Evandro Brandão – Explosão Angolana

18 de Outubro de 2006. Mais um nome português a pisar os míticos relvados de Old Trafford. Evandro Brandão, de 15 anos, contratado no final da época passada pelos Red Devils ao secundário Walsall FC, encontra-se actualmente integrado na equipa de sub-18 liderada pelo técnico inglês Mark Edwards e é certamente um nome a fixar.

A história é bastante simples, e revela os moldes actuais do fenómeno desportivo, onde o timing acaba por ser o factor-chave no que respeita à “pesca” de novos talentos. Evandro Brandão foi um entre centenas de jovens atletas que participaram na Manchester United Nike Cup em finais de 2006, tendo imediatamente ficado na retina de Carlos Queiróz – técnico que acabou por se revelar o principal responsável pela chegada do jogador a Manchester. A sua técnica individual e o faro apurado pelo golo não escaparam ao olhar atento do técnico português, que confirmou in loco as boas indicações que já lhe haviam sido concedidas pelo staff de recrutamento.

Evandro Brandão   Explosão Angolana Nascido em Luanda, Brandão encarna na perfeição a magia africana dos países de expressão portuguesa. Como é sabido, estes países têm-nos vindo a revelar jogadores de enorme humildade, espírito de sacrifício e muita magia no seu futebol. Evandro não foge à regra. Filho de mãe angolana e pai português, cedo emigrou para Inglaterra, tinha apenas 11 anos de idade. A primeira experiência foi no Blackburn Rovers, aos 13 anos. Com uma forte compleição física e com bom toque de bola, o avançado atraiu um ano depois a atenção do secundário Walsall FC que o recrutou para as suas fileiras. No primeiro ano marcou dez golos em catorze jogos e começou a receber as atenções dos observadores do Manchester United.
Ao ingressar no mítico Manchester Utd, Evandro sabia que as exigências aumentavam exponencialmente, mas o nosso atleta não se amedrontou. Actualmente, tem sido referenciado como uma das revelações ofensivas da equipa onde se encontra integrado (os sub-18, último patamar de formação), e parece ter um talento precoce que salta à vista de qualquer amante da modalidade – tecnicamente bem acima de média, possui similaridades com Drogba na forma como recebe jogo de costas para a baliza, e se vira rapidamente para atacar o defensor.
Não obstante os elogios de que tem sido alvo, Evandro quer mais. E é precisamente por isso que fica no final dos treinos a trabalhar com Solskjaer (actual treinador de avançados), técnico com quem tem uma amizade especial. Igualmente, não perde a oportunidade de ver vídeos de avançados consagrados – Van Nistelrooy, do Real Madrid, é a sua referência máxima; Cristiano Ronaldo e Anderson são amigos que o acompanham bem de perto.

A Inglaterra, como país onde a realidade do futebol extravasa em muito aquilo a que estamos acostumados no nosso país, dá também aso a situações que cedo transformam um mero rapazinho numa enorme esperança do seu clube. Exemplo é o canal de televisão Manchester Utd, que faz questão de transmitir todas as partidas de juniores do clube. Evandro, que é presença assídua em Old Trafford para as partidas da equipa principal, refere empolgado: “Normalmente os adeptos estão bem informados, porque vêem os jogos e sabem dos novos talentos que aparecem. Quando vou assistir aos jogos do Manchester United há sempre adeptos a quererem conhecer-me, a perguntar-me se sou o Evandro”. A fama é algo comum para jovens como Evandro Brandão, que num clube onde nada é deixado ao acaso ganham bem cedo o “estatuto” de adultos, com todas as responsabilidades a isso inerentes.
O avançado tem sido igualmente integrado, de forma paulatina, na selecção portuguesa de sub-16 comandada pelo nosso conhecido Paulo Sousa, sendo essa mais uma forma de identificar o craque com o futebol luso. Evandro é apenas um miúdo, mas a precocidade no futebol começa a tornar-se algo de comum, quase equiparável ao que sucede no ténis, onde a juventude é levada ao extremo. E aqueles que mais cedo forem capazes de potenciar pérolas como Brandão, – tarefa em que Manchester United se tem revelado soberbo – serão certamente os que melhores resultados obterão.

Sugestões...

6 Responses

  1. Duque diz:

    Muito boa matéria e eu ja tinha ouvido falar deste jovem, e é uma pena que a FAF(federação angolana de futebol) não se preocupa minimamente em fazer prospecção pela europa para inteirar os talentos nacionais e é por esse motivo que muitos preferem jogar por outras selecções,nesse caso, portugal e de forma mais abundante pela holanda, mas o pior mesmo é falta de investimento na formação em angola e em africa porque é tão certo em africa se fizer apenas metade dk se faz na europa os africanos serão os melhores do mundo, pk o talento para o futebol é genético, basta olhar para os melhores jogadores brasileiros são…

  2. Paulo diz:

    Duque, não será por falta de vontade que a FAF não o faz, penso. Será por questões circustanciais, por desorganização generalizada e porque há outras prioridades. Nós, adeptos e eles, dirigentes, querem de certeza o melhor para o futebol angolano. Não será por falta de desejo…

