Telma Monteiro – O Mundo a seus pés

O sonho e as esperanças nacionais para os Jogos Olímpicos ganham contornos dourados quando se fala de judo. Se outrora a nível internacional foi Nuno Delgado o grande potenciador do prestigio das cores lusas, hoje em dia, é na vertente feminina que os olhos estão colocados na menina dourada do Pais – Telma Monteiro.

O judo é certamente uma das modalidades mais nobres do planeta. Pese o seu carácter místico de arte marcial derivada do ju-jitsu, é sem sombra de dúvidas, um dos desportos que merece mais admiração pela sua componente humana. Não sendo propriamente um especialista e assíduo espectador da mesma, fiquei absolutamente rendido após uma cuidada pesquisa que passo a partilhar.
As raízes do Judo remontam ao séc. XIX, altura em que o japonês Jigoro Kano começou a praticar Ju-Jitsu. Com 18 anos, pequeno e franzino, Kano chegou à conclusão que as técnicas poderiam ter um valor educativo. O seu objectivo converteu-se num desporto que visava trazer benefícios para o Homem, ao qual denominou de judo (que significa caminho suave) cujo método eliminava os golpes que poderiam provocar lesões, adequação que em tudo catapultou em disciplina de educação física nas escolas. Em 1882, Jigoro Kano fundou o Instituto Kodokan, marcando assim, o nascimento do judo como formação e preparação integral do Homem, através das actividades físicas de luta corporal e de aperfeiçoamento moral.
Actualmente, devidamente adaptado aos moldes de uma educação ocidental, o judo é por todas estas razões, do ponto de vista físico e psíquico, uma excelente escola para o desenvolvimento da atenção, concentração e reflexão mental. Desenvolve na criança/jovem, uma noção de respeito por si própria e pelos outros, o que levou mesmo a UNESCO a recomendar o judo como um dos desportos mais adequados para crianças e adolescentes.

O judo de competição consiste num encontro que compreende dois atletas (judocas) um vestido de kimono azul e outro de branco, que se enfrentam durante cinco minutos no tapete (tatami). A luta pode ser encerrada a qualquer instante caso um dos atletas consiga um ippon (10 pontos), que consiste na imobilização por 25 segundos ou golpe perfeito deixando o adversário com as costas no tapete. Caso contrário, será vencedor aquele que tiver a maior soma de pontos nos golpes bem sucedidos, ou por tipo de queda ou pelo tempo de imobilização.
Depois do ippon, o melhor golpe denomina-se waza-ari (7 pontos), no qual o adversário cai de costas, rebolando e sem um controlo perfeito ou a imobilização com duração de 20 a 24 segundos. Mais abaixo está o yuko (5 pontos), é a queda lateral do adversário no tapete ou imobilização de 15 a 20 segundos. O golpe mais fraco de todos é o koka (3 pontos). Nele o adversário é derrubado com a bacia no solo ou então é imobilizado de 10 a 15 segundos. Os judocas podem perder pontos no combate por falta de combatividade e outro tipo de penalizações, que estão sempre de acordo com os critérios dos juízes (três – um principal e dois de cadeiras/tapete), com punições que equivalem ao sistema de pontuação: hansoku make (Ippon), keikoku (waza-ari), chui (yuko) e shido (koka).
Em caso de empate a vitória é definida por ponto de ouro, ou seja marcador é colocado a zeros e o primeiro judoca a conseguir uma vantagem ou penalização a seu favor, sai vitorioso. Se ao fim de cinco minutos não houver nenhuma vantagem, a vitória é definida por voto dos árbitros.

Telma Monteiro   O Mundo a seus pésEm Portugal a “bandeira” do judo foi inicialmente levantada por Nuno Delgado nos Olímpicos de Sidney em 2000 e a medalha de bronze conquistada, só ai o judo começou a dar nas vistas. Por essa altura, Telma vivia literalmente entre dois amores – o relvado e o tapete. O futebol era uma paixão e levou-a mesmo a jogar como avançada no Monte da Caparica e no Beira-Mar de Almada, mas foi a irmã (também internacional judoca) que a arrastou definitivamente para o tatami. Nascida a 27 de Dezembro de 1985, foi aos 12 anos que sentiu a força inata da vitória no sangue mas a ambição não a ofusca quando admite e traça o seu grande objectivo de vida: ” Ser campeã Olímpica”. A vontade e determinação estão sempre presentes desde os tempos em que no Feijó, representou o clube das Construções Norte-Sul, que a permitiu alcançar os grandes palcos, leia-se tatamis internacionais. O seu currículo é invejável e interminável, tornando-a aos 22 anos na melhor judoca feminina nacional de sempre, mas a recente repetição do título Europeu em Belgrado é um forte aperitivo para o que vem ai – Pequim!
Mas nem tudo são rosas, os sacrifícios pessoais diários em prol do amor pela modalidade são só uma gota no oceano se imaginarmos o desfasamento de apoios de um judoca nacional para um do resto do Mundo, é mesmo aí que cada conquista alcançada pela menina do tótó (que usa quando combate) sempre de sorriso no rosto e os olhos postos na vitória, se torna ainda num feito maior e quase divino. Actualmente Telma é o rosto da mais recente modalidade do Benfica (clube que representa actualmente) e a grande aposta do clube quer a nível individual quer ao nível de desenvolvimento da modalidade que no passado dia 21 de Janeiro inaugurou as instalações e o respectivo tatami, onde Telma pode testemunhar o apreço e orgulho da nação benfiquista e portuguesa na sua nova menina de ouro.

Associado ao talento mas sobretudo à satisfação por fazer o que a faz feliz, Telma Monteiro é definitivamente o sorriso de Portugal que com o acumular do trabalho e a alma de vencedora de quem entra sempre para ganhar a tornam vice-lider do ranking Mundial de judo feminino categoria -52 kg. Os nossos olhos nunca estiveram tão esperançados nos tatamis.

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