Análise: BwinLiga 07/08 > J20 > Porto 3×0 Paços Ferreira

Jogo de total e absoluto controlo portista, na «ressaca» a um dissabor europeu. Repetiu-se a chapa 3 em jogos de cariz interno, repetindo-se igualmente a boa exibição essencialmente no segundo tempo. Esta equipa sente-se muito perto do tri-campeonato, e a forma como as coisas saem são o exemplo de uma equipa segura, com qualidade, e com níveis motivacionais bem elevados. Lucho - Lisandro, para não variar as estrelas da companhia.

A primeira grande surpresa deste Porto havia sido a não convocação de Quaresma. O extremo portista encontrava-se limitado fisicamente, mas o que é facto é que recuperou a tempo da partida - restará saber as razões que levaram Jesualdo Ferreira a preterir o jogador, sendo mais provável que tenha sido numa óptica de gestão de esforços. Muito bem a meu ver, já que o Porto havia de começar a partida sem nenhum elemento de “puro egoísmo táctico” como o é Ricardo Quaresma, com Tarik bem encostado à ala, e Farias com Lisandro a deambular pelo ataque de forma sempre aguerrida e colectivista. Curiosamente, e apesar da péssima posição que ocupa na classificativa, os pacenses até entraram bem na partida, tentando a todo o custo quebrar a capacidade de construção ofensiva do Porto. Bastante subida no terreno, com uma primeira linha que era tanto de curiosa como de suicida, a ideia seria colocar os avançados portistas em fora-de-jogo, unindo mais rapidamente os sectores e chegando mais vezes perto da baliza de Hélton. Isso até acabou por ser conseguido durante o primeiro-tempo (com um punhado de oportunidades, todas elas partindo de remates de meia distância), altura em que o Porto também se encontrava macio, suave, procurando um golo que lhe concedesse motivação e libertação de movimentos.
Quando já se esperava o intervalo, a arte de Lisandro Lopez a vir (novamente) ao de cima. O jogador «que nunca desiste», a aceder a um mágico lançamento aéreo de Lucho, e Lisandro com uma simplicidade assustadora a parar a bola e a rematar rasteiro para o fundo da baliza de Peçanha. Estavam percorridos 45 minutos, e o Porto a atingir o objectivo principal: chegar a intervalo a vencer. Num primeiro tempo de muitos fora-de-jogo portistas - como aliás já se esperaria, tal o figurino táctico pacense - o auxiliar de Paulo Costa assinalou um total de 7, sendo apenas um deles mal interpretado, numa jogada em que Lisandro se encontrava totalmente isolado frente a Peçanha. O segundo tempo iria ser bem distinto neste particular.

O início da segunda-parte coincidia com uma entrada à Dragão. Pelo chão, pelo ar, curto ou comprido, esta equipa agradava de ver jogar e mostrava uma integração entre as partes no mínimo notável. Sem a presença de Quaresma (que actualmente não só não resolve como atrapalha, insisto) era Tarik a fazer as delícias dos adeptos portistas, que o aplaudiam qualquer que fosse o resultado das suas investidas. Aos 51′, o marroquino literalmente comeu a relva depois de um remate que passou a centímetros do poste. Levantando-se do relvado, a imagem de Sektioui a cuspir um pedaço de relva é demonstrativa da entrega que o extremo concede ao jogo. Impossível não gostar!
Um minuto depois, surgia justificadamente o 2×0 portista. Numa jogada em que Farias parte em ligeiro fora-de-jogo, este correu até à linha de fundo para depois assistir o imparável Lisandro Lopez. Não há adjectivos para caracterizar o pequeno argentino, tal a sua versatilidade e objectividade no jogo de ataque portista. No lance seguinte era Lisandro a isolar-se novamente para um novo erro no fora-de-jogo. O argentino havia mesmo de alcançar o «hat-trick» dos fora-de-jogo aos 73 minutos, ao ser impedido de fazer aí sim o «hat-trick» dos golos, depois de mais um erro de arbitragem. O Porto geria os acontecimentos, os pupilos da “capital do móvel” vergavam-se ao domínio portista, e o terceiro golo haveria de surgir quando já poucos o esperavam - sublime o passe de Lucho para Mariano Gonzalez se estrear a marcar. O argentino emprestado pelo Inter não convence certamente os portistas (eu incluído), mas a conseguir um golo de belo efeito, isto depois de uma desmarcação de qualidade. Palavra para Lucho Gonzalez, «El Comandante» portista, que mesmo jogando pausado, lento até, a revelar-se vital em 2 golos portistas.

Não haverá muito mais a fazer senão elogiar este Porto de Jesualdo Ferreira, que vence e convence. Frente a uma turma que facilmente se poderia ter tornado num problema, o FC Porto a “descomplicar” e a mostrar o porquê de ser a melhor equipa portuguesa da actualidade.

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