Responsabilização Laboral

E assim se faz história no futebol mundial. Pela mão de uma entidade portuguesa, neste caso o FC Porto, consegue-se o que a meu ver era inevitável e fundamental numa indústria extremamente lucrativa para todas as partes: a responsabilização nào apenas das entidades patronais, mas igualmente dos elementos que as servem.. ou por vezes nem tanto.

No verão de 2005/06, Jabobus Adriaanse aterrava no dragão com a expectativa de “limpar” um balneário destruído, e no seguimento de uma atípica época de enormes insucessos. Bem cedo se constatou que o treinador holandês detinha uma personalidade rígida, fria, gerindo o seu plantel em tons de repressão. Depois de uma temporada bem sucedida, conseguindo pela primeira vez adicionar ao seu curriculum um título de campeão nacional – algo que no FC Porto se vem tornando hábito – Adriaanse era elogiado por uns, odiado por outros, mas acima de tudo tratava-se de um treinador com conceitos bizarros, noções tácticas autenticamente extremistas, e cujo percurso haveria, mais cedo ou mais tarde, por resultar em colisão entre as várias partes envolvidas.

Responsabilização LaboralJogavam-se as últimas cartas na pré-época de 2006/07, e a história de Co Adriaanse no FC Porto não se resumia apenas a um título de campeão. Em adição, um punhado de conflitos internos, declarações que denotavam um clima de totalitarismo, e até incidentes de violência envolvendo adeptos do campeão nacional, eram alguns dos exemplos. Adriaanse acumulava ódios, sendo certamente os seus jogadores aqueles que mais dificilmente o conseguiam suportar. Num episódio caricato, que envolveu a proibição do plantel em jantar juntamente equipa técnica – os jogadores deveriam apresentar-se mais tarde, já depois de terminada a refeição dos técnicos holandeses (?!?) – deu-se então a queda de um “império”, cuja decisÃo partiu precisamente dos actuais funcionários do clube, da equipa técnica comandada por Adriaanse – quebra do contrato no imediato, e sem justa causa. O Porto saiu lesado, naturalmente, tendo que contratar um substituto em vésperas de se iniciar a Liga Portuguesa. Pinto da Costa garantia: a história não ficaria por aqui.

O que é facto é que ninguém pensaria voltar a ouvir o nome de Co Adriaanse, muito menos nos moldes desta notícia. O Porto não desistiu, e num caso bem montado, bem estruturado, levou a situação ao tribunal desportivo FIFA que vem agora dar razão aos portistas. Sabe-se como o FC Porto tem algum peso institucional no seio da FIFA, é conotado como um clube organizado, competente, e isso terá sido tomado em conta pelo órgão máximo do futebol a nível mundial.
Co Adriaanse terá que entregar 1,15 milhão de euros ao FC Porto, ainda um montante à FIFA pelos custos do processo. Jan Olde Riederink, outro dos elementos da mesma equipa, terá de pagar 146.250 euros. Curiosamente, e como os portistas fazem questão de frisar em comunicado, um terceiro elemento Chris Kronshorst, terá sido poupado de uma queixa semelhante. Provavelmente, por ter demonstrado alguma compaixão pelo clube que o lançou para a ribalta.

Organização, competência, e… acima de tudo um enorme amor à camisola, serão certamente os predicados que levam mais uma vez o nome da instituição FC Porto aos maiores “palcos” do futebol internacional. Numa indústria onde não são apenas os clubes a encaixar quantias milionárias, exige-se uma maior responsabilização de jogadores, técnicos e outros envolvidos, que tão variadas vezes vemos usar e abusar das entidades que no final do mês lhes entregam quantias astronómicas. A FIFA, tantas vezes acusada de tomar atitudes menos dignas, a levar em conta um clube sério, que honra os seus compromissos de forma irrepreensível. A medida até poderá não voltar a repetir-se tão cedo, mas deixará certamente no ar uma nuvem de dúvida para quantos não cumprem a sua parte no panorama futebolístico mundial.

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