Análise: BwinLiga 07/08 > J19 > Naval 0×2 Benfica

Dever cumprido. O Benfica superou mais um desafio perante uma Naval que não conseguiu aproveitar a evidente falta de automatismos dos visitantes. Camacho e seus pares saem da Figueira da Foz, não só com o sentido na primeira vitória encarnada no Estádio Municipal José Bento Pessoa, mas também na moralização das tropas rumo a Nuremberga.

makukulabbenfica.jpgO Benfica voltou a mostrar serviço na Liga como visitante. Se antes do início da partida Camacho tinha dores de cabeça na formação da equipa, certo é que o espanhol não tratou de complicar e voltaria a apostar na dupla Makukula e Cardozo na frente. As ausências forçadas de Petit, Nélson e David Luiz, logo perderam importância com a entrada em cena de Bynia e a adaptação (novamente) de Katsouranis a central. A verdade é que com Rui Costa no banco, o Benfica pareceu ensaiar a possível equipa para o segundo jogo da eliminatória, na Alemanha, com o Nuremberga. Um meio campo de músculo e esforço, onde o camaronês recém chegado da CAN 2008 tratou de encher todo o campo, juntamente com o mais apagado Maxi Pereira, numa opção clara de jogo ou para os falsos alas Rodriguez e Assis, ou de forma mais directa para os dois gigantes da frente. A Naval tinha a lição estudada e assente no trio formado por Igor, Davide e João Ribeiro: trocando bem a bola e furando sempre que possível a defesa encarnada. Ulisses Morais contava também com a capacidade de cruzamentos tensos de Mário Sérgio sempre que fosse necessário superar o factor Binya que tratou de conferir uma constante salvaguarda à defesa encarnada, onde Katsouranis e Luisão voltaram a mostrar serviço.

Corria o minuto 18 quando o Benfica ganha um lançamento lateral junto à àrea da Naval, fruto da insistência do camaronês Bynia. O Benfica sem conseguir incutir qualquer fio de jogo consegue construir e concretizar a primeira jogada de golo, com a bola a não tocar o relvado. Bynia faz uso da sua força de braços e efectua o lançamento longo bem ao seu estilo, Cardozo assiste de cabeça o companheiro Rodriguez que cabeceia para o fundo das redes figueirenses. Um golo no entanto precedido de uma irregularidade do camaronês vice-campeão africano, que não efectuou a reposição da bola com ambos os pés no relvado. O Benfica conseguia inaugurar o marcador e daí partir para uma exibição mais tranquila em que deu praticamente a iniciativa de jogo à turma de Ulisses Morais.
O jogo assumiria sim contornos em tudo pouco interessantes e era Rui Costa, o árbitro , a chamar a si o destaque da partida, ao assinalar tudo e mais alguma coisa: 52 faltas assinaladas sem um único cartão exibido. As pausas foram constantes e o jogo perderia a pouca cor que as equipas lhe vinham conferindo, até ambos os treinadores, já em plena 2ª parte decidirem mexer nas equipas. Na Naval, Ulisses Morais arriscava tudo ao jogar com 3 defesas e um meio campo mais avançado na procura da velocidade e altura dos recém entrados Dudu e Erivelton, respectivamente. Camacho respondia chamando Adu para os derradeiros 20 minutos e depois Rui Costa, tal era a necessidade de ganhar e controlar a bola nos instantes finais da partida. Seria do azar do jovem nascido no Gana e naturalizado norte-americano que sairia aos 90, que outro jovem, Sepsi, faria a sua estreia de águia ao peito. As instruções para o internacional sub-21 romeno eram bem explícitas, jogar na ala direita e apoiar Léo nas tarefas defensivas. Sepsi não se mostrou rogado e após bela abertura de Rui Costa, partiu em direcção à baliza de Wilson Junior e baralha o defesa figueirense antes de cruzar rasteiro para Nuno Assis finalizar e fechar o resultado final.

Mais do que procurar o golo e chamar a si os tormentos do seu treinador, o Benfica conseguiu mostrar que sem fio de jogo, consegue alcançar a eficácia que é exageradamente desperdiçada nos jogos no Estádio da Luz. O regresso (em boa hora) em grande estilo de Bynia e a aparente subida de forma e moral de um “recuperado” Nuno Assis, são os motes que por enquanto deixam para 2º plano uma aparente inadaptação e sobretudo falta de resultados da nova dupla Makukula-Cardozo.
A Naval por seu turno, continua a ocupar um sempre preocupante 13º posto, a apenas 3 pontos da linha de água, não conseguiu fazer jus à tradição e roubar pontos aos encarnados, numa partida em que ficaram bem à vista as evidentes faltas de soluções coerentes para o sector avançado do grupo comandado por Ulisses Morais.

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