Gastão Elias – Um Prodígio… Português

No seguimento a um primeiro artigo dedicado a altas promessas do ténis no nosso país, prossigo com a “segunda-parte” de um estudo dedicado a uma modalidade que muito me diz – como adepto e praticante. Trata-se de um desporto singular, onde a ética e a lealdade são pilares, e que infelizmente nunca conheceu até hoje uma verdadeira glória lusa em palcos internacionais. A esperança que se segue: Gastão Elias.

Nascido na Lourinhã, e de apenas 17 anos (nascido a 1990-11-24), Gastão é um praticante com 1,80m e 75kg. A primeira vez que agarrou uma raquete tinha apenas 5 anos, e assim foi introduzido à modalidade por intermédio do seu pai (que jogava de forma amadora). Assim que iniciou a formaçao, rapidamente lhe foram detectadas qualidades bem acima do comum. Gastão revelou-se um miúdo precoce, com uma regularidade notável e que o permitiu “aliar-se” a Luís Nascimento, nome já consagrado do ténis em Portugal. O seu primeiro grande sucesso verificou-se no Verão de 2005, no torneio de Vila do Conde (ITF Grade 3 – terceiro nível de juniores). Seguiu-se a vitória em Halle, Alemanha, em Junho de 2006 (nesta altura, já disputando a Grade 2). O sucesso de Elias não fugiu aos olhos dos grandes nomes internacionais, que rapidamente conseguiram o concurso do jovem português: em finais de 2006, Gastão Elias assinava assim um contrato com a IMG. A ligação a Nascimento manteve-se, mas sabia-se que o futuro do atleta português passaria pelo estrangeiro. Tratando-se de uma modalidade que exige grande aprendizagem e sacrifício, a oportunidade de trabalhar na Academia de Bollettieri era algo que Elias não poderia declinar.

Cerca de um ano volvido, a ligação a Nascimento terminava. Desta forma, o jovem português pôde dedicar-se única e exclusivamente à Academia de Ténis de Bollettieri (pertencente ao grupo IMG), por muitos considerada a maior companhia de formação de jovens tenistas mundial, e responsável pelo lançamento de inúmeros tenistas para o palco da fama. Igualmente, e naquilo em que realmente consiste o conceito de “Academia”, a IMG disponibiliza aos seus atletas um conjunto enorme de outras actividades relacionadas com o ensino, a saúde, etc., criando assim condições únicas para que ali se formem verdadeiros tenistas de alta competição. Recorde-se que Michelle Larcher de Brito, outra grande esperança que o JogodeÁrea fez questão de introduzir aos seus leitores em Dezembro de 2007, está igualmente “instalada” na Academia Nick Bollettieri, na Flórida, onde treina juntamente com Gastão.

Gastão Elias   Um Prodígio... PortuguêsComo mais recente aluno da famosa Academia de Ténis, Gastão conseguiu acumular de imediato nova proeza: a conquista do torneio “Eddie Herr”, evento do Grade 1 disputado nos courts da sua academia, em Bradenton. Imperial, Gastão não concedeu um único set em 5 partidas, praticando um ténis esforçado, pleno de garra e tecnicamente muito elegante. A final, venceu-a frente ao vice-campeão norte-americano de sub-18, Jeff Dadamo, por um duplo 6-3. No mês passado encerrou a campanha 2007 ao atingir os quartos-de-final do Orange Bowl, ficando estabelecido pelos seus treinadores que a próxima etapa seria o circuito sénior. Trata-se de uma intenção muito firme da IMG, medida que aliás já se aplicou a Michelle Larcher de Brito.
O dia-a-dia de Gastão Elias é demonstrativo do espírito de sacrifício necessário para atingir altos voos. Treinos das 7.30 às 10.30 e das 13.30 às 15.00; trabalho físico de uma hora, depois de ambas as sessões de treino. A exigência é um factor comum nas etapas de treino administradas por Bollettieri e pelos seus assistentes, e Elias, aos 17 anos, encontra-se numa fase crucial da sua carreira com a entrada no mais alto circuito masculino. Actualmente no posto n.º 637 do Ranking ATP, 6º classificado no Ranking de Juniores, Gastão já bateu a melhor marca portuguesa de sempre (Nuno Marques detinha um 7º lugar de 1986, e Frederico Gil um 10º de 2003).

Enquanto júnior, Gastão Elias correu meio mundo pelo seu potencial, mas a passagem para o quadro profissional consiste definitivamente na grande mudança da sua carreira. Gastão terá agora a pressão de demonstrar que realmente tem capacidade para se revelar como um dos melhores do mundo. Aos 17 anos, e apesar de muito jovem, o atleta luso tem tudo para nos dar uma grande alegria. Fique com a reportagem especial da TennisWeek.

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