquele que seria mais um marco história para uma equipa que parece não ter limites para crescer e convencer o mundo do futebol.

Com uma equipa extremamente modesta, sem nomes sonantes e com 18 jogadores de nacionalidade espanhola (66,7% num plantel composto por 30 jogadores), Laudrup faz questão de afirmar a necessidade do clube em se afirmar internacionalmente e para isso, construiu uma equipa com uma média de idades de 26 anos e de alturas de 1,80m tal é a necessidade de dotar o plantel de alguma experiência e competitividade.
Quanto ao plantel, apontamentos para os 2 guarda-redes argentinos, de grande qualidade: Abbondanzieri da selecçãoo alviceleste e o jovem Oscar Ustari, de grande talento. Os defesas experientes: o romeno ex-Milan, Contra, e o central Belenguer. Mais à frente o n.º 10, De la Red, merece destaque pela sua imaginação, assim como o argentino Licht pela polivalência em campo. Na frente, Manu é o melhor marcador da equipa na Liga espanhola (4 golos), no entanto Kepa e Granero merecem observação especial. Como destaque, o nigeriano Uche é um avançado explosivo e de enorme mobilidade com apenas 24 anos.

Uma equipa que sem qualquer cartel de troféus, ocupa actualmente o 12.º posto da tabela e é a única equipa espanhola presente na Taça UEFA. Tudo isto, com o segundo orçamento mais baixo entre as equipas da “La Liga”: aproximadamente 20 milhões de euros.

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