Memória: Timofte - “Playmaker” de Eleição

Hoje trago aos “palcos” do Jogodeárea um atleta que marcou definitivamente o futebol em Portugal. Com um recorte técnico inconfundível, Ion Timofte traz ainda hoje um sentimento de nostalgia a quem realmente gosta de um criativo à antiga, sem preocupações defensivas e com magia na hora de avançar para o bloco defensor.

Este romeno, natural de Anina (na Roménia Ocidental), “nasceu” para o futebol em 1989 estreando-se como profissional pelo Politehnica Timi?oara, equipa de segunda-linha da Liga 1 Romena. Pese embora a sua juventude (21 anos), Ion ganhou natural relevo pela magistral técnica individual que possuía. Nas duas temporadas ao serviço do clube romeno Timofte participou em 65 partidas, colocando por 19 vezes a bola nas redes adversárias.
Timofte relevava já então atributos que faziam dele um elemento “raro” em qualquer equipa: um “playmaker”, com capacidades inatas para fazer jogar uma equipa ofensivamente, quer pelo seu posicionamento táctico, quer pela forma mágica como distribuía jogo curto ou longo. Em vésperas de se iniciar a temporada de 1991/92, Carlos Alberto Silva rapidamente se rendeu às qualidades do mágico romeno, trazendo-o então para o seu FC Porto. Em Portugal, o romeno revelou-se uma pessoa tranquila, cumpridora, e a postura que denotava em campo era a imagem da sua vida particular. Desportivamente, Timofte conquistou igualmente o FC Porto e a sua massa adepta: em 3 temporadas, o romeno acumulou uma média de 23 presenças/época, marcando 25 golos. Sublime na arte do passe, com um enorme inteligência de jogo, no Porto demonstrou igualmente ser exímio nas bolas paradas, construindo com Domingos ou Kostadinov diversos “raides” ofensivos perfeitamente letais.

Como não existem jogadores “perfeitos”, Ion tinha também os seus defeitos como futebolista. A fraquíssima capacidade para “pensar” defensivamente acabou por ser o seu calcanhar de aquiles, algo que numa equipa de top como o FC Porto se revelava uma enorme pecha. Timofte era igualmente um atleta sem grande condição física, tendo algumas dificuldades em impor-se com jogadores mais robustos, perdendo assim raio de acção na equipa. Em 94/95, Timofte deixou uma enorme tristeza entre adeptos portistas, ao ser transferido para o vizinho Boavista. Se O FC Porto perdia um enorme jogador, a Liga Portuguesa mantinha nos seus “quadros” um médio que nas épocas seguintes espalhou a sua magia no Boavista e no campeonato nacional. 146 partidas e 37 golos marcaram o registo de 6 temporadas gloriosas, onde formou com Artur uma das duplas mais míticas do Bessa. Aos 32 anos, Timofte encerrava assim a sua carreira, muito por culpa de constantes problemas físicos que o apoquentavam.

Internacionalmente, cumpriu 10 partidas entre 1991 e 1995; em Portugal, Timofte venceu 2 Campeonatos, 2 Taças de Portugal e 3 Supertaças Cândido d’Oliveira. O mágico romeno ficará para sempre na memória dos adeptos de futebol de uma forma geral, e particularmente entre todos os portuenses que tiveram oportunidade de acompanhar este génio ofensivo, uma pessoa humilde e um enormíssimo jogador.

1 Comentário. »

  1. GRANDE ARTIGO PARA NÃO VARIAR! TIMOFTE ERA UM CRIATIVO E ESTAVA CÁ NUM TEMPO EM QUE O BOAVISTA TAMBÉM DESCOBRIU GRANDES JOGADORES, ROMENIA NO SEU MELHOR!

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