Hélder Barbosa – Irreverência Azul

O timing justifica-o. Hélder Barbosa tem por estes dias sido o nome mais badalado no mercado de inverno portista, com o retorno a uma casa que bem conhece, depois de época e meia em Coimbra. De facto, a passagem pela briosa revelou um esquerdino pleno de classe e maturidade, e a decisão portista não poderia ter sido a mais sensata: na falta de um pedra criativa na ala ofensiva portista, a opção por um elemento da cantera portista, um jogador que aliás tem cumprido o seu percurso com distinção.

Hélder Barbosa   Irreverência AzulHélder Jorge Leal Rodrigues Barbosa. Natural de Mouriz, Paredes, tem 20 anos e mede 1.72m. Quando foi Campeão Europeu de sub-17 (vencendo a Espanha na final, em 2003), na altura com apenas 15 anos, Hélder marcou pela primeira vez o seu nome na história do futebol. Numa equipa que contava igualmente com Miguel Veloso, Paulo Machado ou João Moutinho, a grande figura acabou por ser o ex-portista Márcio Sousa, actualmente “eclipsado” no futebol português. Quem conhecia as profundezas da escola de formação portista garantia que o miúdo se tratava de uma das maiores esperanças portistas; apesar do pouco poderio físico, Barbosa revelava um sentido técnico-táctico apreciáveis, e rapidamente se assumiu como o júnior portista de maior valia, sendo até cobiçado por grandes emblemas ingleses ou espanhóis.
No ano seguinte participou na inauguração Estádio do Dragão, com 16 anos de idade, depois de José Mourinho ter reconhecido o seu potencial, colocando-o a treinar sob sua alçada. Nesse ano, foi igualmente galardoado com o “Dragão de Ouro”, na categoria “Revelação”. O patamar seguinte foi a já extinta Equipa-B. Em 2005/06, o treinador holandês Co Adriaanse lançou Hélder Barbosa para a titularidade num jogo-treino frente ao Paços de Ferreira – a exibição terá sido tão convincente que o técnico portista referenciou o criativo portista como o elemento mais valioso da partida. No final da temporada, e questionado quanto ao seu futuro no FC Porto, Hélder Barbosa revelava a humildade que sempre o caracterizou, afirmando que “ficar no FC Porto seria bom, mas talvez seja melhor rodar noutro clube durante uma época. Assim poderei jogar com mais regularidade”.

Na época de 2006/07, Hélder partia então para a primeira e verdadeira experiência como sénior, jogando na liga principal do futebol português. O extremo era assim integrado no plantel da Académica, e apesar de ter demonstrado enormes valias haveria de se lesionar com gravidade no joelho, em finais de 2006. A recuperação foi no entanto marcada pelo enorme sucesso, e Hélder estaria perfeitamente pronto a competir no início da temporada de 2007/08, mantendo-se em Coimbra. Já nesta temporada, e em meia época de grande qualidade (com 16 jogos efectuados), demonstrou cabalmente as suas qualidades colectivas como elemento de futebol moderno. Barbosa revelou a sua enorme mobilidade ofensiva, assumindo-se igualmente como o maior municiador do ataque com diversas assistências para golo.

Devo confessar que me encanta a forma de actuar deste jogador. Um extremo-esquerdo à antiga, algo que não vemos em palcos azuis-e-brancos desde que Drulovic terminou um percurso recheado de títulos e sucesso no dragão. A forma como alia a velocidade a uma técnica bem desenvolvida, podendo até contornar 2, 3 adversários mas conseguindo assinar o lance com um cruzamento bem medido para o avançado, são o exemplo de um ala que pensa colectivamente e que parece ter a maturidade suficiente para, aos 20 anos, se assumir verdadeiramente como uma opção credível no plantel portista.

Foto: UEFA

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