    É verdade que há exemplos de selecções africanas mais fortes e federações um pouco melhor geridas, mas o futebol africano ainda vive num mundo de profunda desorganização, amadorismo e “rebaldaria”, em bom português. Camarões, Costa do Marfim, Nigéria, são sleecções de topo? Penso que facilmente se diz aue andam lá perto. Mas é pelo enorme talento dos jogadores e pelo facto de terem emigrado para a Europa, na sua maioria. Mesmo a Nigéria, que tem selecções jovens das mais fortes de África, há vários anos (como se viu agora nos JO) também vive desorganizada e ainda se ouve de quando em vez histórias recambolescas e quase ridículas de falcatruas e incompetência (então no que diz respeito a passaportes, viagens, deslocações / recepções a equipas e questões de dinheiros). E isto é fácil de encontrar no futebol africano, infelizmente… As circunstâncias são outras. Se me garantirem que os países africanos se desenvolvem noutras áreas, não me importo nada que deixem o futebol de parte por uns tempos. Não é o assunto mais importante, penso; há outras questões mais prioritárias.

    África tem vários anos de atraso e não se pode querer que estejam ao nível de outros continentes. Ou melhor, pode querer-se. Falta é a realidade.

    Cumprimentos

  3. Rui Zamith diz:

    Sem dúvida Paulo. O que acho que poderia haver era uma colaboração mais estreita (e isso não quer dizer automaticamente que os custos teriam que ser elevadíssimos) entre os clubes e outras instituições nacionais com os jovens jogadores africanos, até porque acaba por ser um investimento – cada vez mais jovens africanos se tornam jogadores de elite, e todos nós sentimos o prazer e o amor de um africano quando pratica desporto. É uma alegria diferente, que nos contagia a todos. Eu, pessoalmente, sou um fã dos futebolistas africanos, nomeadamente daqueles que falam português, e pela forte ligação que criam com Portugal.

    Existem clubes nacionais com casas criadas em território africano, mas parece-me evidente que isso sucede por mero amor à causa, pois os projectos não me parecem ser bem desenvolvidos. Veja-se o caso do Porto, que nos últimos anos apenas terá verdadeiramente lançado o Ivanildo. Parece-me pouco, quando cada vez vemos mais pérolas africanas no futebol Europeu.

    O meu desejo é certamente que o continente se desenvolva, e o futebol tem nisso uma palavra importante a dizer, pois é fonte de receitas, e criar uma motivação e patriotismo muito positivo.

    Abraço

  4. Paulo diz:

    De facto, é verdade esse ponto, Rui. O “investimento” em África por parte de Portugal é simbólico ou sentimental. Não apenas no desporto, mas na maioria das áreas, aliás. Mas isso faz parte da cultura nacional, não há volta a dar…

    Abrir uma delegação para sócios, um café com mesa de matraquilhos e um campo pelado não é investir na formação e prospecção. Porque aqui ainda temos muito a ideia de que o sentimentalismo, a ligação afectiva e cultural derivada destes anos todos de ligação faz milagres e pensamos que não é preciso mais. Está bom. Até que somos ultrapassados e depois choramos e nos queixamos.

    O que se passa em relação à cultura de investimento português nos PALOP, na minha opinião de absoluto leigo, é que tomamos a posição de amigo e de antigo colonizador como garantida e como garantia de preferência. Não entendemos que isso, actualmente, pouco vale. Pensemos no campo da reconstrução física dos países. De Angola, caso mais próximo de mim. O que é que interessa a Angola se o investimento vem de Portugal, da China ou das Antilhas Holandesas? O que interessa é que o dinheiro entre e que, no fim do dia, a estrada ou a escola esteja construída. Não vale entrar com negociações e regatear preços, tentar evitar que se gaste 4,1 milhões para se gastar só 4,05… E não vale fazer estradinhas de um sentido quando há espaço e necessidade para auto-estradas!

    É uma hipérbole e generalização da situação real, mas reflecte a situação real. O que se passa no futebol em relação a Portugal e PALOPs é o mesmo. Fazer o campinho pelado e ir em digressão uma vez por década serve de pouco. Depois queixamo-nos que não há rentabilidade, que isto, que aquilo, que o barzinho está incompreensivelmente às “moscas”, a resvalar para o abandono…

    Quando o investimento inicial é pequenino, como a mentalidade e as perspectivas, o resultado não poderá ser promissor.

  5. Ana diz:

    O meu verdadeiro orgulho, um grande jogador, possuidor de uma garra enorme que o leva a lutar todos os dias pelo sonho de chegar ao topo do futebol…Um exemplo a seguir, pela sua determinação e força de vontade…
    Sem muito mais a dizer,

    Cumprimentos…

  6. Anónimo diz:

    temos que recunhecer que africa se gnifica raca,forca,ablidade etc.e este puto com sangue africano veio mesmo para ficar,e para escrever o seu nome a nivel mundial forca ai potu

